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[1] Certamente nos empenharemos ainda mais em responder às desculpas de artífices desse tipo, os quais jamais deveriam ser admitidos na casa de Deus, se alguém tiver conhecimento dessa Disciplina.

[2] Para começar, aquela frase que costumam lançar-nos em rosto — “Não tenho outro meio de viver” — pode ser rebatida com maior severidade: “Tens, então, um meio de viver?”

[3] Se é segundo as tuas próprias leis, que tens tu a ver com Deus?

[4] Depois, quanto ao argumento que eles têm a audácia de trazer até mesmo das Escrituras, de que o apóstolo disse: “Como cada um foi encontrado, assim permaneça” — então todos nós poderíamos, por essa interpretação, permanecer em nossos pecados!

[5] Pois não há nenhum de nós que não tenha sido encontrado como pecador, já que nenhuma outra causa motivou a descida de Cristo senão a de libertar pecadores.

[6] Novamente, dizem que o mesmo apóstolo deixou um preceito, segundo o seu próprio exemplo: que cada um trabalhe com as próprias mãos para o seu sustento.

[7] Se esse preceito deve ser mantido com respeito a todas as mãos, creio então que até os ladrões de banhos públicos vivem de suas mãos, e os próprios salteadores obtêm o meio de vida por suas mãos.

[8] Os falsários, igualmente, executam suas más escrituras não com os pés, evidentemente, mas com as mãos.

[9] Os atores, porém, obtêm seu sustento não apenas com as mãos, mas com todos os seus membros.

[10] Portanto, que a Igreja permaneça aberta a todos os que se sustentam por suas mãos e por seu próprio trabalho, se não há exceção para as artes que a Disciplina de Deus não admite.

[11] Mas alguém dirá, em oposição à nossa afirmação de que a feitura de imagens é interditada: “Então por que Moisés, no deserto, fez uma figura de serpente em bronze?”

[12] Essas figuras, que serviam de fundamento para alguma dispensação futura e secreta, não tendo em vista a revogação da lei, mas como tipo de seu próprio fim último, pertencem a uma categoria à parte.

[13] De outro modo, se interpretarmos essas coisas como fazem os adversários da lei, acaso nós também, como os marcionitas, atribuiremos incoerência ao Todo-Poderoso, a quem eles assim destroem ao considerá-lo mutável, porque num lugar proíbe e noutro ordena?

[14] Mas, se alguém finge ignorar que aquela imagem da serpente de bronze, erguida à maneira de algo suspenso, indicava a forma da cruz do Senhor, a qual haveria de nos libertar das serpentes — isto é, dos anjos do diabo — enquanto, por si mesma, deixava o diabo morto pendurado; ou qualquer outra explicação dessa figura que tenha sido revelada a homens mais dignos, isso pouco importa, contanto que nos lembremos de que o apóstolo afirma que todas essas coisas aconteceram então ao povo de modo figurado.

[15] Basta-nos que o mesmo Deus que, pela lei, proibiu fazer imagem, também, pelo mandamento extraordinário no caso da serpente, tornou a restringir a imagem a uma situação excepcional.

[16] Se veneras o mesmo Deus, tens a lei dEle: “Não farás imagem.”

[17] E se também consideras o preceito que ordenou a imagem feita posteriormente, então faze também como Moisés: não faças imagem alguma em oposição à lei, a não ser que também a ti Deus o tenha ordenado.

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