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[1] Agora, para darmos uma resposta mais simples, não convinha que o Filho de Deus nascesse da semente de um pai humano, para que, se fosse inteiramente filho de um homem, não deixasse também de ser Filho de Deus, e não tivesse nada mais do que Salomão ou Jonas — como Ebion julgava que deveríamos crer a respeito dele.

[2] Portanto, para que aquele que já era Filho de Deus — isto é, da semente de Deus Pai, a saber, o Espírito — também fosse Filho do homem, bastava que assumisse carne: da carne humana, mas sem a semente de um homem; pois a semente humana era desnecessária para aquele que possuía a semente de Deus.

[3] Assim, antes de seu nascimento da virgem, ele podia ter Deus por Pai sem uma mãe humana; do mesmo modo, depois de nascer da virgem, podia ter uma mulher por mãe sem um pai humano.

[4] Desse modo, ele é homem unido a Deus, em suma, porque é carne humana com o Espírito de Deus — carne, digo, sem semente de homem; Espírito, porém, com semente de Deus.

[5] Visto, então, que a dispensação do propósito de Deus acerca de seu Filho exigia que ele nascesse de uma virgem, por que não teria ele recebido da virgem o corpo que trouxe da virgem?

[6] Porque, dizem eles, seria outra coisa aquilo que ele tomou de Deus, pois “o Verbo se fez carne”.

[7] Ora, essa própria declaração mostra claramente o que foi feito carne; e não pode de modo algum ser outra coisa senão o Verbo aquilo que foi feito carne.

[8] Agora, se foi da carne que o Verbo se fez carne, ou se foi feito assim da própria semente divina, é a Escritura que deve nos dizer.

[9] Entretanto, como a Escritura se cala acerca de tudo, exceto sobre o que foi feito carne, e nada diz sobre aquilo de que foi assim feito, deve-se entender que ela sugere que o Verbo foi feito carne a partir de outra coisa, e não de si mesmo.

[10] E se não de si mesmo, mas de outra coisa, de que podemos mais apropriadamente supor que o Verbo se fez carne, senão daquela carne na qual ele se submeteu à dispensação?

[11] E temos prova da mesma conclusão no fato de que o próprio Senhor declarou, de modo sentencioso e distinto: “o que é nascido da carne é carne”, precisamente porque nasce da carne.

[12] Mas, se aqui ele falou simplesmente de um ser humano, e não de si mesmo, como sustentais, então tereis de negar absolutamente que Cristo é homem, e tereis de sustentar que a natureza humana não lhe era apropriada.

[13] E então ele acrescenta: “o que é nascido do Espírito é espírito”, porque Deus é Espírito, e ele nasceu de Deus.

[14] Ora, essa descrição certamente se aplica ainda mais a ele do que àqueles que nele creem.

[15] Mas, se esta passagem de fato se aplica a ele, então por que a anterior também não se aplicaria?

[16] Pois não podeis separar a relação entre ambas, adaptando esta a ele e a cláusula anterior a todos os demais homens, especialmente porque não negais que Cristo possui as duas substâncias, tanto a da carne quanto a do Espírito.

[17] Além disso, como ele possuía tanto carne quanto Espírito, não se pode supor de maneira alguma, ao falar da condição das duas substâncias que ele mesmo trazia, que tenha determinado que o Espírito, sim, era seu, mas que a carne não era sua.

[18] Portanto, na medida em que ele é do Espírito, ele é Deus Espírito e nasceu de Deus; assim também nasceu da carne do homem, sendo gerado na carne como homem.

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