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[1] Um certo judeu chamado Nicodemos apresentou-se diante do governador e disse: “Rogo-te, sendo bondoso como és, que me permitas dizer algumas palavras”. Pilatos respondeu: “Fala”. E Nicodemos disse: “Falei nestes termos aos anciãos, aos levitas e a toda a multidão de Israel reunida na sinagoga: ‘O que pretendeis fazer com este homem? Ele realiza muitos milagres e prodígios, como nenhum outro foi ou será capaz de realizar. Deixai-o em paz e não trameis coisa alguma contra ele. Se os seus prodígios têm origem divina, permanecerão firmes; porém, se têm origem humana, desaparecerão. Pois também Moisés, quando foi enviado por Deus ao Egito, realizou muitos prodígios, previamente determinados por Deus, diante do faraó, rei do Egito. Estavam ali alguns homens a serviço do faraó, Janes e Jambres, os quais também realizaram não poucos prodígios semelhantes aos de Moisés, e os habitantes do Egito consideravam Janes e Jambres como deuses. Contudo, como os seus prodígios não provinham de Deus, eles pereceram, assim como aqueles que acreditavam neles. Agora, portanto, deixai este homem em liberdade, pois ele não é digno de morrer’”.

[2] Então os judeus disseram a Nicodemos: “Tu te tornaste discípulo dele e, por isso, falas em seu favor”. Nicodemos lhes respondeu: “Então o governador também se tornou discípulo dele, porque fala em sua defesa? Não foi César quem o colocou neste cargo?” Os judeus ficaram muito enfurecidos e rangeram os dentes contra Nicodemos. Pilatos lhes disse: “Por que rangeis os dentes contra ele ao ouvirdes a verdade?” Os judeus disseram a Nicodemos: “Que a verdade dele e a parte dele fiquem contigo”. Nicodemos respondeu: “Amém, amém! Que assim seja, conforme dissestes”.

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