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[1] O nascimento é anunciado com clareza por Gabriel. Lucas 1:26–38.

[2] Mas que tem ele a ver com o anjo do Criador?

[3] A concepção no ventre da virgem também nos é apresentada de modo evidente.

[4] Mas que relação tem ele com o profeta do Criador, Isaías?

[5] Ele não tolerará demora, pois, de repente, sem qualquer anúncio profético, fez Cristo descer do céu.

[6] Fora, diz ele, com aquele eterno e enfadonho recenseamento de César, com a pobre hospedaria, com os humildes panos em que o menino foi envolvido e com a rude estrebaria. Lucas 2:1–7.

[7] Nada nos importa aquela multidão do exército celestial que louvou seu Senhor durante a noite. Lucas 2:13.

[8] Que os pastores cuidem melhor de seu rebanho. Lucas 2:8.

[9] E que os magos poupem as pernas de tão longa jornada. Mateus 2:1.

[10] Que guardem para si o seu ouro. Mateus 2:11.

[11] Que Herodes também corrija seus costumes, para que Jeremias não triunfe sobre ele.

[12] Poupem também o menino da circuncisão, para que escape à dor dela.

[13] E não o levem ao templo, para que não sobrecarregue seus pais com a despesa da oferta. Lucas 2:22–24.

[14] Nem seja ele entregue a Simeão, para que o velho não se entristeça à beira da morte. Lucas 2:25–35.

[15] Que também aquela velha mulher se cale, para que não enfeitice a criança. Lucas 2:36–38.

[16] Foi dessa maneira, ao que suponho, ó Marcião, que tiveste a ousadia de apagar os registros originais da história de Cristo, para que sua carne perdesse as provas de sua realidade.

[17] Mas, peço-te, com que fundamento fazes isso?

[18] Mostra-me tua autoridade.

[19] Se és profeta, predize-nos alguma coisa.

[20] Se és apóstolo, expõe publicamente tua mensagem.

[21] Se és discípulo dos apóstolos, concorda com os apóstolos no pensamento.

[22] Se és apenas um cristão comum, crê naquilo que nos foi transmitido.

[23] Se, porém, nada és disso, então, como tenho toda razão para dizer, deixa de viver.

[24] Pois, na verdade, já estás morto, visto que não és cristão, porque não crês naquilo que, quando é crido, faz os homens cristãos.

[25] Antes, estás ainda mais morto quanto mais deixaste de ser cristão.

[26] Porque caíste, depois de teres sido um, ao rejeitares aquilo em que antes crias.

[27] Isso, aliás, tu mesmo reconheces em certa carta tua.

[28] E teus seguidores não o negam, ao passo que nossos irmãos podem prová-lo.

[29] Rejeitando, portanto, o que antes crias, consumaste o ato de rejeição, agora já não crendo mais.

[30] O fato, porém, de teres deixado de crer não tornou tua rejeição da fé correta nem legítima.

[31] Pelo contrário, por teu próprio ato de rejeição, demonstras que aquilo em que crias antes desse ato era de natureza diferente.

[32] E aquilo que crias ser de natureza diferente havia sido transmitido exatamente como o crias.

[33] Ora, o que havia sido transmitido era verdadeiro, uma vez que fora passado por aqueles cujo dever era transmiti-lo.

[34] Portanto, ao rejeitares o que te havia sido transmitido, rejeitaste o que era verdadeiro.

[35] Não tinhas autoridade para fazer isso.

[36] Contudo, já tratamos mais amplamente dessas regras de prescrição contra todas as heresias em outro tratado.

[37] Repeti-las aqui, depois daquela extensa obra, seria supérfluo.

[38] Basta-nos perguntar por que razão formaste a opinião de que Cristo não nasceu.

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