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PARTE I — O Espírito conduz Jesus ao deserto


MATEUS 4:1
[PRECEITO]
Então [naquele momento, em seguida] Jesus foi conduzido [levado, guiado, conduzido para cima] pelo Espírito [Espírito de Deus, Espírito Santo, na formulação siríaca] ao deserto [região erma, lugar isolado], para ser tentado [posto à prova, experimentado, submetido a uma prova] pelo diabo [caluniador, acusador, adversário].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Então Jesus foi levado ao deserto pelo Espírito, para ser posto à prova pelo diabo.
[CÓDICE BEZA — GREGO]Então Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser tentado pelo diabo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então Jesus foi levado ao deserto pelo Espírito, para ser tentado pelo diabo.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Então Jesus foi conduzido ao deserto pelo Espírito, para ser tentado pelo diabo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então Jesus foi conduzido pelo Espírito de Santidade ao deserto, para ser tentado pelo Acusador [Caluniador].


O grego emprega ἀνάγω, conduzir ou levar para cima; πειράζω, tentar ou pôr à prova; e διάβολος, acusador/caluniador. A Peshitta explicita Espírito de Santidade e utiliza uma designação siríaca que Etheridge traduz como “Acusador”. O Sinaítico coloca “pelo Espírito” antes de “ao deserto”; o Vaticano e o Beza apresentam a ordem inversa. Isso não altera os agentes da narrativa: o Espírito conduz Jesus, enquanto o diabo é identificado como aquele que o tenta.

MATEUS 4:2
[PRECEITO]
E, tendo jejuado [abstendo-se de alimento, após jejuar] quarenta dias e quarenta noites, depois [ao final, posteriormente] teve fome [sentiu fome, ficou faminto].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, tendo jejuado durante quarenta dias e quarenta noites, depois sentiu fome.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E, quando havia jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.
[PESHITTA SIRÍACA]
E jejuou quarenta dias e quarenta noites; depois disso, sentiu fome.


Os números quarenta dias e quarenta noites são expressos no texto. Essa formulação evoca as experiências de Moisés em Êxodo 34:28 e de Elias em 1 Reis 19:8. A relação literária merece estudo, mas não constitui prova de que todos os detalhes dessas experiências tenham sido idênticos. O Evangelho não informa quais líquidos Jesus consumiu ou deixou de consumir. Jejuns extremos não devem ser reproduzidos como prática de saúde sem acompanhamento adequado.

MATEUS 4:3
[PRECEITO]
E, aproximando-se [tendo chegado; aproximando-se dele], o tentador [aquele que põe à prova, aquele que tenta] disse-lhe [falou-lhe; aproximou-se dele e lhe disse]: Se és [se tu és, caso sejas] Filho de Deus, diz [ordena, fala] para que estas pedras [as pedras aqui presentes] se tornem [venham a ser, sejam transformadas em] pães.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E o tentador, aproximando-se dele, disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E o tentador aproximou-se e lhe disse: Se és Filho de Deus, diz para que estas pedras se tornem pães.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E, tendo-se aproximado dele, o tentador disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E o tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, tendo-se aproximado dele, o tentador disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras sejam feitas pães.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E o tentador, aproximando-se, disse-lhe: Se és Filho de Deus, diz que estas pedras se tornem pães.
[PESHITTA SIRÍACA]
E aquele que tenta aproximou-se e lhe disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pão.


Diferença documental: o Vaticano apresenta “aproximando-se, o tentador disse-lhe”; o Ephraemi e o Texto Recebido acrescentam “dele” após “aproximando-se”. O Beza constrói a frase com dois verbos finitos: “aproximou-se dele e disse-lhe”. O plural grego ἄρτοι corresponde a “pães”, enquanto traduções da Peshitta podem apresentar o alimento como “pão” de maneira coletiva. A expressão “Se és Filho de Deus” deve permanecer como fala do tentador, sem ser apresentada como dúvida declarada do próprio narrador.

MATEUS 4:4
[PRECEITO]
Ele, porém [Jesus], respondendo, disse: Está escrito [encontra-se registrado nas Escrituras]: Não somente de pão [não apenas por meio de alimento] viverá o ser humano [o homem; o filho do homem, na tradução siríaca de Etheridge], mas de toda palavra [declaração, expressão, pronunciamento] que procede [sai, vem] da boca de Deus.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele respondeu: Está escrito: Não somente de pão viverá o ser humano, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ele respondeu: Está escrito: O homem não viverá apenas de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Ele, respondendo, disse: Está escrito: Não somente de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
[PESHITTA SIRÍACA — CONFORME ETHERIDGE]
Mas ele respondeu e disse: Está escrito que não somente de pão vive o filho do homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
[PESHITTA SIRÍACA — CONFORME MURDOCK]
Ele respondeu: Está escrito que o homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.


A citação procede de Deuteronômio 8:3. O grego apresenta ἄνθρωπος, ser humano ou homem; Etheridge traduz a expressão siríaca por “filho do homem”, enquanto Murdock prefere “homem”. Essas são duas traduções da tradição siríaca, não dois manuscritos distintos comprovados. O substantivo ῥῆμα designa palavra, declaração ou pronunciamento, e não é necessário substituí-lo por λόγος. Há também pequenas diferenças na presença do artigo diante de “homem” nas edições gregas.

PARTE II — O templo, as Escrituras e a recusa de colocar Deus à prova


MATEUS 4:5
[PRECEITO]
Então [em seguida] o diabo [acusador, caluniador] o toma [leva consigo, conduz] à cidade santa [cidade consagrada, Jerusalém] e o colocou [pôs, fez ficar de pé; coloca, na redação bizantina] sobre o pterýgion [extremidade elevada, saliência, beiral, parapeito, ponto alto] do Templo [complexo sagrado, recinto do Templo].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Então o diabo o leva à cidade santa e o colocou sobre a extremidade elevada do Templo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Então o diabo o conduz à cidade santa e o pôs sobre o ponto alto do recinto do Templo.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Então o diabo o leva à cidade santa e o fez ficar sobre o beiral do Templo.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Então o diabo o conduz à cidade santa e o coloca no ponto elevado do Templo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então o diabo o leva à cidade santa e o coloca sobre o pináculo do Templo.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Então o diabo o levou à cidade santa e o colocou sobre o pináculo do Templo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então o Acusador o conduziu à cidade santa e o fez permanecer sobre a extremidade elevada do Templo.


O Sinaítico, Vaticano e Beza apresentam ἔστησεν, “colocou”; a tradição bizantina e o Texto Recebido usam ἵστησιν, “coloca”, no presente narrativo. Πτερύγιον pode designar um ponto saliente ou elevado de uma construção. Não é possível identificar com precisão absoluta qual estrutura arquitetônica do Templo o evangelista tinha em mente.

MATEUS 4:6
[PRECEITO]
E lhe diz [diz-lhe, falou-lhe]: Se és Filho de Deus [se tu és o Filho de Deus], lança-te [atira-te, joga-te] para baixo [daqui para baixo, na leitura do Ephraemi], pois está escrito: Aos seus anjos [mensageiros celestiais] ele dará ordem [ordenará, incumbirá] a teu respeito [para te proteger, acerca de ti], e sobre as mãos [nas mãos, sustentando-te] te carregarão [levantarão, ampararão], para que não [a fim de evitar que] batas [tropeces, firas] teu pé contra uma pedra.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E lhe diz: Se és Filho de Deus, lança-te para baixo, pois está escrito: Ele dará ordem aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão sobre as mãos, para que não firas o pé numa pedra.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E lhe diz: Se és Filho de Deus, atira-te para baixo; pois está escrito que ele encarregará seus anjos de ti e eles te carregarão nas mãos, para que teu pé não tropece numa pedra.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E lhe diz: Se és Filho de Deus, lança-te daqui para baixo, pois está escrito: Ele dará ordem aos seus anjos acerca de ti, e nas mãos te sustentarão para que não tropeces contra uma pedra.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E lhe diz: Se és Filho de Deus, joga-te para baixo, porque está escrito que seus anjos receberão ordem a teu respeito; sobre as mãos te sustentarão, para que não firas teu pé numa pedra.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E lhe diz: Se és Filho de Deus, lança-te para baixo, porque está escrito: Aos seus anjos dará ordem a teu respeito e nas mãos te carregarão, para que não firas o pé numa pedra.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E disse-lhe: Se és Filho de Deus, lança-te para baixo, pois está escrito que ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e nas mãos te levantarão, para que não firas teu pé contra a pedra.
[PESHITTA SIRÍACA]
E lhe disse: Se és o Filho de Deus, lança-te para baixo, porque está escrito que ele ordenará aos seus anjos acerca de ti, e eles te carregarão nas mãos para que teu pé não bata em uma pedra.


A citação procede de Salmo 91:11–12, na numeração hebraica, correspondente ao Salmo 90 na tradição grega e latina. O Ephraemi acrescenta ἐντεῦθεν, “daqui”, à ordem de lançar-se. O texto do salmo possui expressões que não foram todas reproduzidas na fala do tentador, incluindo a referência a guardar a pessoa em seus caminhos. Isso mostra a importância de ler a citação no próprio contexto do salmo.

MATEUS 4:7
[PRECEITO]
Jesus lhe disse [respondeu, declarou]: Novamente [também, por outro lado] está escrito [encontra-se registrado]: Não colocarás à prova [não tentarás, não submeterás a teste; não testarás] o Senhor [Soberano], teu Deus.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Jesus lhe disse: Novamente está escrito: Não colocarás à prova o Senhor, teu Deus.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Jesus respondeu-lhe: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Jesus lhe disse: Novamente está escrito: Não submeterás à prova o Senhor, teu Deus.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Jesus lhe disse: Novamente está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jesus lhe disse: Também está escrito: Não colocarás à prova o Senhor, teu Deus.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Jesus lhe disse: Outra vez está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhe disse: Também está escrito: Não colocarás à prova o Senhor, teu Deus.


O texto remete a Deuteronômio 6:16. O Sinaítico, Vaticano e Texto Recebido apresentam ἐκπειράσεις, forma prefixada de “testar intensamente, pôr à prova”. O Beza utiliza πειράσεις, “tentar, testar”, sem o prefixo. Jesus responde a uma Escritura citada pelo tentador recorrendo a outra passagem das Escrituras. A questão não é negar o auxílio divino, mas recusar a proposta de provocar deliberadamente uma situação perigosa para exigir uma demonstração desse auxílio.

PARTE III — Os reinos do mundo, a adoração e o serviço exclusivo a Deus


MATEUS 4:8
[PRECEITO]
Novamente [outra vez], o diabo [acusador] o leva [toma consigo, conduz] a um monte [montanha] muito alto [extremamente elevado] e lhe mostra [faz ver; mostrou, na leitura do Beza] todos os reinos [domínios, soberanias, governos] do mundo [cosmos] e a glória [esplendor, prestígio, magnificência] deles.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Novamente o diabo o leva a uma montanha extremamente elevada e lhe mostra todos os reinos do mundo e sua glória.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Outra vez o diabo o conduz a um monte muito alto e lhe mostra todos os reinos do mundo e o esplendor deles.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Novamente o diabo o leva a uma montanha muito alta e lhe mostrou todos os reinos do mundo e sua glória.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Outra vez o diabo o leva a um monte extremamente alto e lhe mostra todos os reinos do mundo e a glória deles.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Novamente o diabo o levou a uma montanha muito alta e lhe mostrou todos os reinos do mundo e seu esplendor.
[PESHITTA SIRÍACA]
Novamente o Acusador o levou a uma montanha extremamente elevada e lhe mostrou todos os reinos do mundo e sua glória.


O Sinaítico e o Vaticano apresentam o verbo de mostrar no presente narrativo, δείκνυσιν; o Beza traz ἔδειξεν, “mostrou”. O substantivo κόσμος significa mundo ou ordem do mundo. O versículo não identifica uma montanha histórica específica nem explica o mecanismo pelo qual os reinos foram mostrados.

MATEUS 4:9
[PRECEITO]
E lhe disse [diz-lhe, em outras tradições]: Tudo isto [todas essas coisas, todos esses reinos e sua glória] te darei [entregarei, concederei a ti], se, tendo caído [prostrando-te, ajoelhando-te], me prestares reverência [te prostrares diante de mim, me adorares].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E lhe disse: Tudo isto te darei, se te prostrares e me adorares.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E disse-lhe: Todas essas coisas te darei, se, caindo diante de mim, me prestares reverência.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E lhe disse: Tudo isto te darei, se te prostrares diante de mim e me adorares.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E lhe diz: Todas essas coisas te darei, se te prostrares e me adorares.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E lhe diz: Tudo isso te darei, se, prostrando-te, me adorares.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E lhe disse: Tudo isto te darei, se, caindo diante de mim, me adorares.
[PESHITTA SIRÍACA]
E lhe disse: Todas estas coisas te darei, se caíres diante de mim e me prestares adoração.


O Sinaítico e o Vaticano apresentam εἶπεν, “disse”, enquanto a tradição bizantina utiliza λέγει, “diz”. Também varia a ordem de “te” e “todas”. O verbo προσκυνέω, aqui solicitado pelo diabo, tem um contexto diferente da reverência prestada a Jesus em outras passagens. A alegação de que pode entregar todos os reinos pertence à fala do tentador; o texto não a transforma automaticamente em declaração independente sobre a propriedade legítima do mundo.

MATEUS 4:10
[PRECEITO]
Então Jesus lhe diz [disse]: Vai-te [afasta-te, retira-te, parte], Satanás [Adversário; vai para trás de mim, Satanás, na leitura do Ephraemi e do Beza], pois está escrito: Ao Senhor [Soberano], teu Deus, adorarás [prestarás reverência e adoração], e somente a ele [unicamente a ele] servirás [prestarás culto, dedicarás serviço religioso].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Então Jesus lhe diz: Afasta-te, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e somente a ele servirás.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Então Jesus lhe diz: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, prestarás adoração, e somente a ele servirás.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Então Jesus lhe diz: Vai para trás de mim, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e somente a ele prestarás serviço.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Então Jesus lhe diz: Afasta-te para trás de mim, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e somente a ele servirás.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então Jesus lhe diz: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e somente a ele servirás.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Então Jesus lhe diz: Vai para trás de mim, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e somente a ele servirás.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Então Jesus lhe diz: Vai-te, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e somente a ele servirás.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então Jesus lhe disse: Afasta-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e somente a ele servirás.


Variante fundamental: o Sinaítico, Vaticano e Texto Recebido apresentam simplesmente ὕπαγε, Σατανᾶ, “Vai-te, Satanás”. O Ephraemi, o Beza e a tradição bizantina representada por Robinson–Pierpont acrescentam ὀπίσω μου, “para trás de mim”. A segunda formulação aproxima-se da linguagem de Mateus 16:23, mas não devemos inserir o acréscimo silenciosamente na leitura mais curta. A citação de Jesus retoma Deuteronômio 6:13, articulando adoração e serviço. O verbo λατρεύω designa serviço de natureza religiosa ou cultual.

MATEUS 4:11
[PRECEITO]
Então [naquele momento] o diabo [acusador, caluniador] o deixa [afasta-se dele, o abandona, retira-se]; e eis que anjos [mensageiros celestiais], tendo chegado [aproximando-se], o serviam [prestavam-lhe auxílio, ministravam a ele, cuidavam dele].
[PAPIRO 102 — GREGO, FRAGMENTÁRIO]
… anjos se aproximaram … dele. [Restam apenas fragmentos de palavras; não é possível recuperar toda a redação diretamente desse papiro.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Então o diabo o deixa, e eis que anjos se aproximaram e o serviam.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Então o diabo se afasta dele, e anjos chegaram e prestavam-lhe serviço.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Então o diabo o deixou, e eis que anjos vieram até ele e o serviam.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então o diabo se retira, e eis que anjos se aproximaram e o serviam.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Então o diabo o deixou, e eis que anjos se aproximaram e lhe prestavam serviço.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então o Acusador o deixou, e eis que os anjos se aproximaram e o serviam.


O verbo διακονέω, no imperfeito διηκόνουν, significa servir, prestar auxílio ou ministrar. É importante não inventar uma refeição, a quantidade de anjos ou um diálogo com eles: tais detalhes não são fornecidos por Mateus. O Papiro 102 preserva somente parte desta passagem e não pode ser utilizado para confirmar todas as palavras dos demais testemunhos.

PARTE IV — O início do ministério na Galileia


MATEUS 4:12
[PRECEITO]
Mas, tendo ouvido [ao saber, ao receber a notícia] que João [João Batista] havia sido entregue [posto sob custódia, preso, detido, entregue às autoridades], [Jesus] retirou-se [partiu, afastou-se] para a Galileia [região da Galileia].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ao ouvir que João havia sido entregue, retirou-se para a Galileia. [Sem o nome Jesus expresso nesta oração.][CÓDICE VATICANO — GREGO]
Mas, quando ouviu que João havia sido preso, partiu para a Galileia. [Sem repetir o nome Jesus.][CÓDICE BEZA — GREGO]
Ao saber que João havia sido entregue, retirou-se para a Galileia.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Jesus, tendo ouvido que João havia sido entregue, retirou-se para a Galileia.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas Jesus, ao receber a notícia de que João fora preso, retirou-se para a Galileia.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Mas, quando soube que João havia sido entregue, retirou-se para a Galileia.
[PESHITTA SIRÍACA — CONFORME MURDOCK]
Quando Jesus ouviu que João havia sido entregue, retirou-se para a Galileia.
[PESHITTA SIRÍACA — CONFORME ETHERIDGE]
Quando Jesus soube que João havia sido aperfeiçoado [na formulação de Etheridge], retirou-se para a Galileia.


O verbo grego παραδίδωμι, aqui παρεδόθη, significa “foi entregue”. Nesse contexto, a entrega está relacionada à detenção de João, desenvolvida em Mateus 14:3–12. O Sinaítico, Vaticano e Beza não repetem “Jesus” no início; o Ephraemi e a tradição bizantina incluem o nome. A Peshitta possui uma expressão que Murdock traduz como “foi entregue”; Etheridge optou pela interpretação incomum “foi aperfeiçoado”. Essa divergência entre tradutores não constitui, por si só, prova de dois acontecimentos distintos nem deve ser interpretada como afirmação de que João já havia morrido.

MATEUS 4:13
[PRECEITO]
E, tendo deixado [abandonado, partido de] Nazará [Nazaré, Nazaret, Nazareth, Natsrath], veio [chegou] e habitou [estabeleceu residência, passou a morar] em Cafarnaum [Capernaum, Kaphar-Nachum], situada junto ao mar [à beira da água, na margem do lago], nos territórios [limites, regiões, fronteiras] de Zebulom [Zabulon] e Naftali [Neftalim].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E, tendo deixado Nazaré, chegou e estabeleceu residência em Cafarnaum, junto ao mar, nos territórios de Zebulom e Naftali.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, tendo partido de Nazará, veio e passou a morar em Cafarnaum, à margem do mar, nas regiões de Zebulom e Naftali.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E, depois de deixar Nazareth, chegou e habitou em Capernaum, junto ao mar, nos territórios de Zebulom e Naftali.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E, tendo deixado Nazaré, chegou e estabeleceu residência em Cafarnaum, localizada à beira do mar, na região de Zebulom e Naftali.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, deixando Nazaret, chegou e habitou em Capernaum, junto ao mar, nos limites de Zebulom e Naftali.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E, tendo deixado a cidade de Nazaré, chegou e habitou em Cafarnaum, junto ao mar, nos territórios de Zebulom e Naftali.
[PESHITTA SIRÍACA]
E deixou Natsrath e veio morar em Kaphar-Nachum, à beira do mar, na região de Zebulom e Naftali.


Variantes geográficas: o Vaticano apresenta Ναζαρά, Nazará; o Sinaítico e o Ephraemi apresentam Ναζαρέθ, Nazaré/Nazareth; o Texto Recebido utiliza Ναζαρέτ. São diferentes formas antigas do topônimo. A Vulgata Clementina explicita “a cidade de Nazaré”, expressão que não se encontra da mesma maneira no grego crítico. Παραθαλάσσιος significa situado junto ao mar ou à margem; o mar referido é o da Galileia, também chamado lago de Genesaré.

MATEUS 4:14
[PRECEITO]
Para que [a fim de que] se cumprisse [fosse realizado, completado, chegasse ao cumprimento] aquilo que foi dito [declarado, pronunciado] por meio de Isaías, o profeta [porta-voz profético], dizendo:
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Para que se cumprisse o que foi dito por meio de Isaías, o profeta, dizendo:
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
A fim de que se realizasse aquilo que havia sido declarado por meio de Isaías, o profeta:
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Para que se cumprisse o que havia sido dito por meio de Isaías, o profeta que diz:
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Para que se cumprisse o que foi declarado por meio de Isaías, o profeta, dizendo:
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Para que se cumprisse aquilo que fora dito por meio do profeta Isaías:
[PESHITTA SIRÍACA]
Para que se cumprisse aquilo que fora dito por Isaías, o profeta:


O Beza possui um artigo adicional antes do particípio “dizendo”, tornando a construção equivalente a “o profeta que diz”. Os testemunhos concordam na identificação expressa de Isaías. A citação dos dois versículos seguintes retoma Isaías 8:23–9:1 na numeração hebraica, frequentemente referido como Isaías 9:1–2 em edições cristãs.

MATEUS 4:15
[PRECEITO]
Terra [território, região] de Zebulom [Zabulon] e terra de Naftali [Neftalim], caminho [estrada, rota, direção] do mar, além [do outro lado, através] do Jordão, Galileia das nações [dos povos, dos gentios, dos não judeus].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia das nações.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Terra de Zebulom e terra de Naftali, rota do mar, além do Jordão, Galileia dos povos.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Terra de Zebulom e de Naftali, caminho do mar, do outro lado do Jordão, Galileia das nações.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
Terra de Zebulom e Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia das nações. [Sem repetir “terra” antes de Naftali.][TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar além do Jordão, Galileia das nações.
[PESHITTA SIRÍACA]
Terra de Zebulom, terra de Naftali, caminho do mar além do Jordão, Galileia dos povos.


O Washingtoniano omite a segunda ocorrência de “terra”, enquanto os códices Sinaítico e Vaticano a preservam. O grego ἔθνη significa nações ou povos; dependendo do contexto judaico antigo, “gentios” expressa os demais povos. A frase reúne designações territoriais e deve ser interpretada considerando o contexto de Isaías, sem presumir que todas as expressões sejam necessariamente coordenadas de uma única localidade.

MATEUS 4:16
[PRECEITO]
O povo [a população, a comunidade] que estava sentado [permanecia, habitava, vivia] na escuridão [nas trevas, na obscuridade] viu [contemplou, enxergou] uma grande luz [luz intensa, luz extraordinária]; e sobre aqueles que estavam sentados [permaneciam, viviam] numa região [terra, território] e sombra da morte [sombra mortal, obscuridade da morte], uma luz surgiu [nasceu, raiou, resplandeceu] para eles.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
O povo que permanecia na escuridão viu uma grande luz; e para os que estavam na região e sombra da morte uma luz raiou.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
O povo que estava sentado nas trevas contemplou uma grande luz; e sobre aqueles que permaneciam numa região e sombra da morte surgiu uma luz.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
O povo que permanecia na escuridão viu uma grande luz, e aos que habitavam na região e sombra da morte uma luz surgiu.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
O povo que estava na escuridão viu [na redação transmitida: viram] uma grande luz; e aqueles que permaneciam na região da sombra da morte receberam o surgimento da luz.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
O povo que permanecia nas trevas viu uma grande luz; e aos que estavam na região e sombra da morte uma luz raiou.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O povo que estava sentado na escuridão viu uma grande luz, e sobre os que permaneciam na região e sombra da morte uma luz se levantou.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
O povo que permanecia nas trevas viu uma grande luz; e aos que estavam sentados na região da sombra da morte uma luz surgiu.
[PESHITTA SIRÍACA]
O povo que estava sentado na escuridão viu uma grande luz; e sobre aqueles que permaneciam na região e sombra da morte nasceu uma luz.


Variantes lexicais e verbais: Sinaítico e Vaticano apresentam σκοτίᾳ, escuridão; uma parte da tradição bizantina utiliza σκότει, outra forma grega para trevas. O Sinaítico e o Vaticano apresentam a ordem “luz viu”, enquanto a tradição bizantina apresenta “viu luz”. O Beza contém uma forma verbal plural, “viram”, embora o sujeito coletivo apareça como “o povo”. O verbo ἀνατέλλω, “nascer, surgir, raiar”, é utilizado para a luz que se manifesta. A leitura teológica identifica Jesus com essa luz no desenvolvimento da narrativa, mas o versículo permanece formalmente como uma citação profética.

MATEUS 4:17
[PRECEITO]
A partir de então [desde aquele momento, daquele tempo em diante], Jesus começou [passou a iniciar sua proclamação] a proclamar [pregar, anunciar publicamente] e dizer [declarar, ensinar]: Praticai metanoia [mudai vosso entendimento e orientação de vida, arrependei-vos, convertei-vos], pois [porque] o Reino [reinado, soberania] dos Céus aproximou-se [chegou perto, tornou-se próximo, está próximo].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
A partir de então Jesus começou a proclamar e dizer: Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus se aproximou.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Desde aquele momento Jesus começou a pregar: Mudai vosso entendimento e direção, porque o Reino dos Céus está próximo.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Pois, a partir daquele momento, Jesus começou a proclamar e a dizer: Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus se aproximou.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Daquela ocasião em diante Jesus começou a pregar e declarar: Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus chegou perto.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: Fazei penitência [arrependei-vos], porque o Reino dos Céus se aproximou.
[PESHITTA SIRÍACA]
Desde aquele tempo Jesus começou a proclamar e a dizer: Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo.


O Beza contém γάρ, “pois”, depois de “a partir de então”, ausente do Sinaítico, Vaticano e Texto Recebido. A declaração é essencialmente a mesma de João Batista em Mateus 3:2: μετανοεῖτε, “mudai vosso entendimento e orientação”, e ἤγγικεν ἡ βασιλεία τῶν οὐρανῶν, “o Reino dos Céus se aproximou”. A continuidade entre João e Jesus é expressa pelo próprio texto. A Vulgata usa poenitentiam agite, historicamente traduzido como praticar penitência; não devemos reduzir a mensagem do Evangelho a penitências exteriores sem considerar o sentido do verbo grego.

PARTE V — O chamado dos primeiros discípulos


MATEUS 4:18
[PRECEITO]
E, caminhando [andando, passando] junto ao mar [à margem do lago] da Galileia, [Jesus] viu [avistou, observou] dois irmãos: Simão [Shim’on], chamado [denominado, conhecido como] Pedro [Pétros, Pedra; Cefas, Kipha, na tradição siríaca], e André [Andreas], seu irmão, lançando [atirando, espalhando] uma rede de pesca [rede circular de lançamento, amphíblēstron] ao mar, pois eram pescadores.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E, caminhando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, lançando uma rede ao mar, porque eram pescadores.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, andando à margem do mar da Galileia, avistou dois irmãos: Simão, denominado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam uma rede de pesca ao mar, pois eram pescadores.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E, passando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, lançando uma rede ao mar, pois eram pescadores.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam uma rede ao mar, porque eram pescadores.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E Jesus, caminhando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, lançando uma rede ao mar, pois eram pescadores.
[PESHITTA SIRÍACA]
E, enquanto caminhava à margem do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Kipha [Cefas], e André, seu irmão, que lançavam suas redes ao mar, porque eram pescadores.


O Sinaítico e o Vaticano usam περιπατῶν, “caminhando”; o Beza apresenta παράγων, “passando”. O Texto Recebido e a Vulgata explicitam “Jesus” no início, ausente do SBLGNT. O grego ἀμφίβληστρον designa um tipo de rede lançada à água; a Peshitta descreve o equipamento no plural na tradução consultada. O nome semítico Kipha preservado na Peshitta é particularmente importante para compreender a tradição do nome Pedro, mas o significado lexical não deve substituir o nome próprio dentro da tradução principal.

MATEUS 4:19
[PRECEITO]
E lhes diz [disse-lhes, falou-lhes]: Vinde após mim [vinde atrás de mim, segui-me, tornai-vos meus seguidores], e eu vos farei [formarei, prepararei, transformarei em; farei com que vos torneis] pescadores de seres humanos [pescadores de pessoas, pescadores de homens].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E lhes diz: Vinde após mim, e farei com que vos torneis pescadores de pessoas.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E lhes diz: Segui-me, e eu vos farei pescadores de seres humanos.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E lhes diz: Vinde atrás de mim, e farei com que vos torneis pescadores de pessoas.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E lhes diz: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E lhes disse: Vinde depois de mim, e farei com que vos torneis pescadores de homens.
[PESHITTA SIRÍACA]
E Jesus lhes disse: Vinde após mim, e farei com que vos torneis pescadores de pessoas.


Variante importante: o Sinaítico e o Beza apresentam γενέσθαι, “tornar-se”, formando a construção “farei que vos torneis”; o Vaticano e o Texto Recebido possuem a forma mais curta “farei de vós pescadores”. A Vulgata e a Peshitta também expressam a ideia de tornar-se. Ἁλιεῖς ἀνθρώπων significa literalmente pescadores de seres humanos. A metáfora descreve a missão dos discípulos, não uma autorização para capturar, coagir ou controlar pessoas.

MATEUS 4:20
[PRECEITO]
Eles, porém, imediatamente [logo, sem demora, prontamente], tendo deixado [largado, abandonado, soltado] as redes [suas redes, na leitura do Washingtoniano e de outros testemunhos], seguiram-no [foram atrás dele, tornaram-se seus seguidores].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E eles, imediatamente, deixando as redes, seguiram-no.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Eles, porém, prontamente deixaram as redes e foram atrás dele.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Eles imediatamente largaram as redes e o seguiram.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
E eles, imediatamente, deixando suas redes, seguiram-no.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E eles, sem demora, deixaram as redes e o seguiram.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E eles, imediatamente, abandonando as redes, seguiram-no.
[PESHITTA SIRÍACA]
E imediatamente deixaram suas redes e foram após ele.


O Washingtoniano apresenta τὰ δίκτυα αὐτῶν, “suas redes”, enquanto o Sinaítico, Vaticano e Texto Recebido possuem τὰ δίκτυα, simplesmente “as redes”. O verbo ἀφίημι pode significar deixar, soltar ou abandonar. O versículo descreve a resposta imediata dos dois irmãos; não informa que eles tenham destruído seus instrumentos de trabalho.

MATEUS 4:21
[PRECEITO]E, avançando [seguindo adiante, passando; avançando um pouco mais, na leitura do Sangallensis] dali, viu outros dois irmãos, Tiago [Jacó], filho de Zebedeu [Zabdai], e João [Yohanan], seu irmão, no barco [na embarcação], com Zebedeu, pai deles, consertando [reparando, preparando, ajustando, organizando] suas redes; e os chamou [convocou, convidou a segui-lo].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E, avançando dali, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, no barco com Zebedeu, pai deles, reparando suas redes; e os chamou.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Seguindo adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, na embarcação com seu pai Zebedeu, preparando as redes; e os chamou.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E, passando dali, encontrou outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, no barco com o pai, consertando suas redes; e os chamou.
[CÓDICE SANGALLENSIS 48 — GREGO]
E, avançando um pouco mais dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, no barco com o pai deles, consertando as redes; e os chamou.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, indo mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, no barco com Zebedeu, seu pai, preparando suas redes; e os chamou.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E, avançando dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, na embarcação com Zebedeu, pai deles, consertando suas redes; e os chamou.
[PESHITTA SIRÍACA]
E, tendo passado daquele lugar, viu outros dois irmãos, Jacó, filho de Zabdai, e Yohanan, seu irmão, num barco com Zabdai, pai deles, reparando suas redes; e Jesus os chamou.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
Este versículo não aparece na sequência preservada do códice, por uma omissão textual que também abrange 4:22.


O verbo καταρτίζω significa ajustar, preparar, reparar ou colocar em condição adequada. O Sangallensis acrescenta ὀλίγον, “um pouco”, à indicação de avanço. Um caso textual maior aparece no Washingtoniano e no minúsculo 33, que omitem o relato de 4:21–22. No Washingtoniano, a omissão é explicável por paráblepse, salto de cópia entre trechos semelhantes, e não demonstra que Tiago e João tenham sido excluídos de uma tradição histórica independente.

MATEUS 4:22
[PRECEITO]
Eles, porém, imediatamente [logo, prontamente], tendo deixado [largado, abandonado] o barco [sua embarcação] e o pai deles [seu pai], seguiram-no [foram atrás dele].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E eles, imediatamente, deixaram o barco e o pai deles e o seguiram.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E eles, prontamente, abandonaram a embarcação e o pai deles e foram atrás dele.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E eles imediatamente deixaram o barco e seu pai e o seguiram.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E eles, sem demora, deixaram o barco e o pai deles e o seguiram.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Eles, porém, imediatamente, tendo deixado o barco e o pai, seguiram-no.
[PESHITTA SIRÍACA]
E imediatamente deixaram a embarcação e seu pai e seguiram após Jesus.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
O versículo está ausente juntamente com 4:21 na sequência transmitida desse códice.


O Sinaítico e o Vaticano preservam “o barco e o pai deles”. A declaração registra uma decisão concreta dos discípulos, mas não informa que eles deixaram de amar o pai ou que romperam definitivamente todas as relações familiares. O minúsculo 33 também omite a passagem na transcrição consultada. A leitura espiritual do discipulado não autoriza concluir que abandonar responsabilidades familiares seja uma regra universal para todos os seguidores de Jesus.

PARTE VI — O ensinamento, a proclamação do Reino e a restauração dos enfermos


MATEUS 4:23
[PRECEITO]
E [Jesus] percorria [andava por, viajava através de, passava por] toda a Galileia [por toda a região da Galileia; pela Galileia, ensinando-os, na redação do Sinaítico], ensinando [instruindo, transmitindo ensinamentos] nas sinagogas [assembleias, locais de reunião] deles e proclamando [anunciando publicamente, pregando] o Evangelho [boa notícia, boa mensagem, anúncio jubiloso] do Reino [reinado, soberania dos Céus], e curando [tratando, restaurando] toda doença [enfermidade, moléstia] e toda debilidade [fraqueza física, indisposição, enfermidade debilitante] entre o povo.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E Jesus percorria a Galileia, ensinando-os nas sinagogas deles e proclamando a boa notícia do Reino, e curando toda enfermidade e toda debilidade entre o povo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles e proclamando o Evangelho do Reino, e curando toda doença e toda debilidade entre o povo.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, proclamando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e toda fraqueza entre o povo.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, anunciando a boa notícia do Reino e curando toda doença e toda debilidade entre o povo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e toda fraqueza entre o povo.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando o Evangelho do Reino e curando toda doença e enfermidade entre o povo.
[PESHITTA SIRÍACA]
E Jesus percorria toda a Galileia, ensinando em suas assembleias, proclamando a notícia do Reino e curando toda doença e sofrimento entre o povo.


Diferenças documentais: o Vaticano apresenta “percorria toda a Galileia” sem repetir o nome de Jesus; o Ephraemi e a tradição bizantina acrescentam o nome. O Sinaítico apresenta uma construção particular: “Jesus percorria a Galileia, ensinando-os”. O texto distingue νόσος, doença ou moléstia, de μαλακία, fraqueza ou debilidade. São palavras distintas, e a segunda não deve ser confundida com outros usos de vocábulos de raiz semelhante. O substantivo εὐαγγέλιον significa boa notícia ou boa mensagem.

MATEUS 4:24
[PRECEITO]
E a notícia [fama, relato, aquilo que se ouvia] a respeito dele espalhou-se [saiu, chegou] por toda a Síria; e levaram [trouxeram, apresentaram] até ele todos os que estavam mal [doentes, debilitados, sofrendo], acometidos [oprimidos, afligidos] por doenças variadas [diferentes enfermidades] e tormentos [dores intensas, sofrimentos], pessoas descritas como endemoninhadas [sob ação demoníaca], selēniazómenoi [aqueles chamados lunáticos, afetados pela lua na designação antiga, pessoas com crises associadas à lua] e paralíticos [pessoas com paralisia]; e ele os curou [tratou, restabeleceu; curou todos eles, na redação do Beza].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E sua fama saiu por toda a Síria; trouxeram-lhe todos os que estavam enfermos, acometidos por doenças variadas e tormentos, os endemoninhados, os chamados lunáticos e os paralíticos; e ele os curou.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E a notícia a respeito dele chegou a toda a Síria, e levaram-lhe todos os que estavam doentes, sofrendo de várias enfermidades e dores, os endemoninhados, os chamados lunáticos e os paralíticos; e ele os curou.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E a notícia sobre ele se espalhou por toda a Síria; trouxeram-lhe todos os que estavam mal, afligidos por diversas doenças e tormentos, endemoninhados, os chamados lunáticos e paralíticos; e ele os curou.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E a notícia a respeito dele chegou a toda a Síria; trouxeram-lhe todos os que sofriam de diversas doenças e tormentos, endemoninhados, os chamados lunáticos e paralíticos; e ele curou a todos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E sua fama se espalhou por toda a Síria; trouxeram-lhe todos os enfermos, acometidos por doenças e sofrimentos variados, endemoninhados, lunáticos e paralíticos; e ele os curou.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E sua fama chegou a toda a Síria; apresentaram-lhe todos os que estavam mal, acometidos por diferentes doenças e tormentos, os que tinham demônios, os lunáticos e os paralíticos; e ele os curou.
[PESHITTA SIRÍACA]
E a fama dele foi ouvida em toda a Síria; trouxeram-lhe todos os gravemente enfermos, os atingidos por doenças diversas, os oprimidos por dores intensas, os endemoninhados, os lunáticos e os paralíticos; e ele os curou.


O Sinaítico utiliza uma forma equivalente a “saiu a notícia”, enquanto o Vaticano apresenta “a notícia se espalhou/partiu”. O Beza encerra com “curou a todos”, explicitando “todos” após o verbo. Há pequenas diferenças nas conjunções que ligam as categorias de enfermos. A palavra grega σεληνιάζομαι deriva de σελήνη, lua, e reflete uma denominação antiga de determinados sofrimentos ou crises; não permite estabelecer retrospectivamente um diagnóstico médico preciso para cada pessoa. Da mesma forma, o texto registra a classificação religiosa de pessoas como endemoninhadas, mas não fornece critérios clínicos de diagnóstico.

MATEUS 4:25
[PRECEITO]
E grandes multidões [numerosos grupos de pessoas, muitas pessoas reunidas] o seguiram [foram atrás dele, acompanharam-no], vindas da Galileia, da Decápole [região das Dez Cidades], de Jerusalém, da Judeia e das regiões além [do outro lado] do Jordão.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E grandes multidões o seguiram, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E muitas multidões o acompanhavam, provenientes da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e do outro lado do Jordão.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E grandes multidões foram atrás dele, desde a Galileia e a Decápole, de Jerusalém e da Judeia, e de além do Jordão.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E numerosas multidões o seguiram, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E grandes multidões o seguiram, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e das terras além do Jordão.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E numerosas multidões o acompanharam, procedentes da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e do outro lado do Jordão.
[PESHITTA SIRÍACA]
E grandes grupos de pessoas foram atrás dele, vindos da Galileia, das Dez Cidades, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.


Δεκάπολις significa literalmente Dez Cidades, designação de uma região formada por centros urbanos helenizados. O grego πέραν τοῦ Ἰορδάνου indica além ou do outro lado do Jordão. O versículo encerra o capítulo com uma apresentação geográfica da extensão das multidões. Essas regiões não devem ser reduzidas a uma única localidade. Os principais testemunhos confrontados conservam substancialmente a mesma lista.

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