Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Martinho Lutero — “Os Artigos de Esmalcalda” / Schmalkaldische Artikel - é apresentado aqui como documento confessional e teológico da Reforma Protestante (séc. XVI), redigido no contexto das controvérsias doutrinárias entre reformadores e a Igreja de Roma, especialmente em preparação para debates conciliares. A obra expõe posições de Lutero sobre temas como justificação, pecado, sacramentos, papado, missa e autoridade da Igreja. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa, nem deve ser tratado como Escritura ou como norma doutrinária universal. Sua presença nesta biblioteca tem finalidade histórica, confessional e comparativa, ajudando a compreender a formação do luteranismo e suas disputas teológicas no século XVI, sem implicar canonização nem equiparação de autoridade às Escrituras reconhecidas por qualquer tradição cristã.
ATENÇÃO
O escrito de Martinho Lutero, conhecido como Os Artigos de Esmalcalda, deve ser lido com atenção crítica especial, pois é uma obra confessional, polêmica e reformadora, produzida em um contexto de forte tensão entre a Reforma Protestante, a autoridade papal, a teologia medieval e as disputas doutrinárias do século XVI.
Sua leitura exige cuidado porque o texto não é uma exposição neutra da fé cristã, mas uma formulação de confronto, defesa e delimitação doutrinária. Lutero trata temas centrais como Cristo, pecado, lei, evangelho, arrependimento, sacramentos, justificação, igreja e autoridade, frequentemente em tom direto e severo contra aquilo que ele entendia como abusos, desvios ou corrupções da igreja de seu tempo. Por isso, o texto deve ser avaliado com discernimento, distinguindo entre a denúncia reformadora, a formulação confessional luterana e o peso normativo da escritura.
Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, teológico, documental e crítico, especialmente para compreender a consolidação da identidade luterana, os conflitos da Reforma e a organização doutrinária que marcou parte do protestantismo posterior. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e filtro rigoroso, distinguindo entre confissão reformadora, polemização contra Roma, ênfase teológica luterana e aquilo que deve ser tomado como fundamento normativo da escritura.
Artigo III: Dos Cabidos e Mosteiros
[1] Os cabidos e mosteiros — isto é, os colégios de cônegos e as comunidades de vida comum — foram originalmente fundados por nossos antepassados com a boa intenção de educar homens instruídos e mulheres castas e honradas.[2] Eles deveriam voltar a ser utilizados para essa finalidade, a fim de que deles procedam pastores, pregadores e outros ministros das igrejas.[3] Também deveriam preparar outras pessoas necessárias e capacitadas para a administração do governo secular e para o serviço da sociedade nas cidades e nos territórios.[4] Da mesma maneira, deveriam formar jovens bem-educadas para serem mães e administradoras do lar, entre outras ocupações.[5] Caso não sirvam a essa finalidade, será melhor que sejam abandonados ou demolidos.[6] Isso é preferível a permitir que continuem existindo e que seus cultos blasfemos, inventados por seres humanos, sejam considerados superiores à vida cristã comum e aos ofícios e vocações estabelecidos por Deus.[7] Tudo isso também contradiz o primeiro e principal artigo referente à redenção realizada por meio de Jesus Cristo.[8] Acrescente-se que essas instituições e práticas, assim como todas as outras invenções humanas, não foram ordenadas por Deus.[9] Elas são desnecessárias e inúteis e, além disso, dão ocasião a trabalhos perigosos e inúteis, a perturbações prejudiciais e a formas de culto que não produzem fruto.[10] Os profetas denominam semelhantes práticas de Áven, isto é, dor, sofrimento e trabalho penoso.
