Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Josué - é uma antiga tradução aramaica interpretativa do livro hebraico de Josué, pertencente ao Targum Jonathan dos Profetas — especificamente aos chamados Profetas Anteriores. Diferentemente dos volumes do Pentateuco identificados mais precisamente como Pseudo-Jonathan, neste caso a designação Targum Jonathan é tradicionalmente adequada. A obra acompanha o relato bíblico, mas pode apresentar paráfrases, esclarecimentos e interpretações próprias da tradição judaica antiga. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo.
ATENÇÃO
O Targum Jonathan sobre Josué deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico dos Profetas (Nevi’im) transmitido dentro da tradição interpretativa judaica. Diferentemente do caso do Pentateuco, aqui a designação “Targum Jonathan” é apropriada: trata-se do targum tradicionalmente associado aos Profetas, e não do problema de nomenclatura visto no chamado “Targum Jonathan” da Torá. Além disso, mesmo quando acompanha de perto o texto-base, o targum ainda incorpora mediações exegéticas, reformulações e expansões interpretativas próprias da tradição rabínica.
Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como o livro de Josué foi recebido, traduzido e interpretado no judaísmo antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os ajustes próprios da tradição interpretativa judaica.
[1] E o Senhor falou com Josué, dizendo:[2] Fala aos filhos de Israel, dizendo: Designai para vós as cidades de refúgio das quais vos falei por meio de Moisés,[3] para que fuja para lá o homicida que matar alguém involuntariamente, sem intenção; e elas vos servirão de refúgio contra o vingador do sangue.[4] E ele fugirá para uma dessas cidades, ficará à entrada do portão da cidade e apresentará seu caso diante dos anciãos daquela cidade. Então eles o receberão na cidade, junto deles, dar-lhe-ão um lugar e ele habitará com eles.[5] E, se o vingador do sangue o perseguir, não entregarão o homicida em suas mãos, porque matou seu próximo sem intenção e não o odiava anteriormente.[6] E habitará naquela cidade até comparecer diante da congregação para julgamento e até a morte do sumo sacerdote que estiver exercendo sua função naqueles dias. Então o homicida retornará, entrará em sua cidade e em sua casa, na cidade de onde havia fugido.[7] E designaram Quedes, na Galileia, na região montanhosa da casa de Naftali; Siquém, na região montanhosa da casa de Efraim; e Quiriate-Arba, que é Hebrom, na região montanhosa da casa de Judá.[8] E, do outro lado do Jordão, diante de Jericó, a leste, deram Bezer, no deserto, na planície, da tribo de Rúben; Ramote, em Gileade, da tribo de Gade; e Golã, em Basã, da tribo de Manassés.[9] Estas foram as cidades designadas para todos os filhos de Israel e para os estrangeiros que se convertessem no meio deles, para que fugisse para lá todo aquele que matasse alguém involuntariamente e não morresse pelas mãos do vingador do sangue antes de comparecer diante da congregação.

