PARTE I — Julgamento, medida e o olho do irmão
MATEUS 7:1
[PRECEITO]
Não julgueis [não pronuncieis julgamento, não condeneis], para que não sejais julgados [submetidos a julgamento].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Não julgueis, para que não sejais julgados.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Não julgueis [não emenciais juízo], a fim de que não sejais julgados.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Não julgueis, para que não sejais julgados.
[VULGATA LATINA]
Não julgueis, a fim de que não sejais julgados.
[PESHITTA SIRÍACA]
Não julgueis [não façais julgamento], para que não sejais julgados.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Não julgueis, para que não sejais julgados.
O grego emprega κρίνετε, imperativo presente, e κριθῆτε, aoristo subjuntivo passivo. “Condenar” é um sentido contextual mais restrito do que o verbo geral “julgar”. Não há indicação textual de que todos os atos de discernimento sejam denominados condenação.
MATEUS 7:2
[PRECEITO]
Pois, com o julgamento [juízo, critério] com que julgais, sereis julgados; e com a medida [padrão de medição] com que medis [aval iais, mensurais], será medido para vós [vos será retribuído na mesma medida].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Pois, com o julgamento com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis, vos será medido.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Porque, pelo juízo com que julgais, sereis julgados; e, pela medida com que medis, será medido para vós.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Pois, com o julgamento com que julgais, sereis julgados; e, com a medida com que medis, vos medirão [será medido para vós].
[VULGATA LATINA]
Pois, com o julgamento com que tiverdes julgado, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido, será novamente medido para vós.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois, com o julgamento com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis, será medido para vós.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Com o julgamento com que julgais, sereis julgados; e na medida em que medis, será medido para vós.
O grego mantém duas famílias verbais distintas: krínō, julgar, e metréō, medir. A Vulgata apresenta formas verbais latinas compostas em construções que podem ser traduzidas como “tiverdes julgado” e “tiverdes medido”.
MATEUS 7:3
[PRECEITO]
Mas por que vês [observas, enxergas] o cisco [fragmento de palha, pequena lasca] que está no olho de teu irmão, e não percebes [não consideras, não reparas] a viga [trave de madeira] que está em teu próprio olho?
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Mas por que vês o pequeno fragmento [cisco] no olho de teu irmão, e não percebes a viga no teu próprio olho?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Por que observas o cisco no olho de teu irmão, mas não reparas na trave que está no teu olho?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Por que vês o pequeno fragmento que está no olho de teu irmão, e não consideras a viga que está no teu próprio olho?
[VULGATA LATINA]
Mas por que vês a palhinha [pequeno fragmento] no olho de teu irmão, e não vês a viga no teu olho?
[PESHITTA SIRÍACA]
Por que vês o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a trave que está no teu olho?
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Por que vês o pequeno fragmento no olho de teu irmão e não reparas na viga no teu próprio olho?
O grego diferencia βλέπεις (“vês”) de κατανοεῖς (“percebes”, “consideras atentamente”). Também distingue κάρφος, um fragmento pequeno, de δοκός, uma viga. A expressão “teu próprio olho” é sustentada pelo possessivo enfático σῷ.
MATEUS 7:4
[PRECEITO]
Ou como dirás ao teu irmão: Deixa [permite] que eu tire [expulse, remova] o cisco [fragmento] do teu olho, e eis [olha], a viga está no teu próprio olho?
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ou como dirás ao teu irmão: Permite que eu retire o cisco do teu olho, e eis que há uma viga no teu olho?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o fragmento de teu olho, quando a viga está no teu próprio olho?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Ou como dirás a teu irmão: Deixa que eu retire o cisco de teu olho, e eis que a viga está no teu olho?
[VULGATA LATINA]
Ou como dizes a teu irmão: Permite-me retirar a palhinha do teu olho, e eis que uma viga está no teu olho?
[PESHITTA SIRÍACA]
Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me retirar o cisco de teu olho, enquanto uma viga está no teu próprio olho?
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Como dirás a teu irmão: Permite que eu retire o pequeno fragmento de teu olho, estando a viga no teu olho?
A diferença “dirás/dizes” decorre de formas verbais distintas entre o grego e a Vulgata. O SBLGNT tem ἐκ, “para fora de”; a tradição bizantina emprega ἀπό, “de, para longe de”. Ambas sustentam “retirar do olho”.
MATEUS 7:5
[PRECEITO]
Hipócrita [simulador], retira [expulsa] primeiro a viga [trave] do teu próprio olho, e então verás claramente [enxergarás com nitidez] para retirar o cisco [fragmento] do olho do teu irmão.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Hipócrita, tira primeiro do teu próprio olho a viga, e então enxergarás claramente para retirar o cisco do olho do teu irmão.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Hipócrita, remove primeiro de teu olho a viga, e então verás claramente para tirar o pequeno fragmento do olho de teu irmão.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Hipócrita, retira primeiro a viga de teu olho, e então verás claramente para retirar o cisco do olho de teu irmão.
[VULGATA LATINA]
Hipócrita, retira primeiro a viga do teu olho, e então verás para retirar a palhinha do olho de teu irmão.
[PESHITTA SIRÍACA]
Hipócrita, tira primeiro a viga de teu olho; então ficará claro para ti como retirar o cisco do olho do teu irmão.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Hipócrita, retira primeiro a viga do teu olho e então enxergarás claramente para remover o fragmento do olho do teu irmão.
O Sinaítico e o Vaticano colocam a expressão “do teu olho” antes de “a viga”; a tradição bizantina utiliza a ordem inversa. O verbo διαβλέπω contém a noção de ver claramente.
PARTE II — O santo, as pérolas e os pedidos
MATEUS 7:6
[PRECEITO]
Não deis o que é santo [a coisa santa, as coisas santas] aos cães, nem lanceis [atireis] as vossas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem [calquem] com seus pés e, voltando-se [virando-se], vos rasguem [dilacerem, despedacem].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Não deis o que é santo aos cães, nem lanceis as vossas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem com seus pés e, voltando-se, vos despedacem.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Não deis a coisa santa aos cães e não atireis as vossas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem e, depois de se voltarem, vos dilacerem.
[MANUSCRITO MINÚSCULO 10 — GREGO]
Não deis as coisas santas aos cães, nem lanceis vossas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem e, voltando-se, vos dilacerem.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Não deis o que é santo aos cães, nem lanceis as vossas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos rasguem.
[VULGATA LATINA]
Não deis o santo aos cães nem lanceis vossas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos rompam [dilacerem].
[PESHITTA SIRÍACA]
Não deis o santo [a santidade] aos cães e não atireis as vossas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos rasguem.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Não deis a santidade aos cães e não lanceis as pérolas diante dos porcos, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.
O substantivo/adjetivo grego τὸ ἅγιον está no singular neutro na redação principal. A leitura plural τὰ ἅγια aparece em testemunhos minoritários. O texto não especifica literalmente o que é a “coisa santa”.
MATEUS 7:7
[PRECEITO]
Pedi [solicitai], e vos será dado [recebereis]; buscai [procurai], e encontrareis; batei [chamai à porta], e vos será aberto [a porta será aberta para vós].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Pedi, e vos será dado; procurai, e encontrareis; batei, e vos será aberto.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Solicitai, e vos será dado; buscai, e encontrareis; batei, e será aberto para vós.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Pedi, e vos será dado; buscai, e achareis; batei, e vos será aberto.
[VULGATA LATINA]
Pedi, e vos será dado; procurai, e encontrareis; batei, e vos será aberto.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pedi, e vos será dado; buscai, e encontrareis; batei, e vos será aberto.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Pedi, e recebereis; buscai, e encontrareis; batei, e vos será aberto.
A diferença mais significativa é o primeiro resultado: o grego, a Vulgata e a Peshitta apresentam a construção passiva “vos será dado”, enquanto o curetoniano a expressa como “recebereis”.
MATEUS 7:8
[PRECEITO]
Pois todo aquele que pede [solicita] recebe, e o que busca [procura] encontra, e àquele que bate será aberto [é aberto].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Pois todo aquele que pede recebe, e aquele que busca encontra, e ao que bate será aberto.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Porque todo aquele que solicita recebe, e quem procura encontra, e àquele que bate será aberto.
[EDIÇÃO CRÍTICA DE TREGELLES — GREGO]
Pois todo aquele que pede recebe, e aquele que busca encontra, e ao que bate é aberto [está sendo aberto].
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Pois todo o que pede recebe; e o que procura encontra; e ao que bate será aberto.
[VULGATA LATINA]
Pois todo aquele que pede recebe, e aquele que procura encontra, e àquele que bate será aberto.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois todo aquele que pede recebe, e aquele que busca encontra, e para aquele que bate será aberto.
A edição de Tregelles apresenta ἀνοίγεται, presente, em vez de ἀνοιγήσεται, futuro. É uma variante gramatical, e não uma promessa adicional.
MATEUS 7:9
[PRECEITO]
Ou quem [que homem] dentre vós, se seu filho lhe pedir [solicitar] pão, acaso lhe dará [entregará] uma pedra?
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ou quem é o homem dentre vós cujo filho lhe pedirá pão? Acaso lhe dará uma pedra?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ou qual homem dentre vós, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Ou que homem existe dentre vós que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
[VULGATA LATINA]
Ou quem dentre vós é o homem a quem o filho pedir pão? Acaso lhe oferecerá uma pedra?
[PESHITTA SIRÍACA]
Ou quem dentre vós, se o seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra?
O Sinaítico apresenta explicitamente ἐστιν, “é”; a leitura do Vaticano dispensa esse verbo na primeira pergunta. As formas gregas de “pedir” também variam entre futuro e construção condicional, sem mudar o objeto solicitado: pão.
MATEUS 7:10
[PRECEITO]
Ou, se lhe pedir [solicitar] um peixe, acaso lhe dará [entregará, oferecerá] uma serpente [cobra]?
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ou, se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ou, se pedir um peixe, lhe oferecerá uma cobra?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E se pedir um peixe, acaso lhe entregará uma serpente?
[VULGATA LATINA]
Ou, se lhe pedir um peixe, porventura lhe apresentará uma serpente?
[PESHITTA SIRÍACA]
Ou, se lhe pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente?
O grego utiliza ἰχθύς, peixe, e ὄφις, serpente. As variantes menores concentram-se na conjunção e na construção condicional do pedido.
PARTE III — Boas dádivas, a Lei e os dois caminhos
MATEUS 7:11
[PRECEITO]
Portanto, se vós, sendo maus [perversos, inclinados ao mal], sabeis dar boas dádivas [bons presentes, coisas boas] aos vossos filhos [crianças], quanto mais vosso Pai, o que está nos céus, dará coisas boas [bens, dádivas boas] àqueles que lhe pedem!
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Portanto, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedem!
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Se, portanto, vós, sendo maus, sabeis oferecer bons presentes aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos céus dará coisas boas àqueles que lhe pedem!
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Portanto, se vós, embora maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem!
[VULGATA LATINA]
Se, portanto, vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que está nos céus dará bens [coisas boas] aos que lhe pedem!
[PESHITTA SIRÍACA]
Portanto, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedirem!
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Se, portanto, vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará coisas boas aos que lhe pedem!
O texto grego utiliza δόματα ἀγαθά para as dádivas dadas pelos pais e ἀγαθά para aquilo que o Pai dará. O objeto da segunda promessa é “coisas boas”, não uma lista determinada de bens ou acontecimentos.
MATEUS 7:12
[PRECEITO]
Portanto, tudo [todas as coisas] quanto quiserdes [desejardes] que os homens [seres humanos, pessoas] façam a vós, assim também vós fazei a eles [fazei-lhes o mesmo]; pois esta é a Lei e os Profetas.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Portanto, tudo quanto quiserdes que os homens façam a vós, fazei também vós a eles; pois esta é a Lei e os Profetas.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Todas as coisas, portanto, que desejardes que os seres humanos façam a vós, assim também vós fazei a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Portanto, tudo quanto quiserdes que as pessoas vos façam, da mesma maneira fazei também vós a elas; pois esta é a Lei e os Profetas.
[VULGATA LATINA]
Portanto, todas as coisas que quiserdes que os homens façam a vós, fazei-as também vós a eles; pois esta é a Lei e os Profetas.
[PESHITTA SIRÍACA]
Tudo quanto quiserdes que os filhos dos homens [seres humanos] façam a vós, assim também vós fazei a eles, pois esta é a Lei e os Profetas.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Portanto, todas as coisas que desejardes que os filhos dos homens façam para vós, sede vós aqueles que as fazem por eles; pois esta é a Lei e os Profetas.
A formulação positiva — “fazei” — está explicitamente presente no grego, na Vulgata e nas versões siríacas. Não é a forma negativa “não façais aos outros…”. O Sinaítico apresenta ἐάν e o Vaticano ἄν, duas formas da construção eventual.
MATEUS 7:13
[PRECEITO]
Entrai pela porta estreita [apertada, de passagem reduzida]; porque larga [ampla] é [a porta], e espaçoso [amplo, aberto] é o caminho que conduz [leva] à destruição [perdição, ruína], e muitos são os que entram por ele [por ela].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO]
Entrai pela porta estreita; porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à destruição, e muitos são os que entram por ele. [A primeira mão não apresenta expressamente “a porta” depois de “larga”.][CÓDICE VATICANO — GREGO]
Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que leva à destruição, e muitos são os que entram por ele.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à destruição, e muitos são os que entram por ela.
[VULGATA LATINA]
Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.
[PESHITTA SIRÍACA]
Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e amplo o caminho que conduz à destruição, e muitos são os que entram por ele.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Entrai pela porta apertada, pois larga é a porta e amplo o caminho que conduz à ruína, e numerosos são os que andam por ele.
O Vaticano e a primeira mão do Sinaítico não apresentam explicitamente a segunda expressão “a porta”, conservada no Ephraemi e na tradição bizantina. A distinção é importante porque a frase abreviada passa diretamente de “largo” ao “caminho espaçoso”.
MATEUS 7:14
[PRECEITO]
Porque [mas, quão] estreita [apertada] é a porta, e comprimido [apertado, pressionado, atribulado] é o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram [descobrem].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Porque estreita é a porta e apertado é o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Mas porque estreita é a porta e comprimido o caminho que leva à vida, e poucos são os que o encontram.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Quão estreita é a porta, e quão comprimido é o caminho que conduz à vida! E poucos são os que o encontram.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram!
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram.
[VULGATA LATINA]
Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram!
[PESHITTA SIRÍACA]
Quão estreita é a porta e apertado [comprimido] o caminho que leva à vida, e poucos são aqueles que o encontram!
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Quão apertada é a porta e estreito o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram!
Três aberturas devem ser distinguidas: ὅτι (“porque”), ὅτι δέ (“mas porque”) e τί (exclamativo, “quão”). O Sinaítico, Vaticano e Ephraemi não apresentam exatamente a mesma construção. O particípio perfeito passivo τεθλιμμένη descreve o caminho como comprimido ou apertado.
PARTE IV — Profetas, árvores e frutos
MATEUS 7:15
[PRECEITO]
Guardai-vos [tende cuidado, prestai atenção] dos falsos profetas [profetas mentirosos], que vêm a vós em vestimentas [roupas, peles] de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes [rapaces, saqueadores].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós em vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Tende cuidado com os falsos profetas, que se aproximam de vós em roupas de ovelhas, mas interiormente são lobos rapaces.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Mas guardai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós em vestimentas de ovelhas, enquanto por dentro são lobos vorazes.
[VULGATA LATINA]
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós em vestimentas de ovelhas, mas interiormente são lobos rapaces.
[PESHITTA SIRÍACA]
Guardai-vos dos profetas falsos, que vêm até vós em vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos que arrebatam [predadores].
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Guardai-vos dos falsos profetas que vêm até vós com roupas de ovelhas, mas em seu interior são lobos rapaces.
A tradição bizantina inclui uma partícula equivalente a “mas/porém” no início; a edição crítica SBLGNT começa diretamente com “Guardai-vos”. O grego ἅρπαγες relaciona-se a arrebatar, tomar pela força ou saquear.
MATEUS 7:16
[PRECEITO]
Por seus frutos [resultados produzidos] os conhecereis [reconhecereis, identificareis]. Acaso recolhem [colhem, ajuntam] uvas [um cacho de uvas] dos espinheiros, ou figos dos abrolhos [plantas espinhosas, cardos]?
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Por seus frutos os reconhecereis. Acaso colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
A partir dos seus frutos os conhecereis. Por acaso recolhem uvas dos espinhos ou figos das plantas espinhosas?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Por seus frutos os conhecereis. Acaso recolhem um cacho de uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
[VULGATA LATINA]
Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura colhem uvas dos espinhos, ou figos dos cardos?
[PESHITTA SIRÍACA]
Por seus frutos os conhecereis. Acaso recolhem uvas dos espinhos ou figos das plantas espinhosas?
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Por seus frutos os reconhecereis. Recolhem-se porventura uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?
O grego crítico apresenta σταφυλάς, plural, “uvas” ou “cachos”; o Texto Recebido utiliza σταφυλήν, singular. A diferença não autoriza trocar os espinhos por uma espécie botânica moderna determinada.
MATEUS 7:17
[PRECEITO]
Assim, toda árvore boa [sadia, proveitosa] produz [faz, dá] frutos belos [bons, de boa qualidade], mas a árvore deteriorada [podre, corrompida, estragada] produz frutos maus [ruins, de má qualidade].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Assim, toda árvore boa produz frutos belos [bons], mas a árvore deteriorada produz frutos maus.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Assim, toda árvore boa dá frutos de boa qualidade, enquanto a árvore podre produz frutos ruins.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Assim, toda árvore boa produz bons frutos; mas a árvore estragada produz frutos maus.
[VULGATA LATINA]
Assim, toda árvore boa produz bons frutos; mas a árvore má [ruim] produz frutos maus.
[PESHITTA SIRÍACA]
Assim, toda árvore boa produz frutos bons, mas uma árvore má produz frutos ruins.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má produz frutos maus.
O grego distingue ἀγαθόν para a árvore boa, καλούς para seus frutos belos/bons, σαπρόν para a árvore deteriorada e πονηρούς para os frutos ruins. A Vulgata e o siríaco tendem a usar “bom/mau” com maior simetria.
MATEUS 7:18
[PRECEITO]
Uma árvore boa não pode produzir [fazer, trazer] frutos maus [ruins], nem uma árvore deteriorada [podre, estragada] pode produzir frutos belos [bons, de boa qualidade].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Uma árvore boa não pode fazer [produzir] frutos maus, nem uma árvore deteriorada pode fazer frutos belos.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Uma árvore boa não pode trazer [produzir, dar] frutos maus, nem uma árvore podre pode produzir frutos bons.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Uma árvore boa não pode produzir frutos maus; nem uma árvore estragada pode produzir frutos bons.
[VULGATA LATINA]
Uma árvore boa não pode produzir frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons.
[PESHITTA SIRÍACA]
Uma árvore boa não pode produzir frutos maus, e uma árvore má não pode produzir frutos bons.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Uma árvore boa não consegue fazer frutos maus; tampouco uma árvore má consegue fazer frutos bons.
O Vaticano apresenta ἐνεγκεῖν, “trazer”, “produzir”, no primeiro infinitivo, enquanto o Sinaítico e ampla tradição apresentam ποιεῖν, “fazer”. É uma diferença entre verbos gregos reais, embora ambos possam traduzir-se como “produzir” neste contexto.
MATEUS 7:19
[PRECEITO]
Toda árvore que não produz [não faz, não dá] fruto belo [bom, de boa qualidade] é cortada [derrubada, decepada] e lançada [jogada, atirada] ao fogo.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Toda árvore que não dá fruto belo é decepada e lançada ao fogo.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e atirada ao fogo.
[VULGATA LATINA]
Toda árvore que não produz bom fruto será cortada e lançada ao fogo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Toda árvore que não produz fruto bom é cortada e lançada ao fogo.
Os verbos gregos ἐκκόπτεται e βάλλεται estão no presente passivo: “é cortada”, “é lançada”. A Vulgata exprime as duas ações no futuro.
MATEUS 7:20
[PRECEITO]
Portanto [assim, por conseguinte], pelos frutos deles [a partir dos seus frutos] os conhecereis [reconhecereis, identificareis].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Portanto, pelos seus frutos os reconhecereis.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Assim, pelos frutos deles os conhecereis.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Por conseguinte, pelos frutos deles os conhecereis.
[VULGATA LATINA]
Portanto, por seus frutos os conhecereis.
[PESHITTA SIRÍACA]
Assim, pelos seus frutos os reconhecereis.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Portanto, por seus frutos os conhecereis.
O verbo é ἐπιγνώσεσθε, futuro médio com sentido de reconhecer ou identificar. O versículo recupera a formulação de 7:16, agora como conclusão da sequência sobre as árvores.
PARTE V — Dizer, fazer e o reconhecimento
MATEUS 7:21
[PRECEITO]
Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas aquele que faz [pratica, realiza] a vontade [aquilo que deseja] de meu Pai, o que está nos céus, [esse entrará no Reino dos Céus].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas aquele que realiza a vontade de meu Pai, o que está nos céus.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus.
[VULGATA LATINA]
Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus.
[PESHITTA SIRÍACA]
Nem todo aquele que me diz: Meu Senhor, meu Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Portanto, nem todo aquele que me diz: Meu Senhor, meu Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus.
O Ephraemi, a Vulgata e o siríaco curetoniano explicitam a conclusão afirmativa “esse entrará no Reino dos Céus”, ausente no Sinaítico e no Vaticano. É um dos acréscimos mais significativos do capítulo.
MATEUS 7:22
[PRECEITO]
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor [nosso Senhor, nosso Senhor], não profetizamos em teu nome [não falamos como profetas em teu nome], e em teu nome expulsamos demônios [muitos demônios, espíritos malignos], e em teu nome fizemos muitos atos de poder [obras poderosas, milagres]? [Não comemos e bebemos em teu nome?][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome expulsamos muitos demônios, e em teu nome fizemos muitos atos de poder?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome expulsamos demônios, e em teu nome realizamos muitas obras poderosas?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome expulsamos demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres [atos poderosos]?
[VULGATA LATINA]
Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome expulsamos demônios, e em teu nome fizemos muitos atos poderosos?
[PESHITTA SIRÍACA]
Muitos me dirão naquele dia: Meu Senhor, meu Senhor, não profetizamos em teu nome, e em teu nome expulsamos espíritos malignos, e em teu nome realizamos muitos atos de poder?
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Pois muitos me dirão naquele dia: Nosso Senhor, nosso Senhor, não comemos e bebemos em teu nome? E em teu nome profetizamos, e em teu nome expulsamos demônios, e em teu nome realizamos muitos atos de poder.
Há duas diferenças documentais relevantes. O Sinaítico apresenta “muitos demônios”, enquanto o Vaticano menciona simplesmente “demônios”. O curetoniano acrescenta “não comemos e bebemos em teu nome?”, ausente do grego predominante. O substantivo grego δυνάμεις significa literalmente “poderes” ou “atos de poder”; “milagres” é uma tradução contextual.
MATEUS 7:23
[PRECEITO]
E então lhes declararei [reconhecerei publicamente, confessarei]: Nunca vos conheci [jamais vos conheci]. Afastai-vos [retirai-vos, apartai-vos] de mim, vós que praticais [trabalhais, realizais] a ausência de lei [ilegalidade, iniquidade, transgressão da Lei].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E então lhes declararei: Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade [ilegalidade].
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E então lhes confessarei [declararei]: Jamais vos conheci. Retirai-vos de mim, os que trabalham na transgressão da Lei.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E então lhes declararei: Nunca vos conheci; afastai-vos de mim, vós que praticais a ilegalidade [iniquidade].
[VULGATA LATINA]
E então lhes confessarei [declararei]: Nunca vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
[PESHITTA SIRÍACA]
E então lhes declararei: Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, trabalhadores da iniquidade [injustiça].
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Então lhes direi: Nunca vos conheci. Ide para longe de mim, praticantes de iniquidade [maldade].
[CÓDICE CYPRIUS — GREGO]
E então lhes declararei: Ainda não vos conheci [não vos conheci até agora]. Afastai-vos de mim, praticantes da ilegalidade.
O Cyprius apresenta οὐδέπω, “ainda não”, onde a ampla tradição grega apresenta οὐδέποτε, “nunca”. O termo ἀνομία contém a ideia de ausência ou violação da lei; não é o mesmo substantivo que ἁμαρτία, geralmente traduzido como “pecado”.
PARTE VI — As duas casas e a conclusão do discurso
MATEUS 7:24
[PRECEITO]
Portanto, todo aquele que ouve [escuta] estas minhas palavras [declarações, ensinamentos] e as faz [pratica, realiza] será comparado [eu o compararei] a um homem prudente [sensato, de bom entendimento], que construiu a sua casa sobre a rocha [pedra firme].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Todo aquele, portanto, que escuta as minhas palavras e as faz será comparado a um homem sensato que edificou sua casa sobre a rocha.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Portanto, todo aquele que escuta estas minhas palavras e as pratica, eu o compararei a um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Todo aquele, portanto, que ouve estas minhas palavras e as faz, eu o compararei a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha.
[VULGATA LATINA]
Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática será comparado a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha.
[PESHITTA SIRÍACA]
Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será semelhante a um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Todo aquele que ouve minhas palavras e as pratica se assemelhará a um homem sensato que construiu sua casa sobre a rocha.
O Sinaítico e o Vaticano apresentam ὁμοιωθήσεται, futuro passivo, “será comparado”; o Ephraemi e o Texto Recebido apresentam ὁμοιώσω αὐτόν, “eu o compararei”. Essa mudança de voz e de sujeito deve permanecer visível.
MATEUS 7:25
[PRECEITO]
E desceu [caiu] a chuva, e vieram os rios [torrentes, enxurradas], e sopraram os ventos, e investiram [bateram, caíram] contra aquela casa; e ela não caiu [não desabou], porque estava fundamentada [alicerçada, firmada] sobre a rocha.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; e ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E caiu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e bateram contra aquela casa; mas ela não desabou, pois havia sido alicerçada sobre a rocha.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; e ela não caiu, porque sua fundação estava sobre a rocha.
[VULGATA LATINA]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e precipitaram-se contra aquela casa; e ela não caiu, pois estava fundada sobre a rocha.
[PESHITTA SIRÍACA]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e bateram naquela casa; e ela não caiu, pois seus alicerces estavam colocados sobre a rocha.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
E a chuva desceu, as torrentes vieram e os ventos sopraram e atingiram aquela casa; mas ela não caiu, porque estava firmada sobre a rocha.
O grego conserva a sucessão de quatro ações: chuva descer, rios chegar, ventos soprar e forças atingir a casa. O verbo final τεθεμελίωτο expressa a condição resultante de ter sido fundamentada. “Rios” preserva diretamente ποταμοί; “enxurradas” é uma adaptação contextual.
MATEUS 7:26
[PRECEITO]
E todo aquele que ouve [escuta] estas minhas palavras e não as faz [não as pratica, não as realiza] será comparado [será semelhante] a um homem tolo [insensato, sem discernimento], que construiu sua casa sobre a areia [solo arenoso].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem tolo que construiu sua casa sobre a areia.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E todo aquele que escuta minhas palavras e não as faz será comparado a um homem insensato que edificou sua casa sobre a areia.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será semelhante a um homem tolo que construiu sua casa sobre a areia.
[VULGATA LATINA]
E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as põe em prática será semelhante a um homem insensato que edificou sua casa sobre a areia.
[PESHITTA SIRÍACA]
E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será semelhante a um homem tolo que construiu sua casa sobre a areia.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
E todo aquele que escuta minhas palavras e não as realiza se assemelhará a um homem insensato que edificou sua casa sobre a areia.
O adjetivo grego μωρός, “tolo” ou “insensato”, pertence à mesma família lexical já estudada em Mateus 5:13 e 5:22. Essa recorrência é particularmente relevante para preservar a consistência de nossa tradução, sem impor equivalência de significado a contextos diferentes.
MATEUS 7:27
[PRECEITO]
E desceu [caiu] a chuva, e vieram os rios [torrentes, enxurradas], e sopraram os ventos, e bateram [chocaram-se, investiram] contra aquela casa; e ela caiu [desabou], e grande foi a sua queda [ruína, desmoronamento].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e bateram contra aquela casa; e ela caiu, e grande foi a sua queda.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E caiu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e chocaram-se contra aquela casa; e ela desabou, e grande foi sua ruína.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e bateram contra aquela casa; e ela caiu, e grande foi a sua queda.
[VULGATA LATINA]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e precipitaram-se contra aquela casa; e ela caiu, e grande foi a sua ruína.
[PESHITTA SIRÍACA]
E desceu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e bateram contra aquela casa; e ela caiu, e grande foi a sua queda.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
E desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e atingiram aquela casa; e ela caiu, e grande foi sua ruína.
O substantivo grego πτῶσις significa “queda”. A expressão ἡ πτῶσις αὐτῆς μεγάλη apresenta literalmente “a queda dela [foi] grande”; “destruição total” seria mais interpretativo. Há também uma distinção entre os verbos de impacto utilizados em 7:25 e 7:27.
MATEUS 7:28
[PRECEITO]
E aconteceu [sucedeu] que, quando Jesus terminou [concluiu, completou] estas palavras [todos estes dizeres], as multidões [todas as multidões] estavam admiradas [espantadas, impressionadas] com o seu ensinamento [ensino, doutrina].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E aconteceu que, quando Jesus terminou estas palavras, as multidões ficaram espantadas com o seu ensinamento.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E aconteceu que, quando Jesus concluiu estas palavras, as multidões estavam admiradas com sua doutrina [seu ensinamento].
[CÓDICE SANGALLENSIS — GREGO]
E aconteceu que, quando Jesus completou estas palavras, todas as multidões estavam admiradas com seu ensinamento.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E aconteceu que, quando Jesus concluiu plenamente estas palavras, as multidões ficaram espantadas com seu ensinamento.
[VULGATA LATINA]
E aconteceu que, quando Jesus terminou [completou] estas palavras, as multidões se admiravam de sua doutrina.
[PESHITTA SIRÍACA]
E aconteceu que, quando Jesus completou estas palavras, as multidões estavam admiradas com o seu ensinamento.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
E, quando Jesus terminou estas suas palavras, as multidões ficaram admiradas com seu ensinamento.
O Sinaítico e o Vaticano utilizam ἐτέλεσεν, “terminou”; a tradição bizantina emprega συνετέλεσεν, “concluiu”, com prefixo. Alguns testemunhos, como o Sangallensis, acrescentam “todas” às multidões.
MATEUS 7:29
[PRECEITO]
Pois ele os ensinava [estava ensinando] como alguém que possui autoridade [poder legítimo, competência para ordenar], e não como os escribas [mestres da Lei] deles [e os fariseus].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Pois ele os ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os escribas deles.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Pois os ensinava como alguém que possui autoridade [poder], e não como os escribas deles.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Pois ele os ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas e os fariseus.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
Pois ele os ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os escribas deles e os fariseus.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Pois ele os ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os escribas.
[VULGATA LATINA]
Pois ele estava ensinando-os como alguém que tem autoridade [poder], e não como os escribas deles e os fariseus.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois ele os ensinava como alguém revestido de autoridade, e não como os escribas deles e os fariseus.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Pois ele os ensinava como alguém que possui autoridade [poder], e não como os escribas deles e os fariseus.
Este versículo reúne três redações particularmente relevantes: “os escribas deles” no Sinaítico e Vaticano; “os escribas” no Texto Recebido; e “os escribas e os fariseus” no Ephraemi. O Washingtoniano, a Vulgata e as versões siríacas preservam a formulação que inclui “os escribas deles e os fariseus”.

