Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Ezequiel - é uma antiga tradução aramaica interpretativa do livro hebraico de Ezequiel, pertencente ao conjunto do Targum Jonathan sobre os Profetas, especificamente aos Profetas Posteriores. A obra acompanha o texto bíblico, mas pode incluir paráfrases, esclarecimentos teológicos e interpretações próprias da tradição judaica antiga, especialmente em temas ligados à glória de Deus, ao templo, ao juízo sobre Israel e as nações, à responsabilidade profética, à restauração do povo e às visões simbólicas do livro. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo, tampouco substitui o livro canônico de Ezequiel.
ATENÇÃO
O Targum Jonathan sobre Ezequiel deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico dos Profetas (Nevi’im) inserido na tradição interpretativa judaica. No caso de Ezequiel, a designação “Targum Jonathan” é apropriada, pertencendo ao conjunto tradicional dos Profetas, embora o texto apresente, como todo targum, mediações exegéticas, paráfrases e desenvolvimentos interpretativos próprios da recepção judaica antiga.
Sua leitura exige cuidado ainda maior porque Ezequiel contém visões complexas, linguagem simbólica, imagens do trono divino, juízo, restauração, templo e realidade espiritual. O Targum pode suavizar, explicar ou reorganizar certas expressões para adequá-las à tradição interpretativa recebida. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como o livro de Ezequiel foi traduzido, interpretado e relido no judaísmo antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os desenvolvimentos próprios da tradição interpretativa judaica.
[1] E veio a mim uma palavra de profecia da parte do Senhor, dizendo:[2] Filho do homem, em que a madeira da videira é diferente da madeira de todas as outras árvores, ou o ramo da videira que está entre as árvores da floresta?[3] Porventura se toma dela madeira para fazer alguma obra? Ou se toma dela uma estaca para nela pendurar algum utensílio?[4] Eis que ela é entregue ao fogo para ser consumida. O fogo consome suas duas extremidades, e seu meio fica chamuscado. Porventura ainda serve para alguma obra?[5] Eis que, quando estava inteira, não servia para obra alguma. Quanto menos agora, depois que o fogo a consumiu e ela ficou chamuscada, servirá ainda para alguma obra![6] Por isso, assim diz o Senhor Deus: Como entreguei ao fogo, para ser consumida, a madeira da videira entre as árvores da floresta, assim entreguei os habitantes de Jerusalém.[7] E colocarei sobre eles minha punição. Eles transgrediram as palavras da Lei, que foram dadas do meio do fogo, e povos poderosos como o fogo os consumirão. E sabereis que eu sou o Senhor, quando minha ira se consumar contra eles.[8] E tornarei a terra desolada, porque agiram com profunda infidelidade, diz o Senhor Deus.

