Skip to main content
search
[1] Aquele que distingue em si mesmo a voz, o significado e as coisas às quais o significado se refere não se ofenderá com a rudeza da linguagem se, ao examinar, encontrar sãs as coisas que são ditas. Isso é ainda mais verdadeiro quando nos lembramos de como os homens santos reconhecem que sua fala e sua pregação não consistem em persuasão pela sabedoria das palavras, mas em demonstração do Espírito e de poder.

[2] Os apóstolos não ignoram que, em algumas coisas, causam ofensa, e que, em certos aspectos, sua cultura é deficiente; por isso confessam, conforme 2 Coríntios 11:6, ser rudes na fala, mas não no conhecimento; pois devemos considerar que os outros apóstolos também diriam isso, assim como Paulo. Quanto ao texto de 2 Coríntios 4:7, “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós”, nós o interpretamos desta maneira. Por tesouros entendemos aqui, como em outras passagens, o tesouro do conhecimento e da sabedoria oculta. Por vasos de barro entendemos a dicção humilde das escrituras, que o grego poderia tão prontamente ser levado a desprezar, e na qual a excelência do poder de Deus aparece de modo tão claro. O mistério da verdade e o poder das coisas ditas não foram impedidos, por causa da humildade da linguagem, de chegar aos confins da terra, nem de sujeitar à palavra de Cristo não apenas as coisas loucas do mundo, mas às vezes também as suas coisas sábias. Pois vemos o nosso chamado, segundo 1 Coríntios 1:26-27: não que não haja nenhum sábio segundo a carne, mas que não são muitos os sábios segundo a carne. Mas Paulo, em sua pregação do evangelho, é devedor, conforme Romanos 1:14, para anunciar a palavra não apenas aos bárbaros, mas também aos gregos; e não somente aos ignorantes, que facilmente concordariam com ele, mas também aos sábios. Pois ele foi tornado suficiente por Deus, segundo 2 Coríntios 3:6, para ser ministro da Nova Aliança, manejando a demonstração do Espírito e de poder, para que, quando os crentes concordassem com ele, sua fé não estivesse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Pois, talvez, se a escritura possuísse, como as obras que os gregos admiram, elegância e domínio de expressão, então estaria aberta a suposição de que não foi a verdade dela que se apoderou dos homens, mas que a sequência aparente e o esplendor da linguagem arrebatariam os ouvintes e os levariam pelo engano.

VCirculi

Author VCirculi

More posts by VCirculi
Close Menu