Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Deuteronômio - é mais precisamente identificado como Targum Pseudo-Jonathan de Deuteronômio, também relacionado à tradição do Targum Jerusalém. Não deve ser confundido com o Targum Jonathan propriamente dito, cuja designação histórica se aplica aos livros dos Profetas. Trata-se de uma tradução aramaica interpretativa e frequentemente expansiva do Deuteronômio hebraico, incorporando paráfrases, explicações legais, tradições narrativas e interpretações judaicas desenvolvidas ao longo de sua transmissão textual. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo.
ATENÇÃO
O texto frequentemente chamado de Targum Jonathan sobre Deuteronômio deve ser lido com atenção crítica redobrada, pois essa designação é, em geral, imprecisa no caso do Pentateuco. No contexto da Torá, esse nome costuma se referir ao Targum Pseudo-Jônatas: seu nome original era Targum Yerushalmi (“Targum de Jerusalém”), mas ele passou a circular como “Targum Jonathan” por causa de um erro de transmissão/impressão na tradição posterior. Além disso, trata-se de um targum amplamente interpretativo, não de uma tradução neutra em sentido moderno.
Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como Deuteronômio foi traduzido, ampliado e relido na tradição judaica. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os acréscimos próprios da tradição rabínica.
[1] Ao fim de sete anos, fareis uma remissão.[2] E esta é a determinação da prática da remissão: todo homem que for credor de um empréstimo feito a seu próximo concederá remissão. Não terá poder para constranger seu próximo a pagar o empréstimo, nem seu irmão, filho de Israel, porque o tribunal publicou a remissão diante do Senhor.[3] Do filho dos gentios poderás exigir o pagamento; porém, o direito legal que tiveres contra teu irmão liberarás de tua mão.[4] Se tão somente fordes diligentes nos preceitos da Lei, não haverá pobre entre vós; pois o Senhor certamente vos abençoará na terra que o Senhor, vosso Deus, vos dará como possessão para herdardes,[5] se tão somente obedecerdes à Palavra do Senhor, vosso Deus, observando e cumprindo todos estes mandamentos que hoje vos ordeno.[6] Pois o Senhor, vosso Deus, vos abençoará, conforme vos falou: tomareis emprestado de muitas nações, porém elas não tomarão emprestado de vós; e tereis domínio sobre muitas nações, porém elas não terão domínio sobre vós.[7] Porém, se não fordes diligentes nos preceitos da Lei e houver entre vós um pobre, em alguma de tuas cidades da terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não endurecerás teu coração nem fecharás tua mão para teu irmão pobre;[8] mas certamente abrirás tua mão para ele e lhe emprestarás conforme a medida de sua necessidade, naquilo de que estiver necessitado.[9] Guarda-te para que não haja uma palavra em teu coração orgulhoso, dizendo: “O sétimo ano, o ano da remissão, está próximo”, e teus olhos se tornem maus para com teu irmão pobre, de modo que não queiras dar-lhe; e ele clame contra ti ao Senhor, e haja culpa sobre ti.[10] Certamente lhe darás, e teu coração não será mau quando lhe deres; pois, por causa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as tuas obras e em tudo aquilo em que colocares tuas mãos.[11] Porém, visto que a casa de Israel não permanecerá firme nos mandamentos da Lei, os pobres não deixarão de existir na terra. Por isso, ordeno-te, dizendo: Certamente abrirás tuas mãos para teus próximos, para os aflitos que estiverem ao teu redor e para os pobres de teu país.[12] Se teu irmão, filho de Israel, ou uma filha de Israel, for vendido a ti, servirá durante seis anos; porém, quando chegar o sétimo ano, tu o deixarás sair livre de tua presença.[13] E, quando o deixares partir de ti em liberdade, não o despedirás de mãos vazias.[14] Certamente o proverás com bens de teus rebanhos, de tuas eiras e de teus lagares; conforme o Senhor te houver abençoado, darás a ele.[15] E lembra-te de que foste servo na terra do Egito e de que o Senhor, teu Deus, te libertou; por isso, hoje te ordeno que faças isto.[16] Porém, se ele te disser: “Não sairei de tua presença”, porque ama a ti e aos homens de tua casa e porque lhe foi bom permanecer contigo,[17] então tomarás um furador e perfurarás sua orelha contra a porta da casa do julgamento, e ele será teu servo até o Jubileu. Também para tua serva escreverás um certificado de libertação e o entregarás a ela.[18] Não seja difícil aos teus olhos deixá-lo partir de tua presença, pois durante seis anos ele te prestou serviço equivalente ao dobro do salário de um trabalhador contratado; e, por causa dele, o Senhor, teu Deus, te abençoou em tudo o que fizeste.[19] Todo primogênito macho que nascer de teus bois e de tuas ovelhas consagrarás diante do Senhor, teu Deus. Não trabalharás com os primogênitos de teus bois nem tosquiarás os primogênitos de tuas ovelhas.[20] Deles comereis diante do Senhor, vosso Deus, de ano em ano, no lugar que o Senhor escolher, tu e os homens de tua casa.[21] Porém, se houver nele algum defeito, se for coxo, cego ou possuir qualquer imperfeição, não o sacrificarás diante do Senhor, teu Deus.[22] Poderás comê-lo em tuas cidades; tanto aquele que estiver impuro, de modo que não possa aproximar-se das coisas santas, como aquele que estiver puro e possa aproximar-se delas, poderão igualmente comê-lo, como se come a carne da gazela ou do cervo.[23] Somente não comereis o sangue; derramá-lo-eis sobre a terra como água.

