Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de 2 Reis - é uma antiga tradução aramaica interpretativa do livro hebraico de 2 Reis, pertencente ao Targum Jonathan dos Profetas, especificamente ao conjunto dos Profetas Anteriores. A obra acompanha o relato bíblico, mas pode apresentar paráfrases, esclarecimentos linguísticos e históricos, harmonizações e interpretações próprias da tradição judaica antiga. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo.
ATENÇÃO
O Targum Jonathan sobre II Reis deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico dos Profetas (Nevi’im) transmitido dentro da tradição interpretativa judaica. No caso de II Reis, a designação “Targum Jonathan” é apropriada, porque ela pertence ao targum tradicional dos Profetas, diferentemente da confusão de nomenclatura que ocorre no Pentateuco com o chamado “Pseudo-Jônatas”.
Além disso, embora acompanhe o texto hebraico em muitos pontos, o targum ainda incorpora mediações exegéticas, reformulações interpretativas e elementos de paráfrase próprios da tradição targúmica. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como II Reis foi recebido, traduzido e interpretado no judaísmo antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os ajustes próprios da tradição interpretativa judaica.
[1] Em seus dias, Nabucodonosor, rei da Babilônia, subiu, e Jeoaquim tornou-se seu servo durante três anos. Depois voltou atrás e rebelou-se contra ele.[2] E o Senhor enviou contra ele tropas dos caldeus, tropas da Síria, tropas de Moabe e tropas dos filhos de Amom. Enviou-as contra a casa de Judá para destruí-la, conforme a Palavra do Senhor que havia falado por meio de seus servos, os profetas.[3] Contudo, isso aconteceu à casa de Judá porque provocaram a ira diante do Senhor, para que fossem levados ao exílio para longe da terra da casa de sua Presença, por causa dos pecados de Manassés e de tudo o que ele havia feito,[4] e também por causa do sangue inocente que ele derramou, enchendo Jerusalém da culpa pelo sangue inocente. Por isso, foi da vontade do Senhor não perdoar.[5] E os demais feitos de Jeoaquim e tudo o que realizou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis da casa de Judá?[6] E Jeoaquim adormeceu com seus pais, e Joaquim, seu filho, reinou em seu lugar.[7] E o rei do Egito nunca mais voltou a sair de sua terra, porque o rei da Babilônia havia tomado, desde o ribeiro do Egito até o rio Eufrates, tudo o que pertencia ao rei do Egito.[8] Joaquim tinha dezoito anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém. O nome de sua mãe era Neústa, filha de Elnatã, de Jerusalém.[9] E fez o que era mau diante do Senhor, conforme tudo o que seu pai havia feito.[10] Naquele tempo, os servos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, subiram contra Jerusalém, e a cidade foi cercada.[11] E Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio contra a cidade enquanto seus servos a cercavam.[12] Então Joaquim, rei da tribo da casa de Judá, saiu ao encontro do rei da Babilônia, ele, sua mãe, seus servos, seus grandes e seus guerreiros. E o rei da Babilônia o tomou no oitavo ano de seu reinado.[13] E retirou dali todos os tesouros da Casa do Santuário do Senhor e os tesouros da casa do rei. Também cortou todos os utensílios de ouro que Salomão, rei de Israel, havia feito no templo do Senhor, conforme o Senhor havia falado.[14] E levou ao exílio toda Jerusalém, todos os grandes e todos os guerreiros, dez mil pessoas levadas ao exílio, juntamente com todos os artesãos e ferreiros. Não restou ninguém, exceto os pobres do povo da terra.[15] E levou Joaquim ao exílio para a Babilônia. Também levou de Jerusalém para a Babilônia a mãe do rei, as mulheres do rei, seus grandes e os nobres da terra.[16] E levou para o exílio na Babilônia todos os guerreiros, sete mil homens, e mil artesãos e ferreiros, todos homens valentes e aptos para a guerra.[17] E o rei da Babilônia constituiu Matanias, irmão do pai de Joaquim, rei em seu lugar, e mudou seu nome para Zedequias.[18] Zedequias tinha vinte e um anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.[19] E fez o que era mau diante do Senhor, conforme tudo o que Jeoaquim havia feito.[20] Pois, por terem provocado a ira diante do Senhor, isso aconteceu a Jerusalém e a Judá, até que ele os levou ao exílio para longe da terra da casa de sua Presença. E Zedequias rebelou-se contra o rei da Babilônia.

