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[1] Os frígios, porém, afirmam ainda que o pai do universo é Amígdalo.

[2] Não uma árvore, diz ele.

[3] Mas aquele Amígdalo que existia anteriormente.

[4] E que, tendo em si o fruto perfeito, como que pulsando e movendo-se em profundidade, rasgou seus seios.

[5] E produziu seu filho agora invisível, sem nome e inefável.

[6] A respeito de quem falaremos.

[7] Pois a palavra amyxai significa, por assim dizer, romper e abrir em fenda.

[8] Como, diz ele, acontece no caso de corpos inflamados.

[9] E que possuem em si algum tumor.

[10] E quando os médicos o cortam, chamam isso amychai.

[11] Dessa maneira, diz ele, os frígios o chamam Amígdalo.

[12] Do qual procedeu e nasceu o Invisível.

[13] Por quem todas as coisas foram feitas.

[14] E sem quem nada foi feito.

[15] E os frígios dizem que o que daí foi produzido é Syrictas, isto é, flautista.

[16] Porque o Espírito que nasce é harmonioso.

[17] Pois Deus, diz ele, é Espírito.

[18] Por isso afirma que os verdadeiros adoradores não adoram nem neste monte nem em Jerusalém, mas em espírito.

[19] Pois a adoração dos perfeitos, diz ele, é espiritual e não carnal.

[20] O Espírito, porém, diz ele, está onde também o Pai é nomeado.

[21] E o Filho ali nasce deste Pai.

[22] Este, diz ele, é o multiforme, de mil olhos, Incompreensível.

[23] De quem toda natureza, embora cada uma de modo diferente, é desejosa.

[24] Este, diz ele, é o Logos de Deus.

[25] O qual, diz ele, é um logos de revelação do Grande Poder.

[26] Por isso será selado.

[27] E escondido.

[28] E ocultado.

[29] Junto à habitação onde jaz o fundamento da raiz do universo.

[30] A saber, Éons.

[31] Poderes.

[32] Inteligências.

[33] Deuses.

[34] Anjos.

[35] Espíritos delegados.

[36] Entidades.

[37] Não-entidades.

[38] Geráveis.

[39] Ingeráveis.

[40] Incompreensíveis.

[41] Compreensíveis.

[42] Anos.

[43] Meses.

[44] Dias.

[45] Horas.

[46] E o ponto invisível a partir do qual o mínimo começa a crescer gradualmente.

[47] Aquilo que é, diz ele, nada.

[48] E que de nada consiste.

[49] Visto que é indivisível.

[50] Refiro-me a um ponto.

[51] Tornar-se-á, por seu próprio poder reflexivo, certa magnitude incompreensível.

[52] Este, diz ele, é o reino dos céus.

[53] O grão de mostarda.

[54] O ponto indivisível no corpo.

[55] E, diz ele, ninguém conhece esse ponto, exceto somente o espiritual.

[56] Isto, diz ele, é o que foi falado.

[57] “Não há fala nem linguagem onde a sua voz não seja ouvida.”

[58] Eles assumem temerariamente, dessa forma, que tudo quanto foi dito e feito por todos os homens pode ser harmonizado com sua própria visão mental particular.

[59] Alegando que todas as coisas se tornam espirituais.

[60] Daí também afirmam que aqueles que se exibem nos teatros, nem mesmo esses dizem ou fazem coisa alguma sem premeditação.

[61] Portanto, diz ele, quando, tendo o povo se reunido nos teatros, alguém entra vestido com traje notável, carregando uma harpa e tocando nela uma melodia, acompanhando-a com um canto dos grandes mistérios, fala assim, sem saber o que diz.

[62] “Quer sejais raça de Saturno ou do bem-aventurado Júpiter, ou da poderosa Reia, salve, Átis, sombria mutilação de Reia.”

[63] “Os assírios te chamam Adônis três vezes desejado.”

[64] “E todo o Egito te chama Osíris, chifre celeste da lua.”

[65] “Os gregos te denominam Sabedoria.”

[66] “Os samotrácios, venerável Adão.”

[67] “Os hemônios, Córibas.”

[68] “E os frígios te chamam ora Papa, ora Cadáver, ou Deus, ou Estéril, ou Aipolos, ou espiga verde ceifada, ou aquele que o fertilíssimo Amígdalo gerou.”

[69] “Um homem, um músico.”

[70] Este, diz ele, é Átis multiforme.

[71] A quem, quando celebram em hino, proferem estas palavras.

[72] “Cantarei Átis, filho de Reia.”

[73] “Não com o zumbido das trombetas, nem das flautas do Ida, em consonância com as vozes dos Curetes.”

[74] “Mas misturarei meu canto com a música das harpas de Apolo.”

[75] “Evoé, Evan.”

[76] “Porque tu és Pã.”

[77] “Porque tu és Baco.”

[78] “Porque tu és pastor de estrelas brilhantes.”

[79] Por estas e semelhantes razões, eles frequentam constantemente os mistérios chamados da Grande Mãe.

[80] Supondo especialmente que, por meio dos ritos ali celebrados, contemplam o mistério inteiro.

[81] Pois esses nada possuem além dos ritos que ali se executam.

[82] Exceto que não se emasculam.

[83] Apenas completam a obra dos emasculados.

[84] Pois com a máxima severidade e vigilância ordenam aos seus adeptos que se abstenham, como se fossem emasculados, de relações com mulher.

[85] O restante, porém, do procedimento observado nesses mistérios, como já declaramos com alguma extensão, eles seguem exatamente como se fossem emasculados.

[86] E não adoram outro objeto senão Naás.

[87] Sendo por isso chamados naassenos.

[88] Mas Naás é a serpente.

[89] Da qual, isto é, da palavra Naás, o naasseno diz que provêm todos os templos sob o céu.

[90] E afirma que somente a ele, isto é, a Naás, é dedicado todo santuário, todo rito iniciático e todo mistério.

[91] E, em geral, que não se poderia descobrir sob o céu uma cerimônia religiosa em que não existisse um templo.

[92] E no próprio templo está Naás.

[93] De quem recebeu a denominação de templo.

[94] E estes afirmam que a serpente é uma substância úmida.

[95] Assim como Tales de Mileto também falou da água como princípio originador.

[96] E que nada das coisas existentes, seja imortal ou mortal, animado ou inanimado, poderia subsistir sem ele.

[97] E que todas as coisas lhe estão sujeitas.

[98] E que ele é bom.

[99] E que possui em si todas as coisas.

[100] Como no chifre do touro unicórnio.

[101] De modo que comunica beleza e florescimento a todas as coisas existentes segundo sua própria natureza e particularidade.

[102] Como se passasse por todas.

[103] Assim como o rio que procede de Éden e se divide em quatro cabeças.

[104] Eles afirmam, porém, que Éden é o cérebro.

[105] Como que atado e firmemente preso em vestes envolventes, como se estivesse no céu.

[106] Supõem, porém, que o homem, até a cabeça somente, é o Paraíso.

[107] Portanto, esse rio que procede de Éden, isto é, do cérebro, divide-se em quatro cabeças.

[108] E o nome do primeiro rio chama-se Fison.

[109] Este é o que circunda toda a terra de Havilá.

[110] Onde há ouro.

[111] E o ouro dessa terra é excelente.

[112] E há bdélio e a pedra de ônix.

[113] Este, diz ele, é o olho.

[114] O qual, por sua honra entre os demais órgãos do corpo e por suas cores, dá testemunho do que foi dito.

[115] Mas o nome do segundo rio é Giom.

[116] Este é o que circunda a terra da Etiópia.

[117] Este, diz ele, é a audição.

[118] Visto que Giom é um curso tortuoso, semelhante a uma espécie de labirinto.

[119] E o nome do terceiro é Tigre.

[120] Este é o que corre defronte da Assíria.

[121] Este, diz ele, é o olfato.

[122] Empregando a corrente extremamente veloz do rio como analogia desse sentido.

[123] Mas corre defronte da Assíria.

[124] Porque em todo ato de respiração que sucede à expiração, o fôlego sorvido da atmosfera exterior entra com movimento mais rápido e com força maior.

[125] Pois esta, diz ele, é a natureza da respiração.

[126] Mas o quarto rio é o Eufrates.

[127] Este, afirmam eles, é a boca.

[128] Pela qual há a passagem para fora da oração.

[129] E a passagem para dentro do alimento.

[130] A boca alegra.

[131] E nutre.

[132] E forma o Homem Espiritual Perfeito.

[133] Esta, diz ele, é a água que está acima do firmamento.

[134] A respeito da qual, diz ele, o Salvador declarou.

[135] “Se soubesses quem é o que te pede, tu lhe pedirias, e ele te daria de beber água viva e borbulhante.”

[136] Nesta água, diz ele, toda natureza entra, escolhendo a própria substância.

[137] E dela advém a cada natureza a sua qualidade peculiar.

[138] Mais do que o ferro ao ímã.

[139] E o ouro à espinha do falcão-marinho.

[140] E a palha ao âmbar.

[141] Mas se alguém, diz ele, for cego de nascença e jamais tiver contemplado a verdadeira luz, que ilumina todo homem que vem ao mundo, por nós recupere ele a visão.

[142] E contemple, por assim dizer, um paraíso plantado com toda espécie de árvore.

[143] E suprido com abundância de frutos.

[144] E água correndo por entre todas as árvores e frutos.

[145] E verá que da mesma e única água a oliveira escolhe para si e tira o azeite.

[146] E a videira, o vinho.

[147] E o mesmo ocorre com o restante das plantas, segundo cada gênero.

[148] Esse Homem, porém, diz ele, não tem reputação no mundo.

[149] Mas possui fama ilustre no céu.

[150] Sendo traído por aqueles que ignoram suas perfeições àqueles que não o conhecem.

[151] Sendo tido como uma gota de um tonel.

[152] Nós, porém, diz ele, somos espirituais.

[153] Nós que, da água vivificante do Eufrates, que corre pelo meio da Babilônia, escolhemos a nossa própria qualidade peculiar ao passarmos pela verdadeira porta, que é o bem-aventurado Jesus.

[154] E de todos os homens, nós cristãos apenas somos aqueles que, na terceira porta, celebram o mistério.

[155] E ali somos ungidos com o inefável crisma vindo de um chifre.

[156] Assim como Davi.

[157] E não de um vaso de barro, diz ele, como Saul.

[158] O qual teve trato com o mau demônio da concupiscência carnal.

[159] As observações anteriores, portanto, embora poucas entre muitas, julgamos apropriado apresentar.

[160] Pois inumeráveis são os intentos tolos e insanos da loucura.

[161] Mas, visto que, segundo nossa capacidade, explicamos a gnose desconhecida, pareceu conveniente igualmente aduzir o ponto seguinte.

[162] Este salmo deles foi composto.

[163] Pelo qual parecem celebrar, em um hino, todos os mistérios do erro por eles proposto, nos seguintes termos.

[164] “A lei produtora do mundo era a Mente primordial.”

[165] “E depois dela veio o Caos derramado do Primogênito.”

[166] “E em terceiro lugar a alma recebeu sua lei de trabalho.”

[167] “Cingida, portanto, de forma aquosa.”

[168] “Vencida pelo cuidado, sucumbe à morte.”

[169] “Ora dominando, contempla a luz.”

[170] “Ora chora, lançada sobre a miséria.”

[171] “Ora lamenta, ora estremece de alegria.”

[172] “Ora geme, ora ouve sua sentença.”

[173] “Ora ouve sua sentença, ora morre.”

[174] “E agora nos deixa, para nunca mais retornar.”

[175] “Ela, infeliz errante, pisa o labirinto dos males.”

[176] “Mas Jesus disse: Pai, eis.”

[177] “Um conflito de males vagueia sobre a terra.”

[178] “Procedente do teu sopro.”

[179] “Mas o amargo Caos o homem busca evitar.”

[180] “E não sabe como atravessá-lo.”

[181] “Por essa razão, ó Pai, envia-me.”

[182] “Levando selos, descerei.”

[183] “Através de eras inteiras passarei.”

[184] “Todos os mistérios desvendarei.”

[185] “E as formas dos deuses mostrarei.”

[186] “E os segredos do caminho santo.”

[187] “Chamado Gnose, transmitirei.”

[188] Estas doutrinas, então, os naassenos tentam estabelecer, chamando a si mesmos gnósticos.

[189] Mas, visto que o erro é multifacetado e diversificado, parecendo-se de fato com a hidra que lemos na história, quando, por meio da refutação, tivermos decepado de um golpe as cabeças dessa ilusão, usando a vara da verdade, exterminaremos inteiramente o monstro.

[190] Pois as heresias restantes não apresentam muita diferença de aspecto em relação a esta.

[191] Tendo ligação mútua por meio do mesmo espírito de erro.

[192] Mas, como, alterando as palavras e os nomes da serpente, desejam que haja muitas cabeças da serpente, nem assim deixaremos de refutá-las cabalmente, como desejam.

[193] Há também, sem dúvida, outra cabeça da hidra.

[194] A saber, a heresia dos peratas.

[195] Cuja blasfêmia contra Cristo escapou à observação por muitos anos.

[196] E o presente é momento apropriado para trazer à luz os mistérios secretos desses hereges.

[197] Estes alegam que o mundo é um só.

[198] E triplicemente dividido.

[199] E da tripla divisão entre eles, uma porção é certo princípio originador único.

[200] Como se fosse uma fonte enorme.

[201] A qual pode ser dividida mentalmente em infinitos segmentos.

[202] Ora, o primeiro segmento, e aquele que, segundo eles, é o preferível, é uma tríade.

[203] E chama-se Bem Perfeito.

[204] E Grandeza Paterna.

[205] E a segunda porção da tríade deles é, por assim dizer, certa multidão infinita de potencialidades geradas por si mesmas.

[206] Enquanto a terceira é formal.

[207] E a primeira, que é boa, é não gerada.

[208] E a segunda é um bem autoprodutor.

[209] E a terceira é criada.

[210] E por isso declaram expressamente que há três deuses.

[211] Três Logoi.

[212] Três Mentes.

[213] Três Homens.

[214] Pois a cada porção do mundo, depois de efetuada a divisão, atribuem deuses, Logoi, Mentes, Homens e o restante.

[215] Mas afirmam que, da não-originação e do primeiro segmento do mundo, quando depois o mundo chegou à sua consumação, desceu do alto, por causas que declararemos depois, no tempo de Herodes, certo homem chamado Cristo.

[216] Com natureza tríplice.

[217] Corpo tríplice.

[218] E poder tríplice.

[219] Tendo em si todas as espécies de concreções e potencialidades deriváveis das três divisões do mundo.

[220] E isso, diz o perata, é o que foi falado.

[221] “Aprouve que nele habitasse corporalmente toda a plenitude.”

[222] E nele reside a divindade inteira da tríade assim dividida.

[223] Pois, diz ele, dos dois mundos superiores, a saber, da porção não gerada da tríade e da porção autoproduzida, foram trazidas para baixo, para este mundo em que estamos, sementes de toda sorte de potencialidades.

[224] Qual, porém, seja o modo dessa descida, declararemos depois.

[225] O perata então diz que Cristo desceu de cima, da não-originação.

[226] Para que, por sua descida, todas as coisas triplicemente divididas fossem salvas.

[227] Pois algumas coisas, diz ele, sendo trazidas para baixo desde o alto, subirão por meio dele.

[228] Ao passo que quaisquer seres que armam ciladas contra os que são transportados para baixo desde o alto são rejeitados.

[229] E, colocados em estado de punição, são repudiados.

[230] Isto, diz ele, é o que foi falado.

[231] “Pois o Filho do Homem não veio ao mundo para destruir o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.”

[232] Mundo, diz ele, denomina aquelas duas partes situadas acima.

[233] A saber, tanto a porção não gerada da tríade quanto a porção autoproduzida.

[234] E, quando a escritura, diz ele, usa as palavras “para que não sejamos condenados com o mundo”, alude à terceira porção da tríade.

[235] Isto é, ao mundo formal.

[236] Pois a terceira porção, que ele chama de mundo em que estamos, deve perecer.

[237] Mas as duas restantes, situadas acima, devem ser resgatadas da corrupção.

[238] Aprendamos, então, em primeiro lugar, como, derivando esta doutrina dos astrólogos, os peratas tratam com desprezo a Cristo.

[239] E operam destruição para os que os seguem em erro dessa espécie.

[240] Pois os astrólogos, alegando que há um só mundo, dividem-no em doze porções fixas dos signos do zodíaco.

[241] E chamam de um só mundo imóvel o mundo dos signos fixos do zodíaco.

[242] E afirmam que o outro é o mundo dos signos errantes.

[243] Tanto em poder como em posição e número.

[244] E que se estende até a lua.

[245] E estabelecem que um mundo deriva do outro certa potência e participação mútua nessa potência.

[246] E que as regiões inferiores obtêm essa participação das superiores.

[247] Para que, porém, o que aqui se afirma seja claro, empregarei uma a uma as próprias expressões dos astrólogos.

[248] E ao fazer isso apenas recordarei aos meus leitores afirmações anteriormente feitas na parte da obra em que explicamos toda a arte dos astrólogos.

[249] Quais, então, são as opiniões que esses especuladores sustentam, são as seguintes.

[250] Sua doutrina é que, por uma emanação das estrelas, se consuma a geração das regiões inferiores.

[251] Pois os caldeus, ao contemplarem ansiosamente o céu, afirmaram que as sete estrelas contêm a razão das causas eficientes da ocorrência de todos os acontecimentos que nos sucedem.

[252] E que as partes dos signos fixos do zodíaco cooperam nessa influência.

[253] O círculo zodiacal eles dividem em doze partes.

[254] E cada signo zodiacal em trinta porções.

[255] E cada porção em sessenta partes mínimas.

[256] Pois assim denominam as partes muito pequenas e indivisíveis.

[257] E dos signos zodiacais, chamam alguns de masculinos.

[258] E outros, de femininos.

[259] E alguns, de bicorpóreos.

[260] E outros, não.

[261] E alguns, de tropicais.

[262] Ao passo que outros são firmes.

[263] Os signos masculinos, então, são ou femininos, possuindo natureza cooperativa para a procriação de machos, ou são eles mesmos produtores de fêmeas.

[264] Pois Áries é signo masculino.

[265] Mas Touro, feminino.

[266] E o restante é denominado segundo a mesma analogia.

[267] Alguns masculinos.

[268] Outros femininos.

[269] Alguns, porém, dividindo cada signo zodiacal em doze partes, empregam quase o mesmo método.

[270] Por exemplo, em Áries, denominam a primeira das doze partes tanto Áries quanto macho.

[271] Mas a segunda tanto Touro quanto fêmea.

[272] E a terceira tanto Gêmeos quanto macho.

[273] E o mesmo plano é seguido no caso das demais partes.

[274] E afirmam que há signos com dois corpos.

[275] A saber, Gêmeos e os signos diametralmente opostos.

[276] Isto é, Sagitário, Virgem e Peixes.

[277] E que os demais não possuem dois corpos.

[278] E dizem ainda que alguns são tropicais.

[279] E quando o sol está nestes, produz grandes mudanças no signo circundante.

[280] Áries é um signo desse tipo.

[281] E também o que lhe é diametralmente oposto.

[282] Do mesmo modo Libra, Capricórnio e Câncer.

[283] Pois em Áries está a virada da primavera.

[284] E em Capricórnio a do inverno.

[285] E em Câncer a do verão.

[286] E em Libra a do outono.

[287] Os detalhes, porém, concernentes a esse sistema, explicamos minuciosamente no livro precedente.

[288] E dele qualquer pessoa que deseje instrução sobre o ponto poderá aprender de que modo os originadores desta heresia perática, a saber, Eufrates, o Perata, e Célbes, o Caristiano, ao transferirem essas doutrinas para seu próprio sistema de opiniões, fizeram alterações apenas nos nomes.

[289] Enquanto, na realidade, apresentaram doutrinas semelhantes.

[290] Mais ainda, com zelo imoderado, eles próprios se dedicaram à arte dos astrólogos.

[291] Pois também os astrólogos falam dos limites das estrelas.

[292] Nos quais afirmam que as estrelas dominantes exercem maior influência.

[293] Como, por exemplo, sobre algumas atuam prejudicialmente.

[294] Enquanto sobre outras agem bem.

[295] E destas denominam algumas de malignas.

[296] E outras de benéficas.

[297] E dizem que as estrelas se olham mutuamente.

[298] E harmonizam-se entre si.

[299] De modo que aparecem segundo a forma de um triângulo ou de um quadrado.

[300] As estrelas, olhando-se umas às outras, são figuradas segundo a forma de um triângulo, tendo distância intermediária correspondente à extensão de três signos zodiacais.

[301] Ao passo que as que têm intervalo de dois signos zodiacais são figuradas segundo a forma de um quadrado.

[302] E sua doutrina é que, assim como em um homem as partes inferiores simpatizam com a cabeça, e a cabeça igualmente simpatiza com as partes inferiores, assim todas as coisas terrenas simpatizam com os objetos supralunares.

[303] Mas os astrólogos vão além disso.

[304] Pois existe, segundo eles, certa diferença e incompatibilidade entre essas coisas.

[305] De modo que não envolvem uma e a mesma união.

[306] Esta combinação e divergência das estrelas, que é doutrina caldaica, foi apropriada para si por aqueles de quem falamos anteriormente.

[307] Ora, estes, falsificando o nome da verdade, proclamam como doutrina de Cristo uma insurreição de Éons.

[308] E revoltas de bons para as fileiras dos poderes maus.

[309] E falam de confederações de poderes bons com os maus.

[310] Denominando-os, portanto, Toparcas e Proástios.

[311] E, embora forjando para si mesmos muitíssimos outros nomes não sugeridos de outras fontes, sistematizaram de modo inepto toda a doutrina imaginária dos astrólogos acerca das estrelas.

[312] E, como introduziram uma suposição carregada de imenso erro, serão refutados por meio de nossa admirável disposição.

[313] Pois porei em contraste com a arte caldaica dos astrólogos, mencionada anteriormente, alguns dos tratados peráticos.

[314] Dos quais, por meio da comparação, haverá oportunidade de perceber como as doutrinas peráticas são, confessadamente, as dos astrólogos, e não de Cristo.

[315] Parece, então, conveniente expor um dos livros tidos em reputação entre eles, no qual ocorre a seguinte passagem.

[316] “Eu sou uma voz de despertar do sono na era da noite.”

[317] “Doravante começo a despir o poder que vem do caos.”

[318] “O poder é o da mais baixa profundidade do lodo.”

[319] “Que ergue a lama da incorruptível e úmida extensão do espaço.”

[320] “E é o poder inteiro do abalo.”

[321] “Que, sempre em movimento e apresentando a cor da água, faz girar as coisas que estão paradas.”

[322] “Restringe as coisas trêmulas.”

[323] “Solta as coisas à medida que avançam.”

[324] “Alivia as coisas enquanto permanecem.”

[325] “Remove as coisas em crescimento.”

[326] “Fiel despenseiro da trilha dos ventos.”

[327] “Frui das coisas expelidas pelos doze olhos da lei.”

[328] “E manifesta um selo ao poder que, juntamente consigo, distribui as águas invisíveis descidas.”

[329] “E foi chamado Thalassa.”

[330] “Este poder a ignorância acostumou-se a denominar Cronos.”

[331] “Guardado com cadeias.”

[332] “Porque ligou apertadamente o redil do Tártaro denso, nebuloso, escuro e turvo.”

[333] “Segundo a imagem deste foram produzidos Cefeu, Prometeu e Jápeto.”

[334] “O poder ao qual foi confiada Thalassa é hermafrodita.”

[335] “E fixa o silvo que surge das doze bocas em doze tubos.”

[336] “E o derrama.”

[337] “E o próprio poder é sutil.”

[338] “E remove o movimento dominador, turbulento e ascendente do mar.”

[339] “E sela as trilhas de seus caminhos.”

[340] “Para que algum poder antagonista não guerreie nem introduza alteração alguma.”

[341] “A filha tempestuosa deste é fiel protetora de toda sorte de águas.”

[342] “Seu nome é Corzar.”

[343] “A ignorância costuma chamar este poder de Netuno.”

[344] “Segundo cuja imagem foram produzidos Glauco, Melicertes, Ino e Nebroé.”

[345] “Aquele que é cercado pela pirâmide de doze anjos.”

[346] “E escurece a porta da pirâmide com várias cores.”

[347] “E completa o todo nas cores negras da Noite.”

[348] “A este a ignorância chamou Cronos.”

[349] “E seus ministros eram cinco.”

[350] “Primeiro U.”

[351] “Segundo Aoai.”

[352] “Terceiro Uo.”

[353] “Quarto Uoab.”

[354] “Quinto…”

[355] “Outros administradores fiéis existem de sua província de noite e dia.”

[356] “Os quais repousam em seu próprio poder.”

[357] “A ignorância chamou estes de estrelas errantes.”

[358] “Das quais depende uma geração corruptível.”

[359] “Administrador do surgimento da estrela é Carfacasemeoquir.”

[360] “E Eccabbacara é o mesmo.”

[361] “A ignorância costuma chamar estes de Curetes, chefes dos ventos.”

[362] “Terceiro em ordem é Ariel.”

[363] “Segundo cuja imagem foram gerados Éolo e Briareu.”

[364] “E chefe do poder noturno de doze horas é Soclan.”

[365] “A quem a ignorância está acostumada a chamar Osíris.”

[366] “E segundo a imagem deste nasceram Admeto, Medeia, Helena e Etusa.”

[367] “Chefe do poder diurno de doze horas é Euno.”

[368] “Este é administrador do surgimento da estrela Protocamaro e da região etérea.”

[369] “Mas a ignorância o chamou Ísis.”

[370] “Sinal deste é a estrela do Cão.”

[371] “Segundo cuja imagem nasceram Ptolomeu filho de Arsinoe, Didima, Cleópatra e Olímpias.”

[372] “O poder da mão direita de Deus é aquele que a ignorância chamou Reia.”

[373] “Segundo cuja imagem foram produzidos Átis, Migdão e Enone.”

[374] “O poder da esquerda tem senhorio sobre o alimento.”

[375] “E a ignorância costuma chamar este de Ceres.”

[376] “Enquanto seu nome é Bena.”

[377] “E segundo a imagem desta nasceram Celeu, Triptolemo, Misyr e Praxídica.”

[378] “O poder da direita tem senhorio sobre os frutos.”

[379] “A este a ignorância chamou Mena.”

[380] “Segundo cuja imagem nasceram Bumegas, Ostanes, Mercúrio Trismegisto, Curites, Petosíris, Zodário, Beroso, Astrampsuco e Zoroastro.”

[381] “O poder da esquerda é senhor do fogo.”

[382] “E a ignorância chamou este de Vulcano.”

[383] “Segundo cuja imagem nasceram Erictônio, Aquiles, Capaneu, Faetonte, Meleagro, Tideu, Encélado, Rafael, Suriel e Ônfale.”

[384] “Há três poderes intermediários suspensos do ar, autores da geração.”

[385] “A estes a ignorância costumava chamar de Parcas.”

[386] “E segundo a imagem destes foram produzidos a casa de Príamo, a casa de Laio, Ino, Autônoe, Ágave, Atamante, Procne, as Danaides e as Pelíades.”

[387] “Há um poder hermafrodita.”

[388] “Sempre permanecendo na infância.”

[389] “Nunca envelhecendo.”

[390] “Causa da beleza, do prazer, da maturidade, do desejo e da concupiscência.”

[391] “E a ignorância costumava chamar este de Eros.”

[392] “Segundo cuja imagem nasceram Páris, Narciso, Ganimedes, Endimião, Titono, Icário, Leda, Amímone, Tétis, as Hespérides, Jasão, Leandro e Hero.”

[393] “Estes são os Proástios até o Éter.”

[394] “Pois com este título também ele inscreve o livro.”

[395] Tornou-se facilmente evidente para todos que a heresia dos peratas é apenas nominalmente alterada em relação à arte dos astrólogos.

[396] E o restante dos livros desses hereges contém o mesmo método.

[397] Se fosse do agrado de alguém atravessá-los todos.

[398] Pois, como eu disse, supõem que as causas da geração de todas as coisas geradas são realidades não geradas e superiores.

[399] E que o mundo entre nós foi produzido à maneira de uma emanação.

[400] O qual mundo eles denominam formal.

[401] E sustentam que todas aquelas estrelas que são vistas no firmamento foram causas da geração deste mundo.

[402] Alteraram, porém, os nomes destas.

[403] Como se pode perceber a partir dos Proástios por meio de comparação dos dois sistemas.

[404] E, em segundo lugar, segundo o mesmo método pelo qual o mundo foi feito a partir de uma emanação superior, afirmam que do mesmo modo os objetos daqui derivam da emanação das estrelas sua geração, corrupção e ordenação.

[405] Visto, então, que os astrólogos conhecem o horóscopo.

[406] E o meridiano.

[407] E o ocaso.

[408] E o ponto oposto ao meridiano.

[409] E visto que essas estrelas ocupam em tempos diferentes diferentes posições no espaço, por causa da revolução perpétua do universo, há necessariamente em diferentes períodos diferentes inclinações para um centro e diferentes ascensões aos centros.

[410] Ora, os heréticos peratas, fixando um sentido alegórico a essa disposição dos astrólogos, delineiam o centro como se fosse um deus.

[411] E mônada.

[412] E senhor da geração universal.

[413] Ao passo que a declinação é considerada por eles um poder à esquerda.

[414] E a ascensão, um poder à direita.

[415] Portanto, quando alguém, deparando-se com os tratados desses hereges, encontrar neles menção a poder direito ou esquerdo, recorra ao centro, à declinação e à ascensão dos sábios caldeus.

[416] E observará claramente que todo o sistema desses peratas consiste na doutrina astrológica.

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