Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Targum Jonathan de Juízes - é uma antiga tradução aramaica interpretativa do livro hebraico de Juízes, pertencente ao Targum Jonathan dos Profetas, especificamente ao conjunto dos Profetas Anteriores. A obra acompanha o texto bíblico, mas pode apresentar paráfrases, esclarecimentos linguísticos e interpretações próprias da tradição judaica antiga. Não constitui um livro bíblico independente nem integra, como obra separada, os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo.
ATENÇÃO
O Targum Jonathan sobre Juízes deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico dos Profetas transmitido dentro da tradição interpretativa judaica. Diferentemente do caso do Pentateuco, aqui a designação “Targum Jonathan” é apropriada: trata-se do targum tradicional dos Nevi’im (Profetas), ligado à recepção judaica antiga desses livros.
Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como o livro de Juízes foi recebido, traduzido e interpretado no judaísmo antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a mediação aramaica targúmica e os ajustes próprios da tradição interpretativa judaica.
[1] E os homens de Efraim se reuniram, atravessaram para o norte e disseram a Jefté: Por que atravessaste para combater contra os filhos de Amom e não nos chamaste para irmos contigo? Queimaremos tua casa contigo dentro.[2] E Jefté lhes disse: Eu e meu povo estávamos em grande conflito com os filhos de Amom; e clamei a vós, mas não me livrastes das mãos deles.[3] E, vendo eu que não havia quem me libertasse, arrisquei minha vida, como quem se entrega à morte, e atravessei contra os filhos de Amom; e o Senhor os entregou em minhas mãos. Por que, então, subistes hoje contra mim para combater comigo?[4] Então Jefté reuniu todos os homens de Gileade e combateu contra a casa de Efraim; e os homens de Gileade feriram os da casa de Efraim, porque estes haviam dito: Vós, gileaditas, sois fugitivos de Efraim, estando Gileade no meio de Efraim e de Manassés.[5] E os da casa de Gileade tomaram as passagens do Jordão contra os da casa de Efraim. E acontecia que, quando algum dos fugitivos da casa de Efraim dizia: “Deixai-me atravessar”, os homens de Gileade lhe perguntavam: “És efraimita?” E ele respondia: “Não.”[6] Então lhe diziam: “Dize agora: Xibolete.” E ele dizia: “Sibolete”, pois não conseguia pronunciar corretamente. Então o prendiam e o matavam junto às passagens do Jordão. E naquele tempo caíram de Efraim quarenta e dois mil homens.[7] E Jefté julgou Israel durante seis anos. Depois morreu Jefté, o gileadita, e foi sepultado nas cidades de Gileade.[8] E depois dele Ibsã, de Belém, julgou Israel.[9] E ele tinha trinta filhos e enviou trinta filhas para fora, e trouxe de fora trinta jovens para serem esposas de seus filhos; e julgou Israel durante sete anos.[10] E Ibsã morreu e foi sepultado em Belém.[11] E depois dele Elom, da casa de Zebulom, julgou Israel; e julgou Israel durante dez anos.[12] E Elom, da casa de Zebulom, morreu e foi sepultado em Aijalom, na terra de Zebulom.[13] E depois dele Abdom, filho de Hilel, de Piratom, julgou Israel.[14] E ele tinha quarenta filhos e trinta netos, que cavalgavam sobre setenta jumentos; e julgou Israel durante oito anos.[15] E Abdom, filho de Hilel, de Piratom, morreu e foi sepultado em Piratom, na terra da tribo de Efraim, na região montanhosa da casa de Amaleque.

