[1] Mas por que falar de sacrifícios e sacerdócios? Quanto aos espetáculos e aos prazeres desse tipo, já dedicamos a eles um tratado próprio.
[2] Aqui deve ser tratado o tema dos dias festivos e de outras solenidades extraordinárias, às quais às vezes aderimos por frivolidade, e outras vezes por temor, em oposição à fé comum e à Disciplina.
[3] O primeiro ponto, de fato, sobre o qual entrarei em debate é este: se um servo de Deus deve compartilhar com as próprias nações gentílicas, em coisas desse tipo, seja no vestuário, seja na comida, seja em qualquer outra forma de sua alegria.
[4] “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Romanos 12:15), diz o apóstolo a respeito dos irmãos, ao exortar à unanimidade.
[5] Mas, para esses propósitos, “não há comunhão alguma entre a luz e as trevas, entre a vida e a morte”; do contrário, revogaríamos o que está escrito: “O mundo se alegrará, mas vós vos entristecereis”.
[6] Se nos alegrarmos com o mundo, há motivo para temer que também com o mundo venhamos a entristecer-nos.
[7] Mas, quando o mundo se alegrar, entristeçamo-nos nós; e, quando depois o mundo se entristecer, então nos alegraremos.
[8] Assim também Eleazar, no Hades, alcançando alívio no seio de Abraão, e o rico, por sua vez, posto no tormento do fogo, compensam, por justa retribuição, suas alternadas mudanças de mal e de bem.
[9] Há certos dias de dádivas que, para alguns, regulam a obrigação da honra, e, para outros, a dívida dos salários.
[10] Agora, então, dizes: “Receberei de volta o que é meu” ou “pagarei de volta o que é de outro”.
[11] Se os homens consagraram para si esse costume a partir da superstição, por que tu, estando afastado de toda a vaidade deles, participas de solenidades consagradas aos ídolos, como se também para ti houvesse algum preceito relativo a um dia específico?
[12] Nada, de fato, impede, sem a observância de um dia particular, que pagues ou recebas o que deves a um homem, ou o que um homem te deve.
[13] Mostra-me a forma segundo a qual desejas ser tratado.
[14] Pois por que haverias de te esconder, quando contaminas tua própria consciência pela ignorância do teu próximo?
[15] Se não és desconhecido por seres cristão, és tentado, e ages como se não fosses cristão, contra a consciência do teu próximo.
[16] Se, porém, te disfarças, tornas-te escravo da tentação.
[17] Em todo caso, quer de uma maneira quer de outra, és culpado de te envergonhares de Deus.
[18] “Mas qualquer que se envergonhar de Mim diante dos homens, dele também Eu Me envergonharei diante de Meu Pai que está nos céus”, diz Ele.

