PARTE I — A descida do monte e a purificação
MATEUS 8:1
[PRECEITO]
Tendo ele descido [ao descer, quando desceu] do monte [montanha], grandes multidões [muitas multidões] o seguiram [acompanharam, foram atrás dele].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Quando ele desceu do monte, muitas multidões o seguiram. [A primeira mão apresenta uma construção gramatical divergente para “tendo ele descido”.][CÓDICE VATICANO — GREGO]
Tendo ele descido do monte, grandes multidões o acompanharam.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Ao descer ele do monte, muitas multidões o seguiram.
[VULGATA LATINA]
Quando ele desceu do monte, numerosas multidões o seguiram.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando desceu do monte, grandes multidões foram atrás dele.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
E, quando desceu do monte, numerosas multidões vieram seguindo-o.
O Vaticano preserva καταβάντος … αὐτοῦ, construção genitiva; a tradição bizantina apresenta καταβάντι … αὐτῷ, com dativo. Essa diferença gramatical não exige duas narrativas distintas em português.
MATEUS 8:2
[PRECEITO]
E eis que um homem com lepra [um leproso, um homem afetado por doença cutânea] aproximou-se [veio] e se prostrava [prestava reverência, adorava] diante dele, dizendo: Senhor, se quiseres [se for da tua vontade], podes purificar-me [tornar-me limpo].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E eis que um leproso, aproximando-se, prostrava-se diante dele, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E eis que um homem com lepra aproximou-se e prestava reverência a ele, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E eis que um leproso veio e se prostrava diante dele, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
[VULGATA LATINA]
E eis que um leproso veio e o adorava [reverenciava], dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
[PESHITTA SIRÍACA]
E eis que veio um leproso e se prostrou diante dele, dizendo: Meu Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
E eis que um homem leproso veio, caiu diante dele e se prostrou, dizendo: Meu Senhor, se quiseres, podes purificar-me.
O Sinaítico e o Vaticano empregam προσελθών, “aproximando-se”; a tradição bizantina utiliza ἐλθών, “vindo”. O verbo προσκυνέω admite reverência ou prostração; sua tradução por “adorar” deve ser distinguida da identificação de um gesto específico. “Lepra” representa o nome antigo da condição, não um diagnóstico retrospectivo seguro de hanseníase.
MATEUS 8:3
[PRECEITO]
E, estendendo [tendo estendido] a mão, tocou nele, dizendo: Quero [é minha vontade]; sê purificado [fica limpo]. E imediatamente [logo, sem demora] sua lepra foi purificada [a condição de impureza foi removida].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E, estendendo a mão, tocou nele, dizendo: Quero; sê purificado. E imediatamente sua lepra foi purificada.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, tendo estendido a mão, tocou nele e disse: Quero, fica limpo. E sua lepra foi purificada imediatamente.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E Jesus, estendendo a mão, tocou nele, dizendo: Quero; sê purificado. E imediatamente a lepra dele foi purificada.
[VULGATA LATINA]
E Jesus, estendendo a mão, tocou nele e disse: Quero; sê purificado. E imediatamente sua lepra foi purificada.
[PESHITTA SIRÍACA]
E Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Quero; fica purificado. E naquele instante sua lepra foi purificada.
A tradição bizantina e a Vulgata explicitam o nome “Jesus” na ação de estender a mão; o texto crítico não o apresenta nessa posição. Καθαρίσθητι é imperativo passivo de “purificar”, e não um verbo grego independente que signifique “curar”.
MATEUS 8:4
[PRECEITO]
E Jesus lhe diz [disse]: Vê [tem cuidado] que não digas a ninguém; mas vai, mostra-te [apresenta-te] ao sacerdote e oferece [apresenta] a dádiva [oferta, presente] que Moisés ordenou [prescreveu], para testemunho [prova, confirmação] a eles [perante eles].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E Jesus lhe diz: Cuida de não contar a ninguém; mas vai, apresenta-te ao sacerdote e oferece a dádiva que Moisés ordenou, para testemunho a eles.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E Jesus lhe diz: Vê que não digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta a oferta prescrita por Moisés, como testemunho para eles.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E Jesus lhe diz: Não digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece o presente que Moisés ordenou, para testemunho perante eles.
[VULGATA LATINA]
E Jesus lhe diz: Vê que não contes a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece a dádiva que Moisés prescreveu, para testemunho a eles.
[PESHITTA SIRÍACA]
E Jesus lhe disse: Não digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta a oferta ordenada por Moisés, para que seja testemunho a eles.
O grego conserva o presente narrativo λέγει, “diz”; o latim ait também é presente. A dádiva é δῶρον, substantivo já encontrado em Mateus 5:23–24. A referência legal pertinente para contextualizar a oferta é Levítico 14, mas o versículo não reproduz toda a prescrição.
PARTE II — O centurião, a autoridade e a confiança
MATEUS 8:5
[PRECEITO]
E, quando ele entrou [ao entrar] em Cafarnaum, aproximou-se dele um centurião [oficial responsável por uma centúria], suplicando-lhe [rogando-lhe, pedindo-lhe auxílio],
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Quando ele entrou em Cafarnaum, um centurião aproximou-se dele, suplicando-lhe.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Tendo ele entrado em Cafarnaum, aproximou-se um centurião, rogando-lhe.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Ao entrar ele em Cafarnaum, um centurião aproximou-se dele, fazendo-lhe um pedido.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO, EDIÇÃO ELZEVIR]
Quando Jesus entrou em Cafarnaum, aproximou-se dele um centurião, suplicando-lhe.
[VULGATA LATINA]
Quando ele entrou em Cafarnaum, um centurião veio até ele, rogando-lhe.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um centurião aproximou-se dele e lhe fazia um pedido.
O Texto Recebido de Elzevir explicita “Jesus” no começo, enquanto o Sinaítico e o Vaticano apresentam um pronome. O verbo παρακαλέω pode significar pedir, rogar, suplicar ou exortar, conforme o contexto.
MATEUS 8:6
[PRECEITO]
E dizendo: Senhor, o meu paîs [servo, criado, rapaz, menino] está deitado [jaz] em casa, paralítico [paralisado], sofrendo terrivelmente [sendo atormentado de modo intenso].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E dizendo: Senhor, meu rapaz [servo] jaz em casa, paralisado e sofrendo terrivelmente.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Senhor, meu paîs [servo, menino] está deitado em casa, paralítico, sendo atormentado gravemente.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E dizendo: Senhor, meu servo [rapaz] está em casa, paralítico, sofrendo intensamente.
[VULGATA LATINA]
E dizendo: Senhor, meu menino [jovem servo] jaz em casa paralítico e está sendo gravemente atormentado.
[PESHITTA SIRÍACA]
Meu Senhor, meu servo [jovem] está deitado em casa, paralítico e sofrendo intensamente.
A palavra παῖς pode designar criança, menino, jovem ou servo, conforme o contexto. Não devemos escolher “filho” como se o versículo estabelecesse inequivocamente uma relação de filiação. A Vulgata emprega puer, e o versículo 9 distingue παῖς de δοῦλος, “escravo/servo”.
MATEUS 8:7
[PRECEITO]
E ele lhe diz [Jesus lhe diz]: Eu, indo [vindo até aí], o curarei [tratarei, restaurarei sua saúde]. [Eu irei curá-lo?][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E ele lhe diz: Eu irei e o curarei. [Ou, conforme a pontuação interpretativa: Irei eu curá-lo?][CÓDICE VATICANO — GREGO]
E lhe diz: Eu, indo até aí, o curarei.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E Jesus lhe diz: Eu irei e o curarei.
[VULGATA LATINA]
E lhe diz: Eu irei e cuidarei dele [o curarei].
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhe disse: Eu irei e o curarei.
A expressão grega ἐγὼ ἐλθὼν θεραπεύσω αὐτόν pode ser pontuada como afirmação ou pergunta; os manuscritos antigos não fornecem a pontuação interrogativa moderna como critério definitivo. Θεραπεύσω permite “tratarei” ou “curarei” neste contexto. A tradição bizantina explicita o sujeito “Jesus”.
MATEUS 8:8
[PRECEITO]
Mas [e], respondendo, o centurião disse: Senhor, não sou digno [adequado, suficiente] de que entres sob o meu teto [minha cobertura, minha casa]; mas apenas diz uma palavra [dá uma ordem por palavra], e meu paîs [servo, rapaz, menino] será curado [restabelecido].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Mas, respondendo, o centurião disse: Senhor, não sou digno de que entres sob o meu teto; mas somente fala uma palavra, e meu servo será curado.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
O centurião respondeu: Senhor, não sou suficiente [digno] para que entres sob meu teto; mas apenas ordena por uma palavra, e meu rapaz ficará curado.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu teto; mas apenas diz uma palavra, e meu servo será curado.
[VULGATA LATINA]
E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres sob meu teto; mas diz somente uma palavra, e meu menino [servo] será curado.
[PESHITTA SIRÍACA]
E o centurião respondeu: Meu Senhor, não sou digno de que entres debaixo do teto de minha casa; mas apenas fala uma palavra, e meu servo será curado.
Ἱκανός significa “suficiente”, “adequado”, “capaz” ou “digno” conforme o contexto. Já λόγῳ é dativo de “palavra”: a expressão pode ser entendida como falar por uma palavra ou emitir uma ordem verbal.
MATEUS 8:9
[PRECEITO]
Pois também eu sou um homem sob autoridade [subordinado a uma autoridade, colocado sob comando], tendo soldados sob minhas ordens [debaixo de mim]; e digo a este: Vai [parte], e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo [escravo]: Faze isto, e ele faz.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Pois também eu sou homem colocado sob autoridade, e tenho soldados sob meu comando; digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele faz.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Pois também eu sou um homem sob autoridade, tendo soldados debaixo de mim, e digo a este: Vai, e vai; a outro: Vem, e vem; e ao meu escravo: Faze isto, e ele faz.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Pois também eu sou homem sob autoridade, com soldados sob minhas ordens; digo a este: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele faz.
[EDIÇÃO WESTCOTT–HORT — GREGO]
Pois também eu sou um homem colocado sob autoridade [designado para uma posição subordinada], tendo soldados sob minhas ordens; e digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele faz.
[VULGATA LATINA]
Pois também eu sou homem colocado sob poder [autoridade], tendo soldados sob mim; e digo a este: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele faz.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois também eu sou um homem colocado sob autoridade, e tenho soldados debaixo de mim; digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e vem; e ao meu servo: Faze isto, e faz.
O texto crítico SBLGNT contém ὑπὸ ἐξουσίαν, “sob autoridade”. Westcott–Hort acrescenta τασσόμενος, “colocado/designado”. Importa distinguir παῖς de 8:6–8 e δοῦλος neste versículo, este último mais especificamente “escravo” ou “servo”.
MATEUS 8:10
[PRECEITO]
E Jesus, tendo ouvido [ao ouvir], admirou-se [maravilhou-se, ficou espantado] e disse aos que o seguiam: Amém [em verdade], digo-vos: em ninguém [nem mesmo em Israel] encontrei tão grande fé [confiança, crença] em Israel.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ao ouvir, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: Amém, digo-vos: nem mesmo em Israel encontrei uma fé tão grande.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Jesus, ouvindo, maravilhou-se e disse aos seguidores: Amém, digo-vos: em ninguém encontrei tamanha fé em Israel.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Jesus ouviu, admirou-se e disse aos que o acompanhavam: Amém, digo-vos: nem mesmo em Israel encontrei tão grande fé.
[VULGATA LATINA]
Jesus, tendo ouvido, admirou-se e disse aos que o seguiam: Amém, digo-vos: não encontrei fé tão grande em Israel.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando Jesus ouviu, ficou admirado e disse aos que o seguiam: Amém, digo-vos: nem mesmo em Israel encontrei fé como esta.
O Vaticano apresenta παρ’ οὐδενί, “em ninguém”; o Sinaítico e a tradição bizantina têm οὐδὲ ἐν τῷ Ἰσραήλ, “nem mesmo em Israel”. No [PRECEITO], as duas formas são alternativas, não partes cumulativas da mesma frase. Πίστις admite “fé” e “confiança”, conforme o uso.
MATEUS 8:11
[PRECEITO]
Digo-vos, porém, que muitos virão [chegarão] do oriente [dos lugares do nascer do sol] e do ocidente [dos lugares do pôr do sol], e se reclinarão à mesa [tomarão lugar no banquete] com Abraão, Isaque e Jacó, no Reino dos Céus.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Digo-vos que muitos virão do oriente e do ocidente, e se reclinarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Digo-vos, porém, que muitos chegarão das regiões orientais e ocidentais e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E digo-vos que muitos virão do oriente e do ocidente e se assentarão [reclinarão] com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus.
[VULGATA LATINA]
Digo-vos, porém, que muitos virão do oriente e do ocidente e se reclinarão com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus.
[PESHITTA SIRÍACA]
Digo-vos, porém, que muitos virão do nascente e do poente e tomarão lugar [se reclinarão] com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus.
Ἀνακλιθήσονται é futuro passivo/médio relativo a reclinar-se, gesto associado às refeições antigas. A palavra “banquete” explica o contexto, mas não aparece como substantivo independente no versículo grego.
MATEUS 8:12
[PRECEITO]
Mas os filhos do Reino [aqueles pertencentes ao Reino] serão lançados [expulsos, atirados] para a escuridão exterior [trevas de fora, escuridão mais afastada]; ali haverá choro [pranto, lamentação] e ranger [rilhar] de dentes.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Mas os filhos do Reino serão lançados para a escuridão exterior; ali haverá choro e ranger de dentes.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Os filhos do Reino, porém, serão expulsos para as trevas de fora; ali haverá pranto e ranger de dentes.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Mas os filhos do Reino serão lançados para a escuridão exterior; ali será o choro e o ranger de dentes.
[VULGATA LATINA]
Os filhos do Reino, porém, serão lançados às trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas os filhos do Reino serão lançados à escuridão de fora; ali haverá pranto e ranger de dentes.
O texto grego apresenta σκότος τὸ ἐξώτερον, “escuridão exterior”, e βρυγμὸς τῶν ὀδόντων, “ranger dos dentes”. Não contém uma palavra expressa para “eterno” nessa oração. “Filhos do Reino” também deve ser preservado antes de se propor qualquer identificação interpretativa.
MATEUS 8:13
[PRECEITO]
E Jesus disse ao centurião: Vai [parte], [e] conforme creste [segundo a tua fé, conforme confiaste], aconteça-te [seja feito para ti]; e naquela mesma hora [naquele momento] seu paîs [servo, rapaz, menino] foi curado [restabelecido]. [E, tendo voltado para sua casa, o centurião encontrou o seu servo com saúde.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E Jesus disse ao centurião: Vai, conforme creste, aconteça-te; e o servo foi curado naquela hora.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Jesus disse ao centurião: Vai, conforme acreditaste, seja feito para ti; e o rapaz foi curado naquela mesma hora.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E Jesus disse ao centurião: Vai, e conforme creste, aconteça-te; e seu servo foi curado naquela hora.
[MANUSCRITO MINÚSCULO 1 — GREGO]
E Jesus disse ao centurião: Vai, e conforme creste, aconteça-te; e o servo foi curado naquela hora. E, voltando o centurião para sua casa, naquela mesma hora encontrou o servo saudável [restabelecido].
[VULGATA LATINA]
Jesus disse ao centurião: Vai, e assim como creste, seja feito para ti; e o menino [servo] ficou curado naquela hora.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus disse ao centurião: Vai, conforme confiaste [creste], aconteça para ti; e seu jovem servo foi curado naquela mesma hora.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Então Jesus disse ao centurião: Vai; conforme creste, aconteça-te. E naquela hora seu servo foi curado.
O Sinaítico e o Vaticano não têm a conjunção “e” antes de “conforme creste”; a tradição bizantina a apresenta. O longo complemento final é atestado nos minúsculos 1, 1582 e 439, mas não pertence ao texto crítico principal. O minúsculo 700 utiliza “naquele dia” em lugar de “naquela hora”.
PARTE III — A casa de Pedro e as enfermidades
MATEUS 8:14
[PRECEITO]
E Jesus, tendo chegado [ao chegar] à casa de Pedro, viu a sogra dele deitada [acamada, prostrada] e com febre [febril].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E Jesus, tendo chegado à casa de Pedro, viu sua sogra deitada e com febre.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Jesus, entrando na casa de Pedro, viu a sogra dele acamada e febril.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E Jesus veio à casa de Pedro e viu a sogra dele deitada, sofrendo de febre.
[VULGATA LATINA]
E Jesus, ao chegar à casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando Jesus chegou à casa de Simão Pedro [Pedro], viu sua sogra deitada e sofrendo de febre.
Πενθερά designa “sogra”. O particípio βεβλημένην descreve a condição de estar deitada ou prostrada. A Peshitta pode explicitar a identificação de Pedro como Simão Pedro; isso não altera o parentesco expresso no versículo.
MATEUS 8:15
[PRECEITO]
E tocou a mão dela, e a febre a deixou [afastou-se dela, cessou], e ela se levantou [ergueu-se] e o servia [prestava-lhe serviço, cuidava dele].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E ele tocou a mão dela, e a febre a deixou; e ela se levantou e o servia.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Tocou-lhe a mão, e a febre afastou-se dela; ela se ergueu e lhe prestava serviço.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E tocou a mão dela, e a febre a deixou; e ela se levantou e os servia [a eles prestava serviço].
[VULGATA LATINA]
E tocou a mão dela, e a febre a deixou; e ela se levantou e os servia.
[PESHITTA SIRÍACA]
E ele tocou sua mão, e a febre a deixou; então ela se levantou e os servia.
Uma diferença relevante é o destinatário do serviço: o texto crítico apresenta αὐτῷ, “a ele”; a tradição bizantina e a Vulgata utilizam “a eles”, plural. O verbo διακονέω significa prestar serviço ou atender, sem especificar quais tarefas ela realizou.
MATEUS 8:16
[PRECEITO]
E, tendo chegado a tarde [ao anoitecer], trouxeram-lhe muitos endemoninhados [pessoas descritas como possuídas por demônios], e ele expulsou [lançou fora] os espíritos por uma palavra [com uma ordem verbal] e curou [tratou, restabeleceu] todos os que estavam mal [enfermos, doentes].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ao chegar a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os que estavam enfermos.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Quando anoiteceu, trouxeram até ele muitos que estavam endemoninhados; e com uma palavra expulsou os espíritos e curou todos os doentes.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E, chegando a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; ele expulsou os espíritos por sua palavra e curou todos os enfermos.
[VULGATA LATINA]
Quando chegou a tarde, trouxeram-lhe muitos que tinham demônios; e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os que se encontravam mal.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ao entardecer, trouxeram-lhe muitos que tinham demônios, e ele os expulsou por sua palavra e curou todos os enfermos.
O grego utiliza δαιμονιζομένους, particípio que descreve a condição dos envolvidos, e πνεύματα, “espíritos”, para aquilo que Jesus expulsa. Trata-se de duas palavras distintas no relato. A tradução não estabelece, por si só, um diagnóstico médico para essas pessoas.
MATEUS 8:17
[PRECEITO]
Para que se cumprisse [fosse completado, fosse preenchido] o que foi dito por meio do profeta Isaías: Ele próprio [ele mesmo] tomou [recebeu, levou] as nossas fraquezas [enfermidades, sofrimentos] e carregou [suportou, tomou sobre si] as nossas doenças [moléstias].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Para que fosse cumprido o que foi dito por meio de Isaías, o profeta: Ele mesmo tomou nossas fraquezas e carregou nossas doenças.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Para que se completasse o que foi dito através do profeta Isaías: Ele próprio tomou as nossas enfermidades e suportou as nossas doenças.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Para que se cumprisse o que foi dito por Isaías, o profeta, dizendo: Ele mesmo tomou nossas fraquezas e carregou nossas enfermidades.
[VULGATA LATINA]
Para que se cumprisse aquilo que foi dito pelo profeta Isaías, dizendo: Ele próprio recebeu [tomou] as nossas fraquezas e carregou as nossas doenças.
[PESHITTA SIRÍACA]
Para que fosse cumprido o que foi dito por Isaías, o profeta: Ele tomará [tomou] as nossas dores e carregará [carregou] as nossas doenças.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Para que fosse completado aquilo que foi dito pela boca de Isaías, o profeta: Ele tomou nossas dores e carregou nossas enfermidades.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
Para que se cumprisse o que foi dito por Isaías: Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças.
Em Mateus, o grego distingue ἀσθενείας, “fraquezas/enfermidades”, de νόσους, “doenças”. A Peshitta apresenta verbos de forma prospectiva no trecho citado, enquanto o grego de Mateus utiliza aoristos. A referência é Isaías 53:4; é necessário distinguir a redação de Mateus tanto do hebraico de Isaías quanto da Septuaginta, sem presumir que as três versões tenham palavras idênticas.
PARTE IV — O seguimento, os mortos e a travessia
MATEUS 8:18
[PRECEITO]
E Jesus, vendo [tendo visto] muitas multidões [uma multidão numerosa] ao seu redor [em torno dele], ordenou [mandou, determinou] partir [passar] para a outra margem [o outro lado].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Jesus, tendo visto muitas multidões ao seu redor, ordenou partir para o outro lado.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ao ver uma multidão em torno de si, Jesus ordenou atravessar para a margem oposta.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Jesus, vendo muitas multidões ao seu redor, ordenou que partissem para o outro lado.
[VULGATA LATINA]
Jesus, vendo muitas multidões ao seu redor, ordenou passar para o outro lado.
[PESHITTA SIRÍACA]
Quando Jesus viu muitas multidões ao seu redor, ordenou que fossem para a outra margem.
A edição SBLGNT apresenta πολλοὺς ὄχλους, “muitas multidões”, enquanto a leitura de Westcott–Hort contém ὄχλον, “uma multidão”. A expressão εἰς τὸ πέραν indica o outro lado, sem nomear neste versículo a localidade de destino.
MATEUS 8:19
[PRECEITO]
E, aproximando-se [tendo vindo] um escriba [especialista na Lei, homem instruído na escrita], disse-lhe: Mestre [Instrutor, Professor], seguir-te-ei [acompanhar-te-ei] para onde quer que vás [aonde quer que te dirijas].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E um escriba, aproximando-se, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei aonde quer que vás.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, chegando um escriba, disse-lhe: Mestre [Instrutor], eu te seguirei para onde fores.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E um escriba veio e disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei por onde quer que vás.
[VULGATA LATINA]
E um escriba, aproximando-se, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.
[PESHITTA SIRÍACA]
E aproximou-se um escriba e disse-lhe: Meu mestre [meu instrutor], seguir-te-ei aonde quer que vás.
Γραμματεύς pode designar escriba ou especialista em documentos e na Lei. Διδάσκαλος significa mestre, professor ou instrutor. O futuro ἀκολουθήσω não estabelece o tempo durante o qual o escriba efetivamente o seguiria.
MATEUS 8:20
[PRECEITO]
E Jesus lhe diz [disse]: As raposas [animais chamados raposas] têm tocas [covas, abrigos], e as aves [pássaros] do céu têm lugares de pouso [ninhos, abrigos]; mas o Filho do Homem [Filho do Ser Humano] não tem onde reclinar [deitar, apoiar] a cabeça.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E Jesus lhe diz: As raposas possuem tocas, e as aves do céu, abrigos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Jesus lhe diz: As raposas têm covas e os pássaros do céu têm lugares para pousar; o Filho do Homem, porém, não tem onde apoiar a cabeça.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E Jesus lhe diz: As raposas têm tocas, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
[VULGATA LATINA]
E Jesus lhe diz: As raposas têm covas e as aves do céu têm ninhos; porém, o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhe disse: As raposas têm tocas e as aves dos céus têm lugares de abrigo; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.
Φωλεοί designa tocas ou covas; κατασκηνώσεις, locais de permanência ou abrigo. “Ninhos” é tradução contextual do segundo substantivo. A expressão grega é literalmente ὁ υἱὸς τοῦ ἀνθρώπου, “o Filho do Homem”.
MATEUS 8:21
[PRECEITO]
E outro dos discípulos [outro dos seus discípulos] lhe disse: Senhor, permite-me [concede-me] primeiro ir [partir] e sepultar [enterrar] meu pai.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me primeiro ir e sepultar meu pai.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, concede-me primeiro que eu vá e enterre meu pai.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Outro dos seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me primeiro partir e sepultar meu pai.
[VULGATA LATINA]
Mas outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me primeiro ir e enterrar meu pai.
[PESHITTA SIRÍACA]
Outro de seus discípulos lhe disse: Meu Senhor, deixa-me primeiro ir e sepultar meu pai.
A tradição bizantina acrescenta o possessivo αὐτοῦ, “seus”, depois de “discípulos”; as edições críticas gregas apresentam simplesmente “outro dos discípulos”. A frase não informa se o pai já havia morrido naquele momento, nem estabelece um prazo para o sepultamento.
MATEUS 8:22
[PRECEITO]
Jesus, porém, lhe diz [disse]: Segue-me [acompanha-me], e deixa [permite] os mortos sepultarem [enterrarem] os seus próprios mortos.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Jesus, porém, lhe diz: Segue-me e deixa os mortos sepultarem os seus próprios mortos.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Mas Jesus lhe diz: Acompanha-me, e permite que os mortos enterrem os mortos deles mesmos.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Jesus, porém, lhe disse: Segue-me e deixa os mortos sepultarem seus próprios mortos.
[VULGATA LATINA]
Mas Jesus lhe diz: Segue-me e deixa os mortos sepultarem os seus mortos.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhe disse: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos.
O grego crítico utiliza λέγει, “diz”, e a tradição bizantina εἶπεν, “disse”. O substantivo “mortos” aparece duas vezes; sua repetição deve ser preservada. Qualquer distinção de sentido entre as duas ocorrências pertence à análise contextual, não a duas palavras gregas diferentes.
PARTE V — A tempestade e a grande calmaria
MATEUS 8:23
[PRECEITO]
E, tendo ele entrado [ao entrar, quando entrou] num barco [numa embarcação], seus discípulos o seguiram [acompanharam]. [Entrou no barco.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E, tendo ele entrado em um barco, os seus discípulos o seguiram.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, quando ele entrou em uma embarcação, seus discípulos o acompanharam.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E, entrando ele no barco, os seus discípulos o seguiram.
[VULGATA LATINA]
E, tendo ele entrado no barco, os seus discípulos o seguiram.
[PESHITTA SIRÍACA]
E quando ele subiu [entrou] no barco, seus discípulos o seguiram.
O SBLGNT apresenta εἰς πλοῖον, sem artigo expresso: “num barco”. A tradição bizantina e a Vulgata possuem uma construção equivalente a “no barco”. Não há, nesse versículo, uma palavra que determine o tamanho da embarcação.
MATEUS 8:24
[PRECEITO]
E eis que ocorreu [surgiu] uma grande agitação [sacudida, tempestade] no mar, de modo que o barco estava sendo coberto [encoberto, inundado] pelas ondas; ele, porém, dormia [estava dormindo].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E eis que houve uma grande agitação no mar, de modo que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, dormia.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E eis que uma grande sacudida surgiu no mar, a ponto de a embarcação ser coberta pelas ondas, enquanto ele dormia.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E eis que houve uma grande tempestade no mar, de modo que o barco era encoberto pelas ondas; ele, porém, dormia.
[VULGATA LATINA]
E eis que ocorreu uma grande movimentação [tempestade] no mar, de maneira que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, dormia.
[PESHITTA SIRÍACA]
E eis que houve grande agitação no mar, e as ondas cobriam o barco; ele, porém, estava dormindo.
[MANUSCRITO MINÚSCULO 700 — GREGO]
E eis que surgiu uma agitação no mar, de modo que o barco era coberto pelas ondas, enquanto ele dormia. [Não apresenta o adjetivo “grande”.]
O grego utiliza σεισμός, que pode significar sacudida ou abalo; aqui o contexto marítimo favorece “tempestade” ou “grande agitação”. Isso não exige identificar o fenômeno como um terremoto geológico. O minúsculo 700 omite μέγας, “grande”.
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MATEUS 8:25
[PRECEITO]
E, aproximando-se [chegando perto], [os discípulos] o despertaram [acordaram], dizendo: Senhor, salva [salva-nos], estamos perecendo [morrendo, sendo destruídos]!
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E, aproximando-se, acordaram-no, dizendo: Senhor, salva! Estamos perecendo!
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, chegando perto, despertaram-no e disseram: Senhor, salva! Estamos perecendo!
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E os discípulos, aproximando-se, o acordaram e disseram: Senhor, salva! Estamos perecendo!
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E os discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos! Estamos perecendo!
[VULGATA LATINA]
E os discípulos dele aproximaram-se e o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos! Estamos perecendo!
[PESHITTA SIRÍACA]
Seus discípulos aproximaram-se, acordaram-no e disseram: Nosso Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!
O Sinaítico e o Vaticano não contêm as palavras explícitas “os discípulos” nem “nos” depois de “salva” na redação consultada. A tradição bizantina acrescenta ambas. O verbo ἀπολλύμεθα está na voz média/passiva e pode significar perecer ou estar sendo destruído.
MATEUS 8:26
[PRECEITO]
E ele lhes diz [disse]: Por que sois medrosos [temerosos, covardes], homens de pouca fé [de fé pequena]? Então, levantando-se [tendo-se erguido], repreendeu [censurou, ordenou severamente] os ventos e o mar, e houve uma grande calmaria [bonança, tranquilidade].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E lhes diz: Por que sois temerosos, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e houve uma grande calmaria.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ele lhes diz: Por que sois medrosos, de pouca fé? Então se levantou, repreendeu os ventos e o mar, e surgiu uma grande bonança.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E lhes disse: Por que sois medrosos, homens de pequena fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e houve grande calmaria.
[VULGATA LATINA]
E Jesus lhes diz: Por que sois temerosos, homens de pouca fé? Então se levantou e ordenou severamente aos ventos e ao mar, e surgiu uma grande calmaria.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhes disse: Por que tendes medo, ó vós de pouca fé? Então levantou-se, repreendeu os ventos e o mar, e houve grande tranquilidade.
O adjetivo grego é δειλοί, “medrosos/temerosos”, distinto de ὀλιγόπιστοι, “de pouca fé”. O substantivo γαλήνη designa calmaria ou bonança. A expressão “grande calmaria” está presente após a tempestade, mas não nomeia um intervalo de tempo específico entre a ordem e o resultado.
PARTE VI — Os dois homens, os demônios e a manada
MATEUS 8:27
[PRECEITO]
E os homens [aqueles homens] admiraram-se [maravilharam-se, ficaram espantados], dizendo: Que tipo de homem [que espécie de pessoa] é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem [se submetem às suas ordens]?
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E os homens se admiraram, dizendo: Que espécie de homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Os homens, porém, maravilharam-se e disseram: Que tipo de pessoa é esta, a quem até os ventos e o mar obedecem?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E aqueles homens ficaram espantados, dizendo: Quem é este, que até os ventos e o mar obedecem a ele?
[VULGATA LATINA]
Os homens, porém, se maravilharam, dizendo: Que espécie de homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
[PESHITTA SIRÍACA]
E aqueles homens admiraram-se, dizendo: Quem é este, a quem os ventos e o mar obedecem?
Ποταπός interroga a natureza, qualidade ou espécie de alguém. O SBLGNT posiciona o pronome “a ele” antes de “obedecem”, enquanto a tradição bizantina o coloca depois. Essa diferença não muda a pessoa a quem a obediência é atribuída.
MATEUS 8:28
Este é um dos principais pontos de crítica textual do capítulo, porque as versões antigas apresentam nomes geográficos diferentes.
[PRECEITO]
E, quando ele chegou [tendo chegado] ao outro lado [à outra margem], à região [território, país] dos gadarenos [gergesenos; gerasenos], dois endemoninhados [homens descritos como possuídos por demônios] vieram ao seu encontro, saindo dos túmulos [sepulcros, lugares de sepultamento], extremamente ferozes [violentos, perigosos], de modo que ninguém conseguia passar por aquele caminho.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO E CORREÇÕES]
E, tendo ele chegado ao outro lado, à região dos gazarenos [primeira mão; posteriormente: gergesenos], dois endemoninhados vieram ao seu encontro, saindo dos túmulos, tão violentos que ninguém conseguia passar por aquele caminho.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, tendo ele chegado à outra margem, à região dos gadarenos, encontraram-no dois endemoninhados que saíam dos sepulcros, extremamente ferozes, de modo que ninguém conseguia passar por aquele caminho.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E, chegando ele ao outro lado, à região dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos, tão perigosos que ninguém podia passar por aquele caminho.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
E, quando chegou à outra margem, à região dos gergesenos, dois endemoninhados vieram ao seu encontro, saindo dos sepulcros, extremamente ferozes, de modo que ninguém podia passar por aquele caminho.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E, tendo chegado ao outro lado, à região dos gergesenos, encontraram-no dois endemoninhados que saíam dos túmulos, muito ferozes, de modo que ninguém tinha força para passar por aquele caminho.
[VULGATA LATINA]
E, quando chegou ao outro lado, à região dos gerasenos, vieram-lhe ao encontro dois homens que tinham demônios, saindo dos sepulcros, extremamente ferozes, de modo que ninguém podia passar por aquele caminho.
[PESHITTA SIRÍACA]
E, quando Jesus chegou ao outro lado, à região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados que saíam dos túmulos, extremamente violentos, de modo que ninguém conseguia passar por aquele caminho.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
E, quando chegou à região dos gadarenos, encontraram-no dois homens sobre os quais havia demônios, que saíam dos túmulos e eram tão violentos que ninguém podia passar por aquele caminho.
As leituras Γαδαρηνῶν (gadarenos), Γεργεσηνῶν (gergesenos) e o latim Gerasenorum (gerasenos) devem permanecer separadas. O Vaticano e a Peshitta apoiam “gadarenos”; a ampla tradição bizantina, “gergesenos”; a Vulgata consultada, “gerasenos”. A primeira mão do Sinaítico contém ainda uma grafia peculiar posteriormente corrigida. O grego de Mateus menciona expressamente dois homens; não devemos substituir esse número pelo relato de Marcos ou Lucas.
MATEUS 8:29
[PRECEITO]
E eis que gritaram [clamaram em voz alta], dizendo: Que há entre nós e ti [que temos nós contigo, o que temos a ver contigo], [Jesus,] Filho de Deus? Vieste [chegaste] aqui antes do tempo [antes do momento determinado] para nos atormentar [afligir, torturar]? [Para nos destruir antes do tempo?] [Para nos destruir e atormentar antes do tempo?][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO]
E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui para nos destruir antes do tempo? [A primeira mão apresenta ἀπολέσαι, “destruir”; houve correção posterior na passagem.][CÓDICE VATICANO — GREGO]
E eis que clamaram, dizendo: Que há entre nós e ti, Filho de Deus? Vieste aqui antes do tempo para nos atormentar?
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós a ver contigo, Filho de Deus? Vieste aqui antes do tempo para nos atormentar?
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
E gritavam, dizendo: Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus? Vieste aqui para nos destruir e atormentar antes do tempo?
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E eis que gritaram, dizendo: Que há entre nós e ti, Jesus, Filho de Deus? Vieste aqui antes do tempo para nos atormentar?
[VULGATA LATINA]
E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui antes do tempo para nos atormentar?
[PESHITTA SIRÍACA]
E clamaram, dizendo: Que temos nós contigo, Jesus, Filho de Deus? Vieste aqui antes do tempo para nos atormentar?
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
E gritaram em voz alta, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui para nos envergonhar [humilhar]?
A tradição bizantina e a Peshitta explicitam “Jesus”; o Vaticano, a Vulgata e o siríaco sinaítico não. A primeira mão do Sinaítico apresenta “destruir”, enquanto o Washingtoniano reúne “destruir” e “atormentar”. A redação siríaca sinaítica utiliza uma expressão equivalente a envergonhar ou humilhar. São diferenças de palavras e redações efetivas.
MATEUS 8:30
[PRECEITO]
Havia, porém, a certa distância [longe] deles, uma manada [rebanho] de muitos porcos [suínos], alimentando-se [pastando].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Havia, porém, longe deles, uma manada de muitos porcos pastando.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
A certa distância deles havia uma manada de muitos porcos alimentando-se.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Havia, porém, longe deles, uma manada de muitos porcos que pastava.
[VULGATA LATINA]
Havia, porém, não longe deles, uma manada de muitos porcos pastando.
[PESHITTA SIRÍACA]
Havia, porém, afastada deles, uma manada de muitos porcos alimentando-se.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
E havia uma manada pastando a certa distância deles.
O grego utiliza μακράν, “longe”, sem dar uma medida numérica. A Vulgata possui non longe, “não longe”, e, portanto, apresenta uma diferença real de proximidade. O siríaco sinaítico formula a existência da manada sem reproduzir, nessa oração, o mesmo complemento quantitativo de “muitos porcos”.
MATEUS 8:31
[PRECEITO]
E os demônios [espíritos malignos] lhe suplicavam [rogavam, imploravam], dizendo: Se nos expulsas [lanças para fora], envia-nos [manda-nos] para a manada de porcos [permite-nos ir para a manada de porcos].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E os demônios lhe suplicavam, dizendo: Se nos expulsas, envia-nos para a manada de porcos.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Os demônios, porém, rogavam-lhe, dizendo: Se nos lanças para fora, manda-nos para a manada de porcos.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E os demônios lhe suplicavam, dizendo: Se nos expulsas, permite-nos ir para a manada de porcos.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E os demônios lhe imploravam, dizendo: Se nos expulsas, permite-nos partir para a manada de porcos.
[VULGATA LATINA]
Os demônios, porém, rogavam-lhe, dizendo: Se nos expulsas daqui, envia-nos para a manada de porcos.
[PESHITTA SIRÍACA]
Os demônios lhe suplicavam, dizendo: Se nos expulsas, permite-nos ir para a manada de porcos.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
E os demônios lhe pediam que, se fossem expulsos, lhes permitisse ir para os porcos.
O Sinaítico e o Vaticano apresentam ἀπόστειλον ἡμᾶς, “envia-nos”; o Ephraemi e a tradição bizantina utilizam ἐπίτρεψον ἡμῖν ἀπελθεῖν, “permite-nos ir”. A Peshitta acompanha a formulação permissiva. Essa variante merece permanecer no [PRECEITO].
MATEUS 8:32
[PRECEITO]
E ele lhes disse: Ide [parti]. E eles, tendo saído [depois de saírem], foram para os porcos [para a manada de porcos]; e eis que toda a manada precipitou-se [lançou-se, correu impetuosamente] pelo declive [precipício, encosta íngreme] para dentro do mar, e morreram nas águas. [Jesus lhes disse: Ide.] [No siríaco sinaítico: e caíram dentro do mar.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E ele lhes disse: Ide. E, depois de saírem, foram para os porcos; e eis que toda a manada precipitou-se pelo declive para dentro do mar, e morreram nas águas.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E lhes disse: Ide. Eles saíram e foram para os porcos, e toda a manada se lançou pela encosta íngreme ao mar, e morreram nas águas.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E Jesus lhes disse: Ide. E eles, tendo saído, foram para os porcos; e toda a manada precipitou-se para o mar, e morreram nas águas.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E ele lhes disse: Ide. E eles saíram e foram para a manada de porcos; e eis que toda a manada de porcos precipitou-se pelo declive para dentro do mar, e morreram nas águas.
[VULGATA LATINA]
E lhes disse: Ide. Eles, saindo, foram para os porcos; e eis que toda a manada se precipitou impetuosamente pelo declive para o mar, e morreram nas águas.
[PESHITTA SIRÍACA]
E Jesus lhes disse: Ide. E imediatamente saíram e entraram nos porcos, e toda aquela manada correu para o precipício e caiu no mar, e morreram nas águas.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
E lhes disse: Ide. Eles saíram e entraram nos porcos, e toda aquela manada correu para o precipício e caiu dentro do mar.
O texto crítico apresenta “para os porcos”; o bizantino, “para a manada de porcos”. A Peshitta explicita “Jesus” e “imediatamente”. O siríaco sinaítico termina a frase no mar, sem apresentar expressamente a conclusão “e morreram nas águas” que aparece nos testemunhos gregos principais e na Peshitta.
MATEUS 8:33
[PRECEITO]
Mas os que os apascentavam [pastores, tratadores] fugiram [escaparam]; e, indo à cidade, anunciaram [relataram, comunicaram] tudo, inclusive o que dizia respeito aos endemoninhados [o que havia acontecido aos dois homens].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Mas os pastores fugiram e, indo à cidade, anunciaram tudo, incluindo o que aconteceu aos endemoninhados.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Aqueles que apascentavam a manada fugiram e, depois de entrarem na cidade, relataram todas as coisas e as referentes aos endemoninhados.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Mas os que cuidavam dos porcos fugiram, e, indo à cidade, anunciaram tudo e também o ocorrido com os endemoninhados.
[VULGATA LATINA]
Os pastores, porém, fugiram e, vindo à cidade, relataram tudo, inclusive as coisas referentes aos que tinham demônios.
[PESHITTA SIRÍACA]
E os pastores fugiram e foram para a cidade, onde anunciaram tudo o que havia acontecido, inclusive o que ocorreu com os endemoninhados.
A expressão grega é καὶ τὰ τῶν δαιμονιζομένων, literalmente “e as coisas referentes aos endemoninhados”. O versículo não especifica as palavras exatas utilizadas pelos pastores em seu relato.
MATEUS 8:34
[PRECEITO]
E eis que toda a cidade [todos os habitantes da cidade, a população da cidade] saiu [veio para fora] ao encontro [para encontrar-se] de Jesus; e, tendo-o visto [quando o viram], suplicaram-lhe [pediram-lhe insistentemente] que se retirasse [passasse para fora, fosse embora] de seus limites [fronteiras, território, região].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus; e, quando o viram, suplicaram-lhe que se retirasse de seu território.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E eis que toda a cidade veio ao encontro de Jesus e, tendo-o visto, pediu-lhe que saísse dos seus limites.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E eis que toda a cidade saiu para encontrar Jesus; e, ao vê-lo, pediram-lhe que partisse de sua região.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E eis que toda a cidade saiu para encontrar-se com Jesus; e, depois de o verem, suplicaram-lhe que fosse embora de seus limites [território].
[VULGATA LATINA]
E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus; e, tendo-o visto, rogaram-lhe que se retirasse de seus limites.
[PESHITTA SIRÍACA]
E toda a cidade saiu ao encontro de Jesus; e, quando o viram, pediram-lhe que se afastasse daquela região.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
E toda a cidade saiu para encontrar-se com Jesus; e, tendo-o visto, pediram-lhe que partisse de seus limites.
O grego distingue duas palavras para o encontro: ὑπάντησις na edição crítica e συνάντησις na tradição bizantina. Ambas admitem “encontro”, sem diferença decisiva na tradução portuguesa. Já ὅρια significa limites, fronteiras ou território delimitado. O texto não declara por que os habitantes pediram que Jesus partisse; qualquer atribuição de motivo será interpretação, não tradução literal.

