Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Êxodo - é mais precisamente identificado como Targum Pseudo-Jonathan de Êxodo, também associado à tradição do Targum Jerusalém. Não deve ser confundido com o Targum Jonathan propriamente dito, cuja designação histórica se aplica aos livros dos Profetas. Trata-se de uma tradução aramaica interpretativa do Êxodo hebraico, frequentemente mais expansiva que o Targum Onkelos, incorporando paráfrases, explicações legais, tradições narrativas e interpretações judaicas desenvolvidas durante sua complexa transmissão textual. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo
ATENÇÃO
O texto frequentemente chamado de Targum Jonathan sobre Êxodo deve ser lido com atenção crítica redobrada, pois essa designação é, em geral, imprecisa no caso do Pentateuco. O que muitas edições chamam de “Targum Jonathan” em Êxodo corresponde, na realidade, ao Targum Pseudo-Jônatas, um targum palestino sobre a Torá cujo nome tradicional surgiu de um erro de leitura medieval da abreviação “TJ”, entendida como “Targum Jonathan” em vez de “Targum Jerusalmi”.
Trata-se de um Targum aramaico fortemente interpretativo, com ampliações narrativas, material aggádico, desenvolvimentos homiléticos e comentários embutidos que vão muito além de uma tradução literal do texto hebraico de Êxodo. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como a Torá foi traduzida, expandida e relida na tradição judaica. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os acréscimos próprios da tradição rabínica.
[1] E Bezalel fez a ARCA de madeira de acácia; seu comprimento era de dois côvados e meio, sua largura, de um côvado e meio, e sua altura, de um côvado e meio.[2] E a revestiu de ouro puro, por dentro e por fora, e fez para ela uma coroa de ouro ao redor.[3] E fundiu para ela quatro argolas de ouro sobre seus quatro cantos: duas argolas sobre um de seus lados e duas argolas sobre o outro lado.[4] E fez suas varas de madeira de acácia e as revestiu de ouro;[5] e colocou as varas nas argolas que estavam sobre os lados da Arca, para carregar a Arca.[6] E fez o PROPICIATÓRIO de ouro puro; seu comprimento era de dois côvados e meio, e sua largura, de um côvado e meio; sua espessura, porém, era de um palmo.[7] E fez dois querubins de ouro puro; de obra batida os fez, nos dois lados do propiciatório.[8] Um querubim deste lado e um querubim daquele lado, de obra batida; e os querubins estavam face a face. Eles não estavam separados do propiciatório; mas, pela sabedoria do Espírito de profecia, fez os querubins em seus dois lados.[9] E os querubins estendiam suas asas, com suas cabeças voltadas para cima, cobrindo o propiciatório com suas asas; e seus rostos estavam voltados um para o outro; em direção ao propiciatório estavam os rostos dos querubins.[10] E fez a MESA de madeira de acácia; seu comprimento era de dois côvados, sua largura, de um côvado, e sua altura, de um côvado e meio.[11] E a revestiu de ouro puro e fez para ela uma coroa de ouro ao redor.[12] E fez para ela uma moldura de um palmo de altura ao redor; e fez uma coroa de ouro para a moldura ao redor.[13] E fundiu para ela quatro argolas de ouro e colocou as argolas nos quatro cantos correspondentes aos seus quatro pés.[14] As argolas estavam junto à moldura, como lugares para as varas destinadas a carregar a Mesa.[15] E fez as varas de madeira de acácia e as revestiu de ouro, para carregar a Mesa.[16] E fez os utensílios que ficariam sobre a Mesa: seus pratos, suas tigelas, suas medidas e suas taças para as libações, tudo de ouro puro.[17] E fez o CANDELABRO de ouro puro; de obra batida fez o Candelabro. Sua base, sua haste, suas taças, suas maçãs e seus lírios formavam uma só peça com ele.[18] E seis braços saíam de seus lados: três braços do Candelabro de um lado e três braços do Candelabro do outro lado.[19] Em um braço havia três taças trabalhadas em relevo com suas figuras, uma maçã e um lírio; e no outro braço havia três taças trabalhadas em relevo com suas figuras, uma maçã e um lírio. Assim era nos seis braços que procediam do Candelabro.[20] E sobre o próprio Candelabro havia quatro taças trabalhadas em relevo, com suas figuras de maçãs e lírios.[21] E havia uma maçã debaixo de dois de seus braços, outra maçã debaixo de outros dois de seus braços e outra maçã debaixo dos dois braços restantes, correspondendo aos seis braços que procediam dele.[22] Suas maçãs e seus braços formavam uma só peça com ele; tudo era uma única obra batida de ouro puro.[23] Com um talento de ouro puro ele o fez, juntamente com todos os seus utensílios.[24] E fez o ALTAR DO INCENSO AROMÁTICO de madeira de acácia; seu comprimento era de um côvado, e sua largura, de um côvado; era quadrado, e sua altura era de dois côvados. Seus dois chifres elevados formavam uma só peça com ele.[25] E o revestiu de ouro puro: sua parte superior, seus lados ao redor e seus chifres; e fez para ele uma coroa de ouro ao redor.[26] E fez para ele duas argolas de ouro debaixo de sua coroa, em seus dois cantos, sobre seus dois lados, como lugares para as varas com as quais seria carregado.[27] E fez as varas de madeira de acácia e as revestiu de ouro.[28] E fez o óleo sagrado da unção e o incenso aromático puro, obra do perfumista.

