PARTE I — O semeador e os quatro terrenos
MATEUS 13:1
[PRECEITO]
Naquele dia [naquela mesma ocasião], Jesus, tendo saído [ao sair] da casa [de dentro da residência], sentava-se [estava sentado, permaneceu sentado] junto ao mar [à beira do mar, próximo à água]. [Na redação do Beza: Jesus saiu e sentou-se junto ao mar.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Naquele dia, Jesus, tendo saído da casa, estava sentado junto ao mar.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Naquele dia, Jesus, saindo da casa, sentava-se à beira do mar.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Naquele dia, Jesus saiu e sentou-se junto ao mar.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, naquele dia, Jesus, tendo saído da casa, estava sentado junto ao mar.
[VULGATA LATINA]
Naquele dia, Jesus, saindo da casa, sentava-se ao lado do mar.
[PESHITTA SIRÍACA]
Naquele dia, Jesus saiu da casa e sentou-se à beira do mar.
O Beza apresenta dois verbos finitos para sair e sentar, sem reproduzir a expressão “da casa” nesta passagem. O Vaticano emprega uma construção mais concisa, sem a preposição explícita “de” que aparece em outros testemunhos gregos.
MATEUS 13:2
[PRECEITO]
E reuniram-se [ajuntaram-se, congregaram-se] diante dele grandes multidões [muitas multidões], de modo que ele, tendo entrado [subido] em um barco [no barco, numa pequena embarcação], sentou-se; e toda a multidão permanecia [estava] de pé na praia [margem, faixa de areia].
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E muitas multidões reuniram-se junto dele, de modo que ele entrou numa embarcação e sentou-se; e toda a multidão permanecia em pé na praia.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E ajuntaram-se diante dele muitas multidões, a ponto de ele entrar no barco e sentar-se; e toda a multidão estava de pé na margem.
[VULGATA LATINA]
E reuniram-se junto dele numerosas multidões, de modo que, subindo a um pequeno barco, sentou-se; e toda a multidão permanecia na praia.
[PESHITTA SIRÍACA]
E grandes multidões reuniram-se perto dele, de modo que subiu a uma embarcação e nela se sentou; e toda a multidão permanecia de pé junto à margem do mar.
O texto crítico tem εἰς πλοῖον, “num barco”, enquanto o Texto Recebido explicita o artigo, “no barco”. A Vulgata emprega naviculam, forma que indica pequena embarcação. O grego αἰγιαλός designa a praia ou margem.
MATEUS 13:3
[PRECEITO]
E falou-lhes [disse-lhes, ensinou-lhes] muitas coisas em parábolas [comparações, narrativas figuradas], dizendo: Eis [vede, olhai], o semeador [aquele que semeia] saiu [partiu] para semear [lançar sementes].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E falou-lhes muitas coisas em parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu para semear.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E disse-lhes muitas coisas por meio de parábolas, dizendo: Olhai, aquele que semeia saiu para semear.
[VULGATA LATINA]
E falou-lhes muitas coisas em parábolas, dizendo: Eis que saiu aquele que semeia para semear.
[PESHITTA SIRÍACA]
E lhes ensinou muitas coisas por meio de parábolas e disse: Eis que saiu um semeador para lançar sementes.
Παραβολή designa uma comparação ou narrativa construída para expressar um ensinamento. O texto não identifica ainda o semeador; a explicação da parábola aparece nos versículos 18–23.
MATEUS 13:4
[PRECEITO]
E, enquanto ele semeava [no ato de semear], algumas sementes [parte do que era semeado] caíram à beira do caminho [junto à estrada, ao lado da passagem]; e, vindo [tendo chegado] as aves [pássaros], devoraram-nas [comeram-nas completamente].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E, enquanto ele semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e as aves, tendo chegado, devoraram-nas.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, durante a semeadura, algumas caíram junto ao caminho; e vieram as aves e as devoraram.
[VULGATA LATINA]
E, enquanto semeava, algumas caíram junto à estrada; vieram as aves do céu e as comeram.
[PESHITTA SIRÍACA]
Enquanto semeava, algumas sementes caíram junto ao caminho; vieram as aves e as devoraram.
A Vulgata explicita “aves do céu”. O verbo grego κατεσθίω pode transmitir a ideia de consumir ou devorar. “Sementes” é uma explicitação do referente presente na narrativa, não um substantivo repetido em todas as frases.
MATEUS 13:5
[PRECEITO]
Outras [outra porção das sementes], porém, caíram sobre terrenos pedregosos [lugares rochosos, solo com pedras], onde não havia muita terra [solo profundo]; e imediatamente [logo, sem demora] brotaram [germinaram, surgiram], porque não tinham profundidade de terra [camada suficiente de solo].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Outras caíram nos lugares pedregosos, onde não tinham muita terra, e imediatamente brotaram porque não possuíam profundidade de solo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Outras caíram sobre terreno rochoso, onde não havia muita terra, e logo germinaram, por não terem profundidade de solo.
[VULGATA LATINA]
Outras caíram em lugares pedregosos, onde não tinham muita terra, e imediatamente surgiram, porque não havia profundidade de solo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Outra parte caiu sobre as pedras, onde havia pouca terra, e imediatamente brotou, porque não existia profundidade de solo.
O texto distingue solo pedregoso de profundidade insuficiente de terra. A Peshitta, na tradução consultada, enfatiza a queda “sobre a rocha”. A frase não identifica uma variedade específica de cereal.
MATEUS 13:6
[PRECEITO]
Mas, tendo nascido [quando surgiu] o sol, foram queimadas [ressequidas pelo calor, crestadas]; e, por não terem raiz [enraizamento], secaram [murcharam, definharam].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas, quando surgiu o sol, foram crestadas pelo calor; e, por não terem raiz, secaram.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Tendo nascido o sol, foram queimadas pelo calor; e, porque não tinham raiz, murcharam.
[VULGATA LATINA]
Mas, quando o sol nasceu, foram queimadas pelo calor; e, por não possuírem raiz, secaram.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando o sol se levantou, foram queimadas; e, por não terem raiz, secaram.
Ἐκαυματίσθη expressa o efeito de calor intenso; ἐξηράνθη descreve o ressecamento. O texto narra dois acontecimentos ligados, mas não usa uma única palavra para ambos.
MATEUS 13:7
[PRECEITO]
Outras [outra parte das sementes] caíram entre os espinhos [plantas espinhosas, abrolhos]; e os espinhos cresceram [subiram, desenvolveram-se] e as sufocaram [estrangularam, impediram seu crescimento].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Outras caíram entre os espinhos, e os espinhos cresceram e as sufocaram.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Outras caíram entre espinhos, e estes cresceram e as sufocaram completamente.
[VULGATA LATINA]
Outras caíram entre os espinhos; e os espinhos cresceram e as sufocaram.
[PESHITTA SIRÍACA]
Outra porção caiu entre os espinhos; os espinhos brotaram e impediram seu crescimento [sufocaram-nas].
O Texto Recebido apresenta ἀπέπνιξαν, forma prefixada de sufocar, onde o SBLGNT utiliza ἔπνιξαν. É uma diferença verbal pequena, mas efetiva, e merece registro.
MATEUS 13:8
[PRECEITO]
Outras [outra parte das sementes], porém, caíram sobre a terra boa [solo fértil, solo de boa qualidade] e produziam [davam] fruto [resultado da colheita]: umas cem [cem por um, cem vezes], outras sessenta [sessenta por um], e outras trinta [trinta por um].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Outras caíram na terra boa e davam fruto, umas cem, outras sessenta e outras trinta.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Outras caíram em solo bom e produziam fruto: umas cem vezes, outras sessenta e outras trinta.
[VULGATA LATINA]
Outras caíram em terra boa e davam fruto: umas cem, outras sessenta e outras trinta.
[PESHITTA SIRÍACA]
Outra parte caiu em terra boa e produziu frutos: uma porção cem, outra sessenta e outra trinta.
Os numerais cem, sessenta e trinta são preservados nas versões. O texto grego não apresenta uma unidade monetária nem estabelece porcentagens; a leitura de rendimento agrícola é contextual.
MATEUS 13:9
[PRECEITO]
Aquele que tem ouvidos [quem possui ouvidos] [para ouvir] ouça [escute, preste atenção].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Quem tem ouvidos, ouça.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça.
[VULGATA LATINA]
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.
O SBLGNT apresenta a formulação breve, sem o infinitivo “para ouvir”; o Texto Recebido, a Vulgata e a Peshitta preservam a forma longa. Trata-se da mesma classe de diferença já examinada em Mateus 11:15.
PARTE II — Por que Jesus fala em parábolas
MATEUS 13:10
[PRECEITO]
E, aproximando-se [tendo vindo até ele], os discípulos [aprendizes] lhe disseram [perguntaram]: Por que [por qual motivo] lhes falas [ensinas, te diriges a eles] em parábolas [comparações, narrativas figuradas]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E os discípulos, aproximando-se, disseram-lhe: Por que lhes falas em parábolas?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, vindo até ele, os discípulos lhe disseram: Por qual motivo falas a eles por parábolas?
[VULGATA LATINA]
E os discípulos aproximaram-se e lhe disseram: Por que lhes falas em parábolas?
[PESHITTA SIRÍACA]
Seus discípulos aproximaram-se e lhe perguntaram: Por que falas às multidões por meio de comparações?
O verbo λαλεῖς significa “falas”; sua tradução por “ensinas” esclarece o contexto, mas não substitui o verbo específico “ensinar”, presente em outras passagens.
MATEUS 13:11
[PRECEITO]
Ele, porém, respondendo [em resposta], lhes disse: Porque a vós foi dado [concedido, permitido] conhecer [saber, compreender] os mistérios [segredos, realidades ocultas] do Reino [reinado, soberania] dos Céus; mas àqueles [a eles] não foi dado. [Na Peshitta: o mistério do Reino dos Céus.][TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele, porém, respondeu-lhes: Porque a vós foi concedido conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não foi concedido.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ele respondeu e lhes disse: Porque vos foi dado saber os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não foi dado.
[VULGATA LATINA]
Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus; mas a eles não foi dado.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ele respondeu-lhes: Porque a vós foi concedido conhecer o mistério do Reino dos Céus, mas a eles não foi concedido.
O grego apresenta μυστήρια, plural, “mistérios”; a tradução histórica da Peshitta consultada apresenta singular, “mistério”. Μυστήριον designa aquilo que é oculto e pode ser revelado, não necessariamente algo incompreensível por definição.
MATEUS 13:12
[PRECEITO]
Pois àquele que tem [possui], será dado [concedido] e terá abundância [lhe será acrescentado, terá em excesso]; mas daquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado [retirado, tomado].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Pois aquele que tem receberá, e terá abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Porque a quem tem será dado e terá em abundância; mas de quem não tem será tirado até o que possui.
[VULGATA LATINA]
Pois a quem tem será dado, e terá abundância; mas de quem não tem até aquilo que possui será retirado.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois àquele que possui será dado, e isso lhe será aumentado; mas daquele que não possui será retirado também aquilo que tem.
O versículo não nomeia explicitamente o objeto de “ter”. A ligação com a compreensão dos mistérios decorre do contexto imediato, mas não é necessário substituir “tem” por “tem conhecimento espiritual” dentro da tradução crua.
MATEUS 13:13
[PRECEITO]
Por isso [por essa razão], falo-lhes [dirijo-me a eles] em parábolas, porque [visto que] vendo [embora vejam], não veem [não percebem], e ouvindo [embora escutem], não ouvem [não escutam verdadeiramente], nem compreendem [entendem, juntam o sentido].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Por isso lhes falo em parábolas: porque, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Por essa razão lhes falo em parábolas, porque, vendo, não veem, e, ouvindo, não ouvem nem entendem.
[VULGATA LATINA]
Por isso lhes falo em parábolas, porque, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.
[PESHITTA SIRÍACA]
Por isso lhes falo em parábolas: pois veem e não percebem, ouvem e não escutam, nem compreendem.
O grego usa formas da família de ver, ouvir e compreender. Na sequência de Mateus, essa construção será relacionada explicitamente à profecia de Isaías. Não precisamos alterar “porque” para “a fim de que” sem registrar a diferença de interpretação causal e final.
MATEUS 13:14
[PRECEITO]
E neles [para eles, a respeito deles] se cumpre [se completa, se realiza] a profecia [declaração profética] de Isaías, que diz: Com a audição ouvireis [ouvindo, ouvireis] e de modo algum compreendereis [entendereis]; e vendo vereis [com os olhos, vereis], e de modo algum percebereis [enxergareis o sentido].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis e de modo algum compreendereis; e vendo, vereis e de modo algum percebereis.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E neles se realiza a profecia de Isaías, dizendo: Pela audição ouvireis, mas não entendereis; e vendo vereis, mas não percebereis.
[VULGATA LATINA]
E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis e não compreendereis; e vendo, vereis e não percebereis.
[PESHITTA SIRÍACA]
E neles se cumpre a profecia de Isaías, que disse: Ouvindo, ouvirão, mas não compreenderão; e vendo, verão, mas não conhecerão.
A passagem cita Isaías 6:9–10. A repetição “ouvindo ouvireis” corresponde a uma construção enfática de origem semítica representada em grego. A Peshitta, conforme a tradução consultada, utiliza formas em terceira pessoa na apresentação da profecia.
MATEUS 13:15
[PRECEITO]
Pois o coração [interior, centro do entendimento] deste povo tornou-se espesso [engrossou, ficou insensível, tornou-se endurecido]; com os ouvidos ouviram pesadamente [com dificuldade, sem prontidão], e fecharam [cerraram] seus olhos, para que não [a fim de que não; ou: para que não aconteça que] vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, compreendam [entendam] com o coração e se voltem [retornem, se convertam], e eu os cure [restaure, sare].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Pois o coração deste povo tornou-se espesso, e com os ouvidos ouviram pesadamente, e fecharam os seus olhos; para que não vejam, nem ouçam, nem compreendam e se voltem, e eu os cure.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Porque o coração deste povo se tornou insensível; ouviram com dificuldade e fecharam seus olhos, para que não vejam, ouçam, compreendam, se convertam e eu os cure.
[VULGATA LATINA]
Pois o coração deste povo se tornou espesso; com os ouvidos ouviram pesadamente e fecharam os seus olhos, para que não vejam, nem ouçam, nem compreendam com o coração, se voltem e eu os cure.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois o coração deste povo tornou-se pesado, e seus ouvidos ouviram com dificuldade, e seus olhos fecharam, para que não vejam, nem ouçam, nem compreendam com o coração, retornem e eu os cure.
Os verbos de ver, ouvir, compreender, voltar e curar aparecem articulados numa única citação profética. A expressão μήποτε pode indicar “para que não” ou “para que não aconteça que”. Não se deve apagar essa dificuldade simplesmente inserindo a conclusão de que Deus deseja impedir toda restauração, nem alterar a formulação antiga para resolver previamente a questão teológica.
MATEUS 13:16
[PRECEITO]
Mas bem-aventurados [felizes, ditosos] são os vossos olhos, porque veem [enxergam], e os vossos ouvidos, porque ouvem [escutam].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque escutam.
[VULGATA LATINA]
Mas felizes os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas bem-aventurados são vossos olhos, que veem, e vossos ouvidos, que escutam.
O adjetivo μακάριοι é o mesmo das bem-aventuranças de Mateus 5. Convém conservar “bem-aventurados” no texto principal, oferecendo “felizes” e “ditosos” como alternativas, para manter a consistência terminológica.
MATEUS 13:17
[PRECEITO]
Amém [em verdade], pois eu vos digo que muitos profetas [porta-vozes proféticos] e justos [retos] desejaram intensamente [anseiaram por] ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Amém, pois digo-vos: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Amém, digo-vos que muitos profetas e homens justos ansiaram ver aquilo que vedes e não viram, e ouvir aquilo que escutais e não ouviram.
[VULGATA LATINA]
Amém, pois digo-vos que muitos profetas e justos desejaram contemplar o que vedes e não viram, e ouvir o que ouvis e não ouviram.
[PESHITTA SIRÍACA]
Amém, digo-vos: muitos profetas e justos desejaram contemplar o que contemplais, mas não contemplaram; e ouvir o que ouvis, mas não ouviram.
Ἐπεθύμησαν expressa desejo intenso ou anseio. O texto menciona profetas e justos como grupos distintos, mas não estabelece que os primeiros não fossem justos ou que os segundos não pudessem transmitir sabedoria.
PARTE III — A explicação da parábola do semeador
MATEUS 13:18
[PRECEITO]
Vós, portanto [quanto a vós], ouvi [escutai, prestai atenção a] a parábola [comparação, narrativa figurada] daquele que semeou [do semeador, daquele que semeia; da semente, na formulação explicativa siríaca].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Vós, portanto, ouvi a parábola daquele que semeou.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Vós, pois, ouvi a parábola do semeador.
[VULGATA LATINA]
Vós, portanto, ouvi a parábola daquele que semeia.
[PESHITTA SIRÍACA]
Vós, portanto, prestai atenção à comparação da semente.
O SBLGNT usa o particípio σπείραντος, “daquele que semeou”; o Texto Recebido e a Vulgata apresentam a ideia do semeador de forma habitual. A tradução de Etheridge da Peshitta dá destaque à semente como tema da comparação.
MATEUS 13:19
[PRECEITO]
Quando alguém [toda pessoa que] ouve [escuta] a palavra [ensinamento, mensagem, discurso] do Reino [reinado, soberania] e não compreende [não entende, não reúne seu sentido], vem o mau [o maligno, aquele que pratica o mal] e arrebata [tira, leva à força] aquilo que foi semeado no seu coração [em seu interior]. Este é aquele que foi semeado à beira do caminho [junto à estrada].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Quando alguém ouve a palavra do Reino e não compreende, vem o maligno e arrebata o que foi semeado em seu coração; este é o que foi semeado junto ao caminho.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Todo aquele que escuta a palavra do Reino e não entende, vem o mau e toma o que foi semeado em seu coração; esse é aquele semeado à beira do caminho.
[VULGATA LATINA]
Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não compreende, vem o mau e arrebata o que foi semeado em seu coração; este é o que foi semeado junto à estrada.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando alguém ouve o ensinamento do Reino e não o compreende, vem o maligno e arrebata o ensinamento semeado em seu coração; este é aquele representado pela semente junto ao caminho.
O substantivo λόγος aparece como “palavra” no grego e no latim; a Peshitta, na tradução consultada, pode ser expressa como “ensinamento”. O verbo ἁρπάζω indica arrebatar ou tomar rapidamente. “O mau” preserva o adjetivo substantivado ὁ πονηρός, cuja identificação pessoal é favorecida pelo contexto, mas deve continuar visível como alternativa.
MATEUS 13:20
[PRECEITO]
Aquele, porém, que foi semeado sobre os terrenos pedregosos [lugares rochosos] é o que ouve [escuta] a palavra e imediatamente [logo] a recebe [acolhe] com alegria [contentamento, satisfação].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Aquele que foi semeado sobre os lugares pedregosos é quem ouve a palavra e imediatamente a recebe com alegria.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O que foi semeado em terreno rochoso é aquele que escuta a palavra e logo a acolhe com alegria.
[VULGATA LATINA]
Aquele que foi semeado sobre terreno pedregoso é quem escuta a palavra e imediatamente a recebe com alegria.
[PESHITTA SIRÍACA]
Aquele representado pela semente lançada sobre a rocha é quem escuta a palavra e a recebe prontamente, com alegria.
O texto mantém receber com alegria como ação positiva, distinguindo-a da dificuldade posterior, descrita no versículo seguinte.
MATEUS 13:21
[PRECEITO]
Mas não tem raiz [fundamento, enraizamento] em si mesmo, sendo temporário [de pouca duração, passageiro]; e, quando surge [acontece] aflição [tribulação, pressão, sofrimento] ou perseguição por causa da palavra [do ensinamento], imediatamente tropeça [cai, escandaliza-se, abandona o caminho].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas não possui raiz em si mesmo; é temporário. Quando surge tribulação ou perseguição por causa da palavra, imediatamente tropeça.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Não tem, porém, raiz em si mesmo, mas dura pouco tempo; vindo a aflição ou perseguição em razão da palavra, logo se escandaliza.
[VULGATA LATINA]
Mas não tem raiz em si, sendo passageiro; quando acontece tribulação ou perseguição por causa da palavra, imediatamente se escandaliza.
[PESHITTA SIRÍACA]
Não possui, porém, raiz dentro de si, mas permanece apenas por algum tempo; quando sobrevém sofrimento ou perseguição por causa do ensinamento, logo encontra motivo de tropeço.
O adjetivo πρόσκαιρος significa passageiro ou temporário. Σκανδαλίζεται relaciona-se a tropeço ou queda, como em Mateus 5:29–30 e 11:6. “Abandona o caminho” é uma possibilidade contextual mais explicativa, não uma tradução lexical imediata.
MATEUS 13:22
[PRECEITO]
E aquele que foi semeado entre os espinhos [plantas espinhosas] é quem ouve [escuta] a palavra; e a preocupação [inquietação, ansiedade] desta era [deste século, do mundo presente; da era, sem “desta”] e o engano [ilusão, sedução] da riqueza [das riquezas] sufocam [apertam, estrangulam] a palavra, e ela se torna infrutífera [sem fruto, improdutiva].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Aquele semeado entre os espinhos é quem ouve a palavra; a preocupação desta era e o engano da riqueza sufocam a palavra, e ela se torna infrutífera.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Quem foi semeado entre os espinhos é o que escuta a palavra; a inquietação deste mundo e o engano das riquezas sufocam a palavra, e ela fica sem fruto.
[VULGATA LATINA]
Aquele semeado entre os espinhos é quem ouve a palavra; a preocupação deste século e o engano das riquezas sufocam a palavra, e ela se torna infrutífera.
[PESHITTA SIRÍACA]
Aquele representado pelo terreno espinhoso é quem ouve a palavra, mas a preocupação deste mundo e as ilusões da riqueza sufocam a palavra dentro dele, e permanece sem frutos.
O grego possui αἰών, era/século, em vez de κόσμος, mundo. O termo “mundo” é uma possibilidade contextual e também aparece em formulações siríacas e latinas, sem exigir que o grego utilize ambos os substantivos. A presença de “desta” varia entre edições gregas.
MATEUS 13:23
[PRECEITO]
Mas aquele que foi semeado sobre a terra boa [solo fértil, de boa qualidade] é quem ouve [escuta] a palavra e compreende [entende, reúne seu sentido]; esse [ele próprio] produz fruto [frutifica] e faz [dá, produz]: um cem [cem por um], outro sessenta [sessenta por um], outro trinta [trinta por um].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Aquele semeado em terra boa é quem ouve a palavra e compreende; esse produz fruto: um cem, outro sessenta, outro trinta.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O que foi semeado sobre o solo bom é aquele que escuta a palavra e a entende; ele produz fruto, um cem, outro sessenta e outro trinta.
[VULGATA LATINA]
Aquele semeado em terra boa é quem ouve a palavra e compreende, produz fruto e faz: um cem, outro sessenta e outro trinta.
[PESHITTA SIRÍACA]
Aquele que foi semeado em solo bom é quem escuta meu ensinamento e compreende, dá fruto e produz: um cem, outro sessenta ou outro trinta.
A tradução de Etheridge da Peshitta registra “meu ensinamento”, enquanto o grego predominante apresenta “a palavra”. A repetição de cem, sessenta e trinta conclui a correspondência com 13:8.
PARTE IV — A parábola do joio e do trigo
MATEUS 13:24
[PRECEITO]
Outra parábola [comparação, narrativa figurada] lhes apresentou [propôs, expôs], dizendo: O Reino dos Céus foi comparado [tornou-se semelhante, assemelhou-se] a um homem que semeou [lançou] boa semente [semente de boa qualidade] em seu campo [terreno, área cultivada].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Outra parábola lhes apresentou, dizendo: O Reino dos Céus foi comparado a um homem que semeou boa semente em seu campo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou semente boa no seu terreno.
[VULGATA LATINA]
Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos Céus tornou-se semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Outra comparação lhes apresentou, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um homem que lançou boa semente em seu campo.
O grego ὡμοιώθη significa literalmente “foi assemelhado”. A comparação relaciona o Reino a toda a situação descrita, e não obriga a identificar o Reino exclusivamente com a pessoa do agricultor.
MATEUS 13:25
[PRECEITO]
Mas, enquanto os homens [as pessoas] dormiam, veio [chegou] o inimigo [adversário] dele e semeou por cima [semeou adicionalmente, espalhou] joio [zizânia, planta semelhante ao trigo, erva daninha] no meio do trigo [entre os grãos de trigo], e partiu [foi embora].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Enquanto os homens dormiam, veio seu inimigo, semeou joio entre o trigo e foi embora.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Enquanto as pessoas dormiam, veio o inimigo dele e espalhou joio no meio do trigo, e partiu.
[VULGATA LATINA]
Enquanto os homens dormiam, chegou o inimigo dele, semeou joio por cima do trigo e se retirou.
[PESHITTA SIRÍACA]
Enquanto as pessoas dormiam, veio seu adversário, semeou zizania no meio do trigo e foi embora.
O termo grego é ζιζάνια, associado a uma planta daninha que pode parecer trigo durante parte do crescimento. Sua identificação frequente com o joio (Lolium temulentum) é uma hipótese botânica contextual; o versículo não apresenta um nome científico. A Peshitta conserva uma denominação semítica aparentada.
MATEUS 13:26
[PRECEITO]
Quando, porém, a vegetação [erva, planta cultivada] brotou [cresceu] e produziu fruto [formou grãos], então apareceu [tornou-se visível] também o joio [zizânia].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas, quando a vegetação brotou e produziu fruto, então apareceu também o joio.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Quando a planta cresceu e deu fruto, o joio também se tornou visível.
[VULGATA LATINA]
Mas, quando a erva cresceu e produziu fruto, então apareceu também o joio.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando a planta brotou e produziu fruto, então também apareceu a zizânia.
O substantivo χόρτος pode designar erva ou vegetação. A revelação do joio acontece no desenvolvimento da plantação, antes da colheita.
MATEUS 13:27
[PRECEITO]
E, aproximando-se, os servos [escravos, trabalhadores] do dono da casa [senhor da propriedade, chefe da família] disseram-lhe: Senhor [meu senhor], acaso não semeaste boa semente [semente de qualidade] no teu campo? De onde [como, de que origem], então, veio o joio [a zizânia]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Os servos do dono da casa aproximaram-se e lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente em teu campo? De onde vem, então, o joio?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Chegaram os trabalhadores do senhor da casa e lhe disseram: Senhor, por acaso não lançaste boa semente no teu terreno? Por que há joio?
[VULGATA LATINA]
Os servos do pai de família aproximaram-se e disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente em teu campo? De onde veio, então, o joio?
[PESHITTA SIRÍACA]
Os trabalhadores do dono da casa vieram até ele e disseram: Nosso senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde surgiu a zizânia?
O grego δοῦλοι significa escravos ou servos; a linguagem da Peshitta, conforme traduzida por Etheridge, favorece trabalhadores. O termo οἰκοδεσπότης é o dono ou senhor da casa. O texto não define como exatamente o inimigo teve acesso ao terreno.
MATEUS 13:28
[PRECEITO]
Ele, porém, lhes disse: Um homem inimigo [um adversário, alguém hostil] fez isto. E os servos [trabalhadores] lhe dizem [disseram]: Queres [desejas, é tua vontade], portanto, que vamos [partamos] e recolhamos [arranquemos, juntemos] o joio [essas plantas]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele lhes disse: Um homem inimigo fez isto. E os servos lhe dizem: Queres, então, que vamos e recolhamos essas plantas?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ele respondeu-lhes: Um inimigo fez isto. Os servos lhe disseram: Queres que vamos e juntemos o joio?
[VULGATA LATINA]
E ele lhes disse: Um homem inimigo fez isto. Então os servos lhe perguntaram: Queres que vamos recolhê-lo?
[PESHITTA SIRÍACA]
Ele respondeu: Um adversário fez isto. Os trabalhadores lhe perguntaram: Queres que vamos e recolhamos a zizânia?
A expressão ἐχθρὸς ἄνθρωπος é literalmente “um homem inimigo”. Aqui, o agricultor identifica uma ação hostil; somente na explicação posterior Jesus associa o inimigo da parábola ao diabo. O verbo da pergunta é de recolher ou reunir, não necessariamente de destruir.
MATEUS 13:29
[PRECEITO]
Ele, porém, diz [respondeu]: Não, para que não [a fim de evitar que], ao recolherdes [arrancardes] o joio, desenraizeis [arranqueis pela raiz] juntamente com ele o trigo [as plantas de trigo].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ele diz: Não, para que, ao recolherdes o joio, não arranqueis juntamente com ele o trigo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ele respondeu: Não, para que não aconteça que, ao juntardes o joio, desenraizeis também o trigo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ele, porém, disse: Não, para que, reunindo o joio, não arranqueis com ele o trigo.
[VULGATA LATINA]
E respondeu: Não, para que, recolhendo o joio, não arranqueis ao mesmo tempo o trigo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas ele lhes respondeu: Não, para que, quando recolherdes a zizânia, não arranqueis também o trigo pela raiz.
O verbo ἐκριζόω significa arrancar pela raiz. O motivo expresso para impedir a remoção imediata é proteger o trigo. O Sinaítico e o Vaticano utilizam uma forma presente de “diz”, enquanto o Texto Recebido apresenta forma passada.
MATEUS 13:30
[PRECEITO]
Deixai [permiti] que ambos cresçam juntos [se desenvolvam lado a lado] até a colheita [ceifa, tempo de colher]; e, no tempo [momento oportuno] da colheita, direi aos ceifeiros [trabalhadores da colheita]: Recolhei [ajuntai] primeiro o joio e amarrai-o [atai-o] em feixes [molhos] para queimá-lo; mas o trigo, reuni-o [ajuntai-o, recolhei-o] no meu celeiro [armazém, depósito de grãos].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Permiti que ambos cresçam juntos até a colheita; no tempo da colheita direi aos ceifeiros: Recolhei primeiro o joio e amarrai-o em feixes para queimá-lo; mas reuni o trigo em meu celeiro.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Deixai que os dois cresçam juntos até a ceifa; e, no tempo da ceifa, direi aos trabalhadores: Recolhei primeiro o joio, amarrai-o em feixes para ser queimado e ajuntai o trigo em meu depósito.
[VULGATA LATINA]
Permiti que ambos cresçam até a colheita; no tempo da colheita direi aos ceifeiros: Reuni primeiro o joio, amarrai-o em feixes para queimá-lo; o trigo, porém, recolhei em meu celeiro.
[PESHITTA SIRÍACA]
Deixai que ambos cresçam juntos até a colheita; então direi aos ceifeiros: Recolhei primeiro a zizânia, amarrai-a em feixes para ser queimada, mas reuni o trigo nos meus celeiros.
A Peshitta, na tradução de Etheridge, apresenta “meus celeiros” no plural, enquanto o grego principal utiliza ἀποθήκην, singular, “meu celeiro”. O texto apresenta etapas distintas: crescimento conjunto, colheita, separação e destinação.
PARTE V — O grão de mostarda e o fermento
MATEUS 13:31
[PRECEITO]
Outra parábola [comparação] lhes apresentou [propôs], dizendo: O Reino dos Céus é semelhante [comparável] a um grão [semente] de mostarda [sinápi], que um homem tomou [pegou] e semeou [lançou] em seu campo [terreno].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Outra parábola lhes apresentou, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a uma semente de mostarda que um homem tomou e semeou em seu campo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Outra parábola lhes propôs, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante ao grão de mostarda que um homem pegou e semeou em seu terreno.
[VULGATA LATINA]
Propôs-lhes outra parábola: O Reino dos Céus é semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou em seu campo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Outra comparação lhes apresentou, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e plantou em seu campo.
Σίναπι designa a mostarda. A narrativa utiliza uma planta conhecida no contexto agrícola antigo; não identifica necessariamente uma espécie botânica única.
MATEUS 13:32
[PRECEITO]
Que é menor [a menor, muito pequena] dentre todas as sementes [as sementes consideradas], mas, quando cresce [se desenvolve], torna-se maior que as hortaliças [plantas de horta, ervas cultivadas] e se transforma [torna-se] em árvore [planta de porte arbóreo], de modo que as aves do céu [pássaros] vêm [chegam] e se abrigam [pousam, fazem morada, fazem ninhos] entre seus ramos [galhos].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ela é menor que todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se maior que as hortaliças e vira árvore, de modo que as aves do céu vêm e se abrigam em seus ramos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
É a menor de todas as sementes; quando cresce, porém, é maior que as plantas da horta e torna-se árvore, de maneira que os pássaros do céu vêm e fazem abrigo em seus galhos.
[VULGATA LATINA]
Ela é a menor de todas as sementes; mas, quando cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e vira árvore, de modo que as aves do céu vêm e habitam em seus ramos.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ela é menor que todas as demais sementes; mas, ao crescer, torna-se maior que todas as plantas da horta e vira árvore, de modo que as aves do céu vêm e constroem abrigos em seus galhos.
O adjetivo μικρότερον é comparativo, “menor”. A afirmação faz parte da comparação de Jesus, em contexto de sementes conhecidas; não funciona como uma classificação botânica universal de todas as plantas existentes. O verbo κατασκηνόω é estabelecer abrigo ou morada; “construir ninhos” é tradução contextual.
MATEUS 13:33
[PRECEITO]
Outra parábola [comparação] lhes falou [apresentou; propôs-lhes, dizendo]: O Reino dos Céus é semelhante ao fermento [levedura, massa fermentada], que uma mulher tomou [pegou] e escondeu [misturou no interior, incorporou] em três sata [três medidas antigas] de farinha, até que toda a massa [tudo] ficou fermentada [levedada].
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Outra parábola lhes falou: O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo fermentou.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Outra parábola lhes apresentou, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo ficou fermentado.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Outra parábola: O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que toda a massa fermentou.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Outra parábola lhes falou: O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo ficou levedado.
[VULGATA LATINA]
Falou-lhes outra parábola: O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo ficou fermentado.
[PESHITTA SIRÍACA]
Outra comparação lhes contou: O Reino dos Céus é semelhante à levedura que uma mulher tomou e escondeu em três sata de farinha, até que toda a massa estivesse fermentada.
O Vaticano apresenta “falou-lhes”; o Ephraemi, “apresentou-lhes, dizendo”. O Beza omite o verbo introdutório, conservando somente “outra parábola”. O saton era uma medida antiga de capacidade; não devemos convertê-la em um peso exato de farinha sem declarar as premissas dessa conversão.
PARTE VI — A palavra profética e a explicação do joio
MATEUS 13:34
[PRECEITO]
Todas estas coisas [tudo isso] Jesus falou [disse, comunicou] em parábolas [comparações, narrativas figuradas] às multidões; e sem parábola [sem comparação] nada lhes falava [não lhes dizia coisa alguma].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Jesus falou todas essas coisas em parábolas às multidões, e sem parábola nada lhes falava.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Todas estas coisas Jesus disse por meio de parábolas às multidões; e sem comparação não lhes falava.
[VULGATA LATINA]
Jesus falou todas essas coisas em parábolas às multidões; e sem parábolas não lhes falava.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus disse todas estas coisas às multidões em comparações, e sem comparação não lhes falava.
O imperfeito grego ἐλάλει pode ser traduzido por “falava”, indicando a maneira habitual de apresentar esses ensinamentos. A declaração pertence à situação narrativa descrita, não afirma que Jesus nunca tenha falado literalmente em nenhum outro momento.
MATEUS 13:35
Este é um dos pontos textuais mais importantes do capítulo, pois alguns testemunhos nomeiam Isaías, enquanto a citação provém do Salmo 78:2, tradicionalmente associado a Asafe.
[PRECEITO]
Para que se cumprisse [fosse completado, se realizasse] aquilo que foi dito por meio do profeta [por meio de Isaías, o profeta], dizendo: Abrirei minha boca em parábolas [comparações]; proclamarei [farei sair, declararei, proferirei] coisas escondidas [ocultas, encobertas] desde a fundação [o estabelecimento, o princípio; desde a fundação do mundo].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO]
Para que se cumprisse o que foi dito por meio de Isaías, o profeta, dizendo: Abrirei minha boca em parábolas; declararei coisas escondidas desde a fundação do mundo.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, CORREÇÃO]
Para que se cumprisse o que foi dito por meio do profeta, dizendo: Abrirei minha boca em parábolas; anunciarei coisas ocultas desde a fundação.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Para que se cumprisse aquilo que foi dito por meio do profeta: Abrirei minha boca em parábolas, proclamarei coisas escondidas desde a fundação.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Para que se cumprisse o que foi dito por meio do profeta: Abrirei minha boca em parábolas e declararei coisas escondidas desde a fundação do mundo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Para que se cumprisse o que foi dito por meio do profeta, dizendo: Abrirei minha boca em parábolas e proclamarei coisas escondidas desde a fundação do mundo.
[VULGATA LATINA]
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta: Abrirei minha boca em parábolas; proclamarei coisas escondidas desde a constituição do mundo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Abrirei minha boca em comparações e farei sair coisas escondidas desde antes da fundação do mundo.
Duas variantes independentes: a primeira mão do Sinaítico inclui “Isaías”, mas o Vaticano e numerosos outros testemunhos dizem apenas “o profeta”. Além disso, o Vaticano conserva “desde a fundação”, enquanto o Beza, o Texto Recebido e a Vulgata acrescentam “do mundo”. Jerônimo menciona uma leitura com Asafe, mas não dispomos hoje de um manuscrito grego conhecido que a preserve diretamente; portanto, não a apresento como uma tradução documental de códice existente. A fonte literária da citação é Salmo 78:2.
MATEUS 13:36
[PRECEITO]
Então, deixando [dispensando, despedindo] as multidões, ele [Jesus] entrou [veio] na casa [na sua casa]. E seus discípulos [aprendizes] se aproximaram, dizendo: Explica-nos claramente [esclarece-nos, torna compreensível; conta-nos] a parábola do joio [da zizânia] do campo.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Então, deixando as multidões, entrou na casa; e seus discípulos se aproximaram, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Então, tendo dispensado as multidões, entrou na casa, e seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: Esclarece-nos a comparação do joio do terreno.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Então Jesus, tendo deixado as multidões, veio à casa; e seus discípulos vieram até ele, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.
[VULGATA LATINA]
Então, tendo despedido as multidões, entrou na casa; e seus discípulos se aproximaram dele, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então Jesus despediu as multidões e entrou na casa; seus discípulos se aproximaram e lhe disseram: Expõe-nos a comparação da zizânia do campo.
O Sinaítico e o Vaticano não repetem o nome de Jesus nessa oração; a tradição bizantina e a Peshitta o explicitam. A expressão “sua casa” é outra variante minoritária, não uma conclusão obrigatória sobre a propriedade do imóvel. O verbo διασαφέω pede um esclarecimento detalhado.
PARTE VII — O significado do joio, do campo e da colheita
MATEUS 13:37
[PRECEITO]
Ele, porém, respondendo [em resposta], disse-lhes [disse]: Aquele que semeia [o semeador] a boa semente é o Filho do Homem [Filho do Ser Humano].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele, respondendo, disse: Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ele lhes respondeu: Quem lança a boa semente é o Filho do Homem.
[VULGATA LATINA]
Ele, respondendo, lhes disse: Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ele respondeu-lhes: Aquele que semeou a semente boa é o Filho do Homem.
Agora o próprio Jesus oferece uma identificação da figura do semeador, que não precisávamos acrescentar antecipadamente aos versículos 24–30. O grego utiliza particípio presente, enquanto a tradução siríaca consultada apresenta a ação como realizada.
MATEUS 13:38
[PRECEITO]
O campo [terreno cultivado] é o mundo [cosmos]; e a boa semente são estes [representa estes]: os filhos do Reino [aqueles pertencentes ao Reino]; mas o joio [zizânia] são os filhos do mau [do maligno, daquele que pratica o mal].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino, e o joio são os filhos do maligno.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O campo é o mundo; a semente boa são os filhos do Reino, mas o joio são os filhos do mau.
[VULGATA LATINA]
O campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio, porém, são os filhos do mau.
[PESHITTA SIRÍACA]
O campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino, e a zizânia representa os filhos do maligno.
Aqui o termo grego é κόσμος, “mundo/cosmos”, diferente de αἰών, “era”, que aparecerá no versículo seguinte. A construção “filhos de” identifica relação de pertença ou caracterização, mas não estabelece uma linhagem biológica dos seres humanos descritos.
MATEUS 13:39
[PRECEITO]
E o inimigo [adversário] que os semeou é o diabo [caluniador, acusador]; e a colheita [ceifa] é a consumação [conclusão, término, completamento] da era [do século, do tempo presente; do mundo, em formulações antigas]; e os ceifeiros [trabalhadores da colheita] são anjos [mensageiros].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
O inimigo que os semeou é o diabo; a colheita é a conclusão da era; e os ceifeiros são anjos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O adversário que semeou o joio é o diabo; a colheita é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.
[VULGATA LATINA]
O inimigo que os semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos.
[PESHITTA SIRÍACA]
O adversário que os semeou é Satanás; a colheita é a consumação deste mundo, e os ceifeiros são os anjos.
Três designações não devem ser confundidas: κόσμος em 13:38, mundo; αἰών em 13:39, era; e διάβολος, diabo/caluniador, que a Peshitta apresenta como Satanás. A relação entre essas designações pertence à interpretação, mas o aparato precisa preservar as palavras que cada tradição efetivamente utiliza.
MATEUS 13:40
[PRECEITO]
Portanto [assim como], da mesma maneira que o joio [zizânia] é recolhido [ajuntado] e queimado [consumido pelo fogo], assim será [acontecerá] na consumação [conclusão, completamento] da era [do século, do tempo].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Portanto, assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, assim será na conclusão da era.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Da mesma maneira que o joio é reunido e queimado pelo fogo, assim acontecerá na consumação do século.
[VULGATA LATINA]
Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, assim será na consumação do século.
[PESHITTA SIRÍACA]
Portanto, assim como a zizânia é recolhida e queimada no fogo, assim será na conclusão deste mundo.
O versículo estabelece uma relação comparativa entre a queima do joio e a conclusão da era. Não fornece composição física do fogo, duração do processo ou um mecanismo científico para o acontecimento.
MATEUS 13:41
[PRECEITO]
O Filho do Homem enviará [mandará] os seus anjos [mensageiros], e eles recolherão [ajuntarão, retirarão] do seu Reino todos os obstáculos [motivos de tropeço, causas de escândalo] e aqueles que praticam [fazem, realizam] a ausência de lei [iniquidade, transgressão da Lei].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
O Filho do Homem enviará seus anjos, e eles recolherão de seu Reino todas as causas de tropeço e os que praticam a ilegalidade.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O Filho do Homem enviará seus anjos, e eles retirarão do seu Reino tudo aquilo que causa escândalo e aqueles que fazem iniquidade.
[VULGATA LATINA]
O Filho do Homem enviará seus anjos, e eles recolherão do seu Reino todos os escândalos e aqueles que praticam a iniquidade.
[PESHITTA SIRÍACA]
O Filho do Homem enviará seus anjos, e eles recolherão do Reino todos aqueles que causam tropeço e todos os que praticam a iniquidade.
O grego distingue σκάνδαλα, coisas que causam tropeço, de τοὺς ποιοῦντας τὴν ἀνομίαν, pessoas que praticam ilegalidade. A Peshitta expressa as duas categorias de maneira mais pessoal, como pessoas que causam tropeço e praticam iniquidade. É importante não apagar a distinção gramatical do grego.
MATEUS 13:42
[PRECEITO]
E os lançarão [atirarão, colocarão] na fornalha [forno, lugar de fogo intenso] do fogo; ali [naquele lugar] haverá choro [pranto, lamentação] e ranger [rilhar] de dentes.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E os atirarão na fornalha do fogo; naquele lugar haverá pranto e ranger de dentes.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E os lançarão na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes.
[VULGATA LATINA]
E os lançarão na fornalha do fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
[PESHITTA SIRÍACA]
E os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.
Κάμινος designa forno ou fornalha. “Fornalha ardente” explica o contexto de fogo, mas o grego utiliza literalmente “fornalha do fogo”. O versículo não apresenta uma palavra equivalente a “eternamente”; qualquer conclusão sobre a duração do julgamento precisará considerar outras fontes e o conjunto da narrativa.
MATEUS 13:43
[PRECEITO]
Então os justos [retos, aqueles considerados justos] resplandecerão [brilharão intensamente, emitirão luz] como o sol, no Reino [reinado, soberania] de seu Pai [do Pai deles]. Aquele que tem ouvidos [para ouvir] ouça [escute, preste atenção].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Então os justos resplandecerão como o sol no Reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, escute.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Então os justos resplandecerão como o sol no Reino do Pai deles. Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
[VULGATA LATINA]
Então os justos resplandecerão como o sol no Reino do seu Pai. Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então os justos resplandecerão como o sol no Reino do Pai deles. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.
O Sinaítico e o Vaticano apresentam a formulação curta, sem “para ouvir”. O Beza e o Ephraemi conservam a forma longa. Além disso, o Beza emprega λάμψουσιν, “brilharão”, onde outros testemunhos têm ἐκλάμψουσιν, que sugere resplandecer ou brilhar intensamente.
PARTE VIII — O tesouro escondido e a pérola de grande valor
MATEUS 13:44
[PRECEITO]
[Novamente] o Reino dos Céus é semelhante [comparável] a um tesouro [reserva de coisas valiosas] escondido [oculto] num campo [terreno, propriedade rural; sem indicação explícita de “no campo” em uma leitura do Sinaítico], que um homem encontrou [descobriu] e escondeu [ocultou novamente]; e, por causa da sua alegria [movido pela alegria], vai [parte] e vende [se desfaz de] tudo o que tem [todos os seus bens] e compra [adquire] aquele campo.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido, que um homem encontrou e escondeu; e, por sua alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem encontrou e escondeu; por causa da alegria, vai, vende aquilo que tem e compra esse campo.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num terreno; um homem o encontrou, ocultou-o e, de alegria, foi, vendeu todos os seus bens e comprou aquele campo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo; um homem o encontrou e o escondeu, e, por sua alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo.
[VULGATA LATINA]
O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro oculto num campo; um homem o encontrou e o escondeu; por sua alegria, parte, vende tudo o que possui e compra aquele terreno.
[PESHITTA SIRÍACA]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo; um homem o encontrou e o ocultou, e, tomado pela alegria, foi, vendeu todos os seus bens e comprou aquele campo.
Na transcrição consultada, o Sinaítico omite a expressão “no campo” junto à primeira referência ao tesouro, embora preserve “aquele campo” no encerramento. Os testemunhos também variam quanto à presença de “novamente” e à ordem de “vende tudo o que possui”. A parábola descreve a descoberta e a compra; não explica diretamente a legalidade da posse do tesouro nem identifica uma norma de transação aplicável fora da narrativa.
MATEUS 13:45
[PRECEITO]
Novamente [mais uma vez], o Reino dos Céus é semelhante a um homem comerciante [negociante, mercador; a um comerciante] que procurava [buscava] pérolas belas [boas, finas, de qualidade].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a um comerciante que procurava pérolas belas.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a um mercador que buscava boas pérolas.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mais uma vez, o Reino dos Céus é semelhante a um homem comerciante que procurava pérolas de boa qualidade.
[VULGATA LATINA]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a um homem negociante que procurava boas pérolas.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mais uma vez, o Reino dos Céus é semelhante a um homem mercador que buscava pérolas valiosas [belas].
O Sinaítico em sua primeira mão e o Vaticano apresentam simplesmente “comerciante”; muitos outros testemunhos gregos acrescentam “homem”. O adjetivo καλούς corresponde a belas ou boas, podendo indicar qualidade. Não é ainda a palavra específica de grande preço do versículo seguinte.
MATEUS 13:46
[PRECEITO]
E, tendo encontrado [ao achar] uma única pérola de grande valor [preciosa, de preço elevado], partiu [foi embora] e vendeu [vendeu tudo, já havia vendido] tudo quanto possuía [todos os seus bens] e a comprou [adquiriu].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E, tendo encontrado uma pérola de grande valor, partiu, vendeu tudo o que possuía e a comprou.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O qual, ao encontrar uma pérola extremamente preciosa, foi, vendeu tudo quanto tinha e a adquiriu.
[VULGATA LATINA]
Tendo encontrado uma pérola preciosa, foi, vendeu tudo o que possuía e a comprou.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ao encontrar uma pérola de preço extraordinário, partiu, vendeu tudo o que tinha e comprou aquela pérola.
Πολύτιμος indica grande preço ou alto valor. O SBLGNT apresenta um perfeito relacionado à venda, πέπρακεν, enquanto outras redações utilizam formas que podem ser expressas como ação concluída. A parábola conserva uma pérola singular depois da procura por diversas pérolas em 13:45.
PARTE IX — A rede, a separação e a conclusão da era
MATEUS 13:47
[PRECEITO]
Novamente [mais uma vez], o Reino dos Céus é semelhante [comparável] a uma rede de arrasto [grande rede de pesca] lançada [atirada] ao mar, que reuniu [ajuntou, recolheu] de toda espécie [de toda variedade, de diferentes tipos].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a uma rede de arrasto lançada ao mar, que reuniu animais de toda espécie.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mais uma vez, o Reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, que recolheu de todos os tipos.
[VULGATA LATINA]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a uma grande rede lançada ao mar, que recolheu peixes de todas as espécies.
[PESHITTA SIRÍACA]
Novamente, o Reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar que reuniu de toda espécie.
O substantivo σαγήνη designa uma grande rede de pesca, especialmente de arrasto. O grego diz literalmente que recolheu “de toda espécie”, sem repetir “peixes” nessa oração; a Vulgata explicita os peixes.
MATEUS 13:48
[PRECEITO]
A qual [a rede], quando ficou cheia [quando se encheu], trouxeram [puxaram, arrastaram] para a praia [margem]; e, sentando-se, recolheram [separaram, selecionaram] os bons [os de boa qualidade] em recipientes [vasilhas, vasos, cestos], mas os deteriorados [ruins, estragados, impróprios] lançaram [jogaram] fora.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Quando a rede ficou cheia, trouxeram-na para a praia; sentaram-se e recolheram os bons em recipientes, mas os deteriorados lançaram fora.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Depois que se encheu, puxaram-na para a margem e, sentando-se, reuniram os bons em vasos, mas os ruins jogaram fora.
[VULGATA LATINA]
Quando a rede ficou cheia, puxaram-na para a praia e, sentando-se, escolheram os bons para os vasos; os maus, porém, lançaram fora.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando a rede estava cheia, puxaram-na para a margem, sentaram-se, separaram os bons e os colocaram em recipientes; os ruins lançaram fora.
O grego utiliza καλά, “bons”, e σαπρά, “deteriorados, estragados”. São adjetivos relacionados à qualidade, retomando o vocabulário de árvores e frutos de Mateus 7 e 12. É importante não substituí-los diretamente por categorias morais no momento em que Jesus ainda está contando a comparação da pesca.
MATEUS 13:49
[PRECEITO]
Assim [dessa maneira] será [acontecerá] na consumação [conclusão, término, completamento] da era [do século, do mundo, conforme formulação siríaca]: os anjos [mensageiros] sairão [virão para fora] e separarão [apartarão, distinguirão] os maus [perversos, injustos] do meio dos justos [retos].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Assim será na consumação da era: os anjos sairão e separarão os maus do meio dos justos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Assim acontecerá na conclusão do século: os anjos sairão e apartarão os perversos dentre os justos.
[VULGATA LATINA]
Assim será na consumação do século: os anjos sairão e separarão os maus do meio dos justos.
[PESHITTA SIRÍACA]
Assim acontecerá na consumação deste mundo: os anjos sairão e separarão os maus do meio dos justos.
O substantivo grego é novamente αἰών, era, não κόσμος. O verbo ἀφορίζω significa separar ou delimitar. Diferentemente do versículo 48, a explicação agora identifica explicitamente grupos humanos pela justiça e pela maldade.
MATEUS 13:50
[PRECEITO]
E os lançarão [atirarão] na fornalha [forno] do fogo; ali [naquele lugar] haverá choro [pranto] e ranger [rilhar] de dentes.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E os lançarão na fornalha do fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E os atirarão na fornalha de fogo; naquele lugar haverá pranto e ranger de dentes.
[VULGATA LATINA]
E os lançarão na fornalha do fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.
[PESHITTA SIRÍACA]
E os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
A redação corresponde substancialmente a Mateus 13:42. A repetição é parte da organização do capítulo: duas parábolas diferentes conduzem à mesma descrição final. Não se deve eliminar a repetição por parecer redundante.
PARTE X — O escriba instruído e o tesouro do novo e do antigo
MATEUS 13:51
[PRECEITO]
[Jesus lhes diz:] Compreendestes [entendestes, reunistes o sentido de] todas estas coisas [tudo isso]? Eles lhe dizem [responderam]: Sim [certamente] [, Senhor].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Compreendestes todas estas coisas? Eles lhe responderam: Sim.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Entendestes tudo isso? Disseram-lhe: Sim.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Compreendestes todas essas coisas? Eles lhe disseram: Sim.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Jesus lhes diz: Compreendestes todas estas coisas? Eles lhe responderam: Sim, Senhor.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jesus lhes diz: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe: Sim, Senhor.
[VULGATA LATINA]
Compreendestes todas estas coisas? Eles lhe disseram: Sim.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhes disse: Compreendestes todas essas coisas? Eles lhe responderam: Sim, nosso Senhor.
Duas variantes importantes: o Sinaítico, Vaticano e Beza não incluem “Jesus lhes diz” no início e apresentam simplesmente “Sim” na resposta. O Ephraemi e o Texto Recebido acrescentam o nome de Jesus e o vocativo “Senhor”; a Peshitta também preserva ambos. Os colchetes do [PRECEITO] permitem recuperar as redações sem reuni-las artificialmente num único testemunho.
MATEUS 13:52
[PRECEITO]
Ele, porém, lhes disse: Por isso [por essa razão, em consequência disso], todo escriba [especialista nas Escrituras, conhecedor da Lei] que se tornou discípulo [foi instruído, foi formado como aprendiz] do Reino [para o Reino, no Reino] dos Céus é semelhante a um homem dono de casa [chefe de família, senhor da residência], que tira [faz sair, retira] de seu tesouro [depósito, reserva de bens valiosos] coisas novas [recentes] e antigas [velhas, de tempos anteriores].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele lhes disse: Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante ao dono de uma casa que tira de seu tesouro coisas novas e antigas.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então lhes disse: Por essa razão, todo escriba instruído acerca do Reino dos Céus é semelhante a um homem dono de casa que retira de seu tesouro coisas novas e velhas.
[VULGATA LATINA]
Ele lhes disse: Portanto, todo escriba instruído no Reino dos Céus é semelhante a um homem chefe de família, que tira de seu tesouro coisas novas e antigas.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ele lhes disse: Por isso, todo escriba instruído no Reino dos Céus é semelhante a um homem senhor de casa, que faz sair de seus tesouros as coisas novas e as antigas.
O verbo μαθητεύω, aqui no particípio passivo μαθητευθείς, significa ser formado como discípulo ou aprendiz. Não é apenas “receber informações”. A expressão “novo e antigo” é explicitamente preservada por Jesus, sem que um elemento seja descartado por sua idade. Isso é significativo para a leitura integradora posterior, mas a tradução não deve presumir que Jesus esteja nomeando tradições específicas não mencionadas neste versículo.
PARTE XI — A terra de origem, os familiares e a incredulidade
MATEUS 13:53
[PRECEITO]
E aconteceu [sucedeu] que, quando Jesus terminou [concluiu, completou] estas parábolas [comparações, narrativas figuradas], partiu [retirou-se, mudou de lugar] dali.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E aconteceu que, quando Jesus terminou estas parábolas, partiu daquele lugar.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E sucedeu que, depois de Jesus concluir todas essas parábolas, retirou-se dali.
[VULGATA LATINA]
E aconteceu que, quando Jesus terminou aquelas parábolas, passou daquele lugar.
[PESHITTA SIRÍACA]
E, quando Jesus concluiu essas comparações, partiu dali.
O verbo μεταίρω expressa deslocar-se ou partir para outro lugar. O texto não nomeia o destino até o versículo seguinte.
MATEUS 13:54
[PRECEITO]
E, tendo chegado [ao chegar] à sua terra de origem [região natal, cidade de origem, pátria], ensinava-lhes [instruía-os] na sinagoga deles [nas sinagogas deles], de modo que ficaram espantados [admirados, impressionados] e diziam: De onde [de que origem] vêm a este homem esta sabedoria [entendimento sábio] e estes atos de poder [obras poderosas, milagres]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E, chegando à sua terra de origem, ensinava-os na sinagoga deles, de maneira que se admiravam e diziam: De onde lhe vêm esta sabedoria e estes atos de poder?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, tendo chegado à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de modo que estavam espantados e perguntavam: De onde vêm a este homem esta sabedoria e estas obras poderosas?
[VULGATA LATINA]
E, ao chegar à sua terra natal, ensinava-os nas sinagogas deles, a ponto de se admirarem e dizerem: De onde lhe vêm esta sabedoria e esses poderes?
[PESHITTA SIRÍACA]
E veio à sua cidade, e os ensinava nas sinagogas deles, de modo que ficaram admirados e diziam: De onde lhe vêm esta sabedoria e estes atos de poder?
O grego predominante emprega “na sinagoga”, singular; a Vulgata Clementina e a Peshitta consultada apresentam “nas sinagogas”, plural. O substantivo πατρίς designa a terra natal ou região de origem; a identificação específica com Nazaré depende da continuidade narrativa e de outras passagens, não de um nome escrito neste versículo.
MATEUS 13:55
Este versículo contém uma variante especialmente significativa: no lugar de José, o Códice Beza apresenta João entre os irmãos mencionados.
[PRECEITO]
Não é este [não é ele] o filho do téktōn [artesão, construtor, carpinteiro, trabalhador da madeira]? Não é sua mãe chamada Maria [Mariam]? E os irmãos [irmãos de família, parentes próximos, em interpretação contextual] dele não são Tiago [Jacó], José [Josés, Josi; João, na leitura do Beza], Simão e Judas [Judá]?
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Não é este o filho do artesão [carpinteiro]? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Não é este o filho do carpinteiro [artesão]? Não é sua mãe chamada Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Não é este o filho do artesão? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Não é este o filho do artesão? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, João, Simão e Judas?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, Josés, Simão e Judas?
[VULGATA LATINA]
Não é este o filho do artesão? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?
[PESHITTA SIRÍACA]
Não é este o filho do artesão? Não se chama sua mãe Mariam, e seus irmãos Jacó, Josi, Simão e Judá?
Variante de nome próprio: o Beza apresenta Ἰωάννης, João, onde o Sinaítico e o Vaticano têm Ἰωσήφ, José. A tradição do Texto Recebido também conhece a forma Josés. O grego τέκτων designa um artesão ou construtor, frequentemente associado à madeira, mas não necessariamente limitado à atividade de marcenaria. Ἀδελφοί significa “irmãos”; qualquer identificação mais específica de parentesco precisa ser investigada separadamente e não substituída silenciosamente.
MATEUS 13:56
[PRECEITO]
E as irmãs [irmãs de família, mulheres da mesma relação familiar] dele não estão todas conosco [junto de nós, entre nós]? De onde [de que origem], portanto, vêm a este homem todas essas coisas [tudo isso]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E suas irmãs não estão todas conosco? De onde, então, vêm a ele todas essas coisas?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E as irmãs dele não estão todas entre nós? De onde lhe vêm, portanto, todas essas coisas?
[VULGATA LATINA]
E suas irmãs não estão todas conosco? De onde, pois, vêm a este homem todas essas coisas?
[PESHITTA SIRÍACA]
E suas irmãs, todas elas, não estão conosco? De onde lhe vêm todas estas coisas?
A frase menciona irmãs no plural, mas não informa seu número nem seus nomes. Não seria fiel acrescentar duas, três ou qualquer quantidade específica à tradução do versículo.
MATEUS 13:57
[PRECEITO]
E tropeçavam por causa dele [escandalizavam-se nele, encontravam nele motivo de ofensa, sentiam-se ofendidos com ele]. Jesus, porém [ele, na leitura do Sinaítico], lhes disse: Um profeta [mensageiro profético] não fica sem honra [não é desprezado, não é desonrado], a não ser [exceto] em sua terra de origem [sua própria pátria, cidade natal] e em sua casa [seu lar, entre os de sua casa].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E encontravam nele motivo de tropeço. Ele lhes disse: Um profeta não fica sem honra, exceto em sua própria terra de origem e em sua casa.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E escandalizavam-se por causa dele. Jesus, porém, lhes disse: Um profeta não fica sem honra, exceto na terra de origem e em sua casa.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E tropeçavam por causa dele. Jesus lhes disse: Um profeta não é desonrado, exceto em sua terra de origem e em sua casa.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Um profeta não fica sem honra, exceto em sua pátria e em sua própria casa.
[VULGATA LATINA]
E escandalizavam-se por causa dele. Jesus, porém, lhes disse: Um profeta não fica sem honra, exceto em sua terra natal e em sua casa.
[PESHITTA SIRÍACA]
E encontravam nele motivo de ofensa. Jesus lhes disse: Um profeta não é desprezado, exceto em sua cidade e em sua própria casa.
O Sinaítico não repete o nome de Jesus nessa oração e emprega ἰδίᾳ πατρίδι, “sua própria terra de origem”. O Vaticano e o Beza apresentam πατρίδι, sem possessivo explícito nessa posição. O verbo σκανδαλίζω retoma o campo lexical de tropeço e escândalo já utilizado em Mateus 5, 11 e 13:21.
MATEUS 13:58
[PRECEITO]
E não realizou [não fez, não praticou] ali muitos atos de poder [obras poderosas, milagres], por causa da incredulidade [ausência de fé, falta de confiança] deles.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E não fez ali muitos atos poderosos por causa da incredulidade deles.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E não realizou ali muitos milagres [atos poderosos] em razão da falta de fé deles.
[VULGATA LATINA]
E não realizou naquele lugar muitas obras poderosas por causa da incredulidade deles.
[PESHITTA SIRÍACA]
E não fez muitos atos poderosos ali em razão da falta de fé deles.
O substantivo ἀπιστία significa incredulidade, ausência de fé ou falta de confiança. O texto diz “não realizou muitos”, e não “não realizou nenhum”, nem “não tinha poder para realizar”. É importante não introduzir no [PRECEITO] uma explicação causal diferente da que está expressamente escrita.

