Aviso ao leitor
Este livro - As Cartas de Cipriano / Epístolas - é apresentado aqui como correspondência patrística (séc. III), preservada por seu valor histórico, pastoral e disciplinar — registrando decisões, conflitos, orientações e desafios enfrentados pela Igreja de Cartago em contexto de perseguições, debates sobre penitência e unidade eclesial. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa. Sua presença nesta biblioteca tem finalidade histórica, formativa e comparativa, ajudando a compreender a prática cristã antiga e suas tensões reais.
[1] Cornélio a Cipriano, seu irmão, saudações. Para que nada faltasse ao castigo futuro desse homem miserável, depois de ter sido abatido pelo poder de Deus, com a expulsão, por tua parte, de Máximo, Longino e Macaeu, ele se levantou de novo; e, como eu havia indicado em minha carta anterior, que te enviei por Augendo, o confessor, penso que Nicóstrato, Novato, Evaristo, Primo e Dionísio já chegaram aí.[2] Portanto, cuide-se para que seja dado conhecimento a todos os nossos co-bispos e irmãos de que Nicóstrato é acusado de muitos crimes, e de que ele não somente cometeu fraudes e roubos contra sua patrona secular, cujos negócios administrava, mas também, além disso — o que lhe está reservado para perpétuo castigo —, desviou não pequenos depósitos da Igreja; de que Evaristo foi o autor de um cisma; e de que Zeto foi constituído bispo em seu lugar, como seu sucessor junto ao povo sobre o qual antes ele presidia.[3] Mas, por sua malícia e por sua insaciável perversidade, ele tramou coisas maiores e piores do que aquelas que então costumava sempre praticar entre o seu próprio povo; para que saibas que tipo de líderes e protetores aquele cismático e herege tinha continuamente unido ao seu lado.[4] Eu te saúdo, caríssimo irmão. Permanece sempre com saúde no coração.

