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[1] Convém que, depois de contemplarmos a liberalidade de Deus, tratemos também de sua clemência.

[2] Pois, de que nos aproveitarão os alimentos, se, na verdade, estivermos destinados a eles como um boi reservado para o sacrifício?

[3] O Senhor sabia que Ele mesmo era o único sem culpa; por isso ensina que peçamos que as nossas dívidas nos sejam perdoadas.

[4] Um pedido de perdão é uma confissão plena, porque aquele que suplica perdão admite por inteiro a sua culpa.

[5] Assim também se demonstra que a penitência é aceitável a Deus, o qual a deseja mais do que a morte do pecador.

[6] Além disso, “dívida”, nas Escrituras, é figura de culpa, porque igualmente está sujeita à sentença do juízo e por ela é cobrada.

[7] E não escapa à justiça dessa cobrança, a menos que a cobrança seja remitida, assim como o senhor, na parábola, perdoou àquele servo a sua dívida.

[8] Pois é para isso que tende todo o sentido da parábola.

[9] E ainda, o fato de que esse mesmo servo, depois de ter sido libertado por seu senhor, não poupa de igual modo o seu próprio devedor e, por causa disso, sendo acusado diante de seu senhor, é entregue ao verdugo para pagar até o último ceitil — isto é, toda culpa, por menor que seja —

[10] corresponde à nossa profissão de que também nós perdoamos aos nossos devedores.

[11] De fato, em outro lugar também, em conformidade com esta forma de oração, Ele diz: “Perdoai, e sereis perdoados”.

[12] E quando Pedro perguntou se o perdão deveria ser concedido a um irmão até sete vezes, “Não”, disse Ele, “mas até setenta e sete vezes”,

[13] a fim de reformar a Lei para melhor, porque em Gênesis a vingança foi atribuída sete vezes no caso de Caim, mas, no de Lameque, setenta e sete vezes.

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