Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Jeremias - é uma antiga tradução aramaica interpretativa do livro hebraico de Jeremias, pertencente ao conjunto do Targum Jonathan sobre os Profetas, especificamente aos Profetas Posteriores. A obra acompanha o texto bíblico, mas pode incluir paráfrases, esclarecimentos teológicos e interpretações próprias da tradição judaica antiga, especialmente em temas ligados ao juízo sobre Judá e as nações, à aliança quebrada, ao chamado ao arrependimento, à destruição de Jerusalém, ao exílio e à esperança de restauração. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo, tampouco substitui o livro canônico de Jeremias.
ATENÇÃO
O Targum Jonathan sobre Jeremias deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico dos Profetas (Nevi’im) inserido na tradição interpretativa judaica. No caso de Jeremias, a designação “Targum Jonathan” é apropriada, pertencendo ao conjunto tradicional dos Profetas, embora o texto apresente, como todo targum, mediações exegéticas, paráfrases e desenvolvimentos interpretativos próprios da recepção judaica antiga.
Sua leitura exige cuidado particular porque Jeremias contém denúncias proféticas severas, juízos contra Judá e as nações, linguagem de aliança quebrada, restauração futura, sofrimento do profeta e fortes tensões entre templo, povo, liderança e fidelidade a Deus. O Targum pode explicar, suavizar, ampliar ou direcionar certas expressões conforme a tradição interpretativa recebida. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como o livro de Jeremias foi traduzido, interpretado e relido no judaísmo antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os desenvolvimentos próprios da tradição interpretativa judaica.
[1] A palavra de profecia procedente de diante do Senhor veio ao profeta Jeremias acerca dos filisteus, antes que Faraó viesse e ferisse os habitantes de Gaza.[2] Assim disse o Senhor: Eis que povos vêm do norte; serão como uma torrente que transborda, inundarão a terra e tudo o que nela há, as cidades e seus habitantes. Os homens clamarão, e todos os habitantes da terra lamentarão.[3] Ao som do galope dos cascos de seus poderosos cavalos, ao estrondo de seus carros e ao tumulto de suas rodas, os pais não se voltarão para socorrer seus filhos, por causa do enfraquecimento de suas mãos.[4] Isso acontecerá por causa do dia que vem para saquear toda a terra dos filisteus e exterminar de Tiro e Sidom todo aliado que ainda restar. Pois o Senhor saqueará a terra dos filisteus, o remanescente das regiões costeiras dos capadócios.[5] A retribuição chegou aos habitantes de Gaza; os de Ascalom foram quebrantados, o remanescente de sua força. Até quando vos ferireis em lamento?[6] Ai da espada enviada da parte do Senhor! Até quando não descansarás? Recolhe-te à tua bainha; permanece quieta e repousa.[7] Como poderá ela descansar, se o Senhor lhe deu ordem contra Ascalom e contra a região marítima? Para lá ele a designou.

