[1] Quanto, porém, às cerimônias das solenidades privadas e sociais — como as da toga branca, dos esponsais, das núpcias e da imposição de nomes — penso que não há perigo do qual se deva guardar por causa do sopro de idolatria que se mistura a elas.
[2] Pois devem ser consideradas as causas às quais a cerimônia é devida.
[3] As já mencionadas considero limpas em si mesmas, porque nem a veste masculina, nem o anel matrimonial, nem a união conjugal procedem de honras prestadas a algum ídolo.
[4] Em suma, não encontro roupa alguma amaldiçoada por Deus, exceto a veste de mulher em homem; pois, diz Ele, maldito é todo homem que se veste com traje de mulher.
[5] A toga, porém, é uma veste de nome masculino, bem como de uso masculino.
[6] Deus não proíbe mais que se celebrem núpcias do que proíbe que se dê um nome.
[7] Mas há sacrifícios apropriados a essas ocasiões.
[8] Que eu seja convidado, contanto que o motivo da cerimônia não seja a participação em um sacrifício; e o cumprimento dos meus bons ofícios estará a serviço de meus amigos.
[9] Oxalá estivesse, de fato, a serviço deles, e que pudéssemos escapar de ver aquilo que nos é ilícito fazer.
[10] Mas, visto que o maligno cercou o mundo de tal modo com a idolatria, será lícito a nós estar presentes em certas cerimônias nas quais se veja que prestamos serviço a um homem, e não a um ídolo.
[11] Evidentemente, se eu for convidado para função sacerdotal e sacrifício, não irei, pois isso é serviço próprio de um ídolo.
[12] Mas também não prestarei conselho, nem recursos, nem qualquer outro bom ofício em matéria desse tipo.
[13] Se eu for convidado por causa do sacrifício e permanecer presente, serei participante da idolatria; se alguma outra causa me unir ao sacrificante, serei apenas espectador do sacrifício.

