Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Isaías - é uma antiga tradução aramaica interpretativa do livro hebraico de Isaías, pertencente ao conjunto do Targum Jonathan sobre os Profetas, especificamente aos Profetas Posteriores. A obra acompanha o texto bíblico, mas pode incluir paráfrases, esclarecimentos teológicos e interpretações próprias da tradição judaica antiga, especialmente em temas ligados ao juízo, à consolação de Sião, à esperança messiânica, à restauração de Israel e às nações. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo, tampouco substitui o livro canônico de Isaías.
ATENÇÃO
O Targum Jonathan sobre Isaías deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico dos Profetas (Nevi’im) inserido na tradição interpretativa judaica. No caso de Isaías, a designação “Targum Jonathan” é apropriada, pertencendo ao conjunto tradicional dos Profetas, embora o texto apresente, como todo targum, mediações exegéticas, paráfrases e desenvolvimentos interpretativos próprios da recepção judaica antiga.
Sua leitura exige cuidado ainda maior porque Isaías contém linguagem profética altamente simbólica, anúncios messiânicos, juízos contra as nações, imagens de restauração, cânticos do Servo, visões escatológicas e expressões teológicas profundas. O Targum pode explicar, suavizar, ampliar ou redirecionar certas passagens, especialmente onde o texto hebraico permite leituras messiânicas, espirituais ou cristológicas. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como o livro de Isaías foi traduzido, interpretado e relido no judaísmo antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os desenvolvimentos próprios da tradição interpretativa judaica.
[1] No ano em que Tartã marchou contra Asdode (quando Sargom, rei da Assíria, o enviou), ele fez guerra contra Asdode e a subjugou.[2] Naquele tempo o Senhor ordenou por meio de Isaías, filho de Amoz, dizendo: vai e remove o pano de saco que está sobre teus lombos e tira as tuas sandálias dos teus pés; e ele assim fez, andando nu e descalço.[3] E o Senhor disse: assim como o meu servo Isaías andou nu e descalço por três anos como sinal e maravilha para o Egito e para Cuxe,[4] assim o rei da Assíria levará os cativos, e o cativeiro de Cuxe, jovens e velhos, nus e descalços, com sua vergonha descoberta, para a desonra do Egito.[5] E eles ficarão com medo e confusos por causa de Cuxe, lugar da sua confiança, e por causa do Egito, motivo do seu orgulho.[6] Naquele tempo o habitante desta ilha dirá: tal se tornou o lugar em que confiávamos, para onde esperávamos fugir em busca de socorro e ser libertos da mão do rei da Assíria; se até agora não puderam libertar a si mesmos, como seremos nós libertos?

