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[1] Observamos também, entre as artes, algumas profissões sujeitas à acusação de idolatria.

[2] Dos astrólogos, nem mesmo deveria haver o que falar; mas, visto que nestes dias um deles nos desafiou, defendendo em seu próprio favor a permanência nessa profissão, direi algumas poucas palavras.

[3] Não alego que ele honre ídolos, ele que inscreveu seus nomes no céu e lhes atribuiu todo o poder de Deus; porque os homens, supondo que somos regidos pelo decreto imutável das estrelas, pensam por isso que Deus não deve ser buscado.

[4] Estabeleço uma proposição: aqueles anjos desertores de Deus, amantes de mulheres, foram também os descobridores dessa arte curiosa e, por essa razão, igualmente condenados por Deus.

[5] Ó sentença divina, que em seu vigor alcança até a terra, e à qual os que nada percebem acabam dando testemunho!

[6] Os astrólogos são expulsos tal como os seus anjos.

[7] A cidade e a Itália são interditadas aos astrólogos, assim como o céu o foi aos seus anjos.

[8] A mesma pena de exclusão recai sobre discípulos e mestres.

[9] Mas os magos e astrólogos vieram do Oriente.

[10] Sabemos da mútua aliança entre a magia e a astrologia.

[11] Assim, os intérpretes das estrelas foram os primeiros a anunciar o nascimento de Cristo, os primeiros a Lhe apresentar dons.

[12] Por esse vínculo, imagino eu, teriam eles colocado Cristo em dívida para com eles?

[13] E então?

[14] Deve, portanto, a religião desses magos servir agora também de patrona aos astrólogos?

[15] A astrologia, hoje em dia, porventura trata de Cristo; a ciência das estrelas seria de Cristo, e não de Saturno, de Marte e de quaisquer outros da mesma classe dos mortos, aos quais ela presta culto e proclama?

[16] Contudo, essa ciência foi permitida até o Evangelho, para que, depois do nascimento de Cristo, ninguém mais passasse a interpretar a natividade de pessoa alguma pelo céu.

[17] Pois eles ofereceram ao então infante Senhor incenso, mirra e ouro, para serem, por assim dizer, o encerramento do sacrifício e da glória mundanos, coisas que Cristo estava para abolir.

[18] Que dizer, então?

[19] O sonho — enviado, sem dúvida, pela vontade de Deus — sugeriu aos mesmos magos que voltassem para casa, mas por outro caminho, e não por aquele pelo qual vieram.

[20] Isso significa que não deveriam andar em sua antiga vereda.

[21] Não que Herodes não devesse persegui-los, já que, de fato, não os perseguiu; ignorando inclusive que haviam partido por outro caminho, pois também ignorava por qual caminho tinham vindo.

[22] Assim também devemos entender nisso o Caminho reto e a Disciplina.

[23] E assim, o preceito foi antes este: que dali em diante andassem de outra maneira.

[24] Do mesmo modo, aquela outra espécie de magia que opera por prodígios, rivalizando até mesmo em oposição a Moisés, pôs à prova a paciência de Deus até o Evangelho.

[25] Pois, desde então, Simão, o Mago, recém-convertido à fé, mas ainda preso em parte à sua seita de embustes — a ponto de pensar que, entre os prodígios de sua profissão, poderia até comprar o dom do Espírito Santo mediante a imposição das mãos — foi amaldiçoado pelos apóstolos e expulso da fé.

[26] Tanto ele quanto aquele outro mágico que estava com Sérgio Paulo, porque começou a opor-se aos mesmos apóstolos, foi punido com a perda da visão.

[27] Creio que os astrólogos também teriam encontrado a mesma sorte, se algum deles tivesse cruzado o caminho dos apóstolos.

[28] Mas, se a magia é punida, da qual a astrologia é uma espécie, então é claro que a espécie está condenada no gênero.

[29] Depois do Evangelho, em parte alguma você encontrará sofistas, caldeus, encantadores, adivinhos ou magos, senão claramente punidos.

[30] Onde está o sábio?

[31] Onde está o escriba?

[32] Onde está o questionador desta era?

[33] Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? 1 Coríntios 1:20

[34] Nada sabes, astrólogo, se não sabes que deves ser cristão.

[35] E, se soubesses disso, também deverias saber isto: que não deves ter mais nada a ver com essa tua profissão, a qual, por si mesma, já prediz os momentos críticos da vida dos outros e poderia instruir-te quanto ao seu próprio perigo.

[36] Não há parte nem sorte para ti nesse teu sistema.

[37] Não pode esperar o reino dos céus aquele cujo dedo ou vara profana o céu.

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