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[1] Cipriano a Cornélio, seu irmão, saudações. Li tuas cartas, caríssimo irmão, que enviaste por Primitivo, nosso co-presbítero, nas quais percebi que estavas incomodado porque, embora as cartas da colônia de Adrumeto, em nome de Policarpo, tenham sido dirigidas a ti, depois que Liberalis e eu chegamos àquele lugar, as cartas passaram a ser dali dirigidas aos presbíteros e aos diáconos.

[2] A esse respeito, desejo que saibas, e certamente creias, que isso não foi feito por leviandade nem por desprezo. Mas, quando vários de nossos colegas, reunidos em um só lugar, decidiram que, enquanto nossos co-bispos Caldônio e Fortunato fossem enviados a ti como embaixadores, todas as coisas, nesse meio-tempo, permanecessem suspensas como estavam, até que esses mesmos nossos colegas, tendo reduzido ali a situação à paz, ou, tendo descoberto a verdade dos fatos, retornassem a nós, os presbíteros e diáconos que permaneciam na colônia de Adrumeto, na ausência de nosso co-bispo Policarpo, ignoravam o que havia sido decidido em comum por nós. Mas, quando comparecemos diante deles e nosso propósito foi compreendido, eles próprios também começaram a observar o que os outros faziam, de modo que a concordância das igrejas que ali permaneciam não foi rompida em aspecto algum.

[3] Algumas pessoas, porém, às vezes perturbam as mentes e os ânimos dos homens com suas palavras, relatando as coisas de modo diferente da verdade. Pois nós, que fornecemos a toda pessoa que parte daqui uma orientação para que navegue sem escândalo, sabemos que os temos exortado a reconhecer e a manter a raiz e a matriz da Igreja Católica. Mas, visto que nossa província é extensa, e que a Numídia e a Mauritânia lhe estão ligadas, para que um cisma surgido na cidade não confundisse com opiniões incertas a mente dos ausentes, decidimos — depois de obter, por meio dos bispos, a verdade do assunto e de receber maior autoridade para a comprovação de tua ordenação, e assim, por fim, sendo removido do peito de cada um todo escrúpulo — que cartas te fossem enviadas por todos os que estavam estabelecidos em qualquer lugar da província; como de fato está sendo feito, para que todos os nossos colegas aprovassem e mantivessem firmemente tanto a ti quanto a tua comunhão, isto é, tanto a unidade da Igreja Católica quanto a sua caridade. Alegramo-nos de que tudo isso tenha ocorrido pela direção de Deus e de que nosso propósito tenha sido conduzido adiante pela Providência.

[4] Pois assim tanto a verdade quanto a dignidade do teu episcopado foram estabelecidas à mais clara luz, e com a aprovação mais manifesta e substancial; de modo que, pelas respostas de nossos colegas, que daí nos escreveram, bem como pelo relato e pelos testemunhos de nossos co-bispos Pompeio, Estêvão, Caldônio e Fortunato, pudessem ser conhecidas por todos a causa necessária, a ordem correta e, além disso, a gloriosa inocência de tua ordenação. Que nós, juntamente com o restante de nossos colegas, possamos administrar este ofício de modo estável e firme, e preservá-lo na concórdia unânime da Igreja Católica, isso a condescendência divina realizará; para que o Senhor, que se digna eleger e constituir para si sacerdotes em sua Igreja, também os proteja quando eleitos e constituídos por sua boa vontade e auxílio, inspirando-os a governar e suprindo tanto vigor para reprimir a contumácia dos maus quanto mansidão para acolher o arrependimento dos caídos. Desejo-te, caríssimo irmão, de todo o coração, eterna paz.

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