Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Ezequiel - é uma antiga tradução aramaica interpretativa do livro hebraico de Ezequiel, pertencente ao conjunto do Targum Jonathan sobre os Profetas, especificamente aos Profetas Posteriores. A obra acompanha o texto bíblico, mas pode incluir paráfrases, esclarecimentos teológicos e interpretações próprias da tradição judaica antiga, especialmente em temas ligados à glória de Deus, ao templo, ao juízo sobre Israel e as nações, à responsabilidade profética, à restauração do povo e às visões simbólicas do livro. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo, tampouco substitui o livro canônico de Ezequiel.
ATENÇÃO
O Targum Jonathan sobre Ezequiel deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico dos Profetas (Nevi’im) inserido na tradição interpretativa judaica. No caso de Ezequiel, a designação “Targum Jonathan” é apropriada, pertencendo ao conjunto tradicional dos Profetas, embora o texto apresente, como todo targum, mediações exegéticas, paráfrases e desenvolvimentos interpretativos próprios da recepção judaica antiga.
Sua leitura exige cuidado ainda maior porque Ezequiel contém visões complexas, linguagem simbólica, imagens do trono divino, juízo, restauração, templo e realidade espiritual. O Targum pode suavizar, explicar ou reorganizar certas expressões para adequá-las à tradição interpretativa recebida. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como o livro de Ezequiel foi traduzido, interpretado e relido no judaísmo antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os desenvolvimentos próprios da tradição interpretativa judaica.
[1] Ele me fez sair para o pátio exterior pelo caminho do portão voltado para o Norte e me levou às câmaras que estavam diante da área separada e diante do edifício, do lado norte.[2] Diante do comprimento de cem côvados havia uma entrada voltada para o Norte; e a largura era de cinquenta côvados.[3] Elas estavam diante dos vinte côvados pertencentes ao pátio interior e diante do pavimento do pátio exterior. Havia galerias diante de galerias, em três andares.[4] Diante das câmaras havia uma passagem de dez côvados de largura, voltada para o interior, e um caminho de um côvado; suas entradas estavam voltadas para o Norte.[5] As câmaras superiores eram mais estreitas, porque as galerias tomavam parte de seu espaço, mais do que das câmaras inferiores e intermediárias do edifício.[6] Pois estavam dispostas em três andares e não possuíam colunas semelhantes às colunas dos pátios. Por isso, as câmaras superiores eram mais estreitas do que as inferiores e intermediárias, desde o chão.[7] A parede exterior, situada diante das câmaras, ao longo do pátio exterior e diante das câmaras, media cinquenta côvados de comprimento.[8] Pois o comprimento das câmaras que estavam no pátio exterior era de cinquenta côvados; porém aquelas que ficavam diante do Santuário mediam cem côvados.[9] Na parte inferior dessas câmaras havia uma entrada pelo lado oriental, para quem entrava nelas vindo do pátio exterior.[10] Na largura da parede do pátio, em direção ao Oriente, diante da área separada e diante do edifício, havia câmaras.[11] O caminho diante delas era semelhante ao das câmaras voltadas para o Norte. Seu comprimento e sua largura eram iguais; assim também eram todas as suas saídas, suas disposições e suas entradas.[12] Assim como as entradas das câmaras voltadas para o Sul, havia uma entrada no início do caminho, diante da plataforma dos levitas, pelo caminho oriental, para quem entrava nelas.[13] Então ele me disse: As câmaras do Norte e as câmaras do Sul, que estão diante da área separada, são câmaras sagradas. Ali os sacerdotes que se aproximam para ministrar diante do Senhor comerão as coisas santíssimas. Ali colocarão as coisas santíssimas: a oferta de cereais, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa, porque o lugar é santo.[14] Quando os sacerdotes entrarem, não sairão do lugar santo diretamente para o pátio exterior. Ali deixarão as vestes com as quais ministraram, porque são santas. Vestirão outras roupas e então poderão misturar-se com o povo.[15] Quando ele terminou de medir a Casa interior, fez-me sair pelo caminho do portão voltado para o Oriente e mediu todo o recinto ao redor.[16] Mediu o lado oriental com a vara de medir: quinhentas varas, com a vara de medir, ao redor.[17] Mediu o lado norte: quinhentas varas, com a vara de medir, ao redor.[18] Mediu o lado sul: quinhentas varas, com a vara de medir.[19] Voltou-se para o lado ocidental e mediu quinhentas varas, com a vara de medir.[20] Mediu o recinto pelos quatro lados. Havia um muro ao redor, com quinhentas varas de comprimento e quinhentas varas de largura, para separar o que era santo do que era comum.

