Aviso ao leitor
Este livro -Targum Onkelos de Deuteronômio - não é um livro bíblico independente, mas uma antiga tradução aramaica interpretativa do texto hebraico de Deuteronômio, pertencente ao Targum Onkelos sobre a Torá. Em geral, acompanha de perto o hebraico, embora também apresente escolhas explicativas, paráfrases e soluções teológicas próprias da tradição judaica, especialmente em passagens legais, poéticas e referentes à ação divina. Não integra como obra separada os cânones protestante, católico romano ou ortodoxo.
ATENÇÃO
O Targum Onkelos sobre Deuteronômio deve ser lido com atenção crítica especial, pois não é uma tradução neutra no sentido moderno, mas um Targum aramaico inserido na tradição interpretativa rabínica. Embora o Onkelos seja, em geral, mais sóbrio e próximo do texto-base do que outros targumim mais expansivos, ele ainda incorpora escolhas exegéticas, reformulações interpretativas e mediações próprias da tradição judaica antiga, especialmente em passagens ligadas à lei, aliança, bênçãos, maldições e linguagem sobre a ação de Deus.
Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, linguístico, exegético e crítico, especialmente para compreender como o texto hebraico de Deuteronômio foi recebido, traduzido e interpretado no ambiente judaico antigo e tardo-antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e consciência de seu caráter tradutivo-interpretativo, distinguindo entre o texto hebraico base, a forma aramaica transmitida pelo Targum e os ajustes próprios da tradição rabínica.
[1] Filhos sois diante do Senhor, vosso Deus. Não vos fareis incisões nem rapareis a parte entre os olhos por causa de um morto;[2] pois tu és um povo santo diante do Senhor, teu Deus, escolhido para ser para Ele um povo mais amado do que todas as nações que estão sobre a face da terra.[3] Não comerás coisa alguma que seja abominável.[4] Estes são os animais que podereis comer: o boi, o cordeiro do rebanho e o cabrito das cabras;[5] o cervo, o antílope, o veado selvagem, a cabra-montês, o pigargo, o búfalo e a camurça;[6] e qualquer animal que tenha o casco fendido, dividido em duas partes, e que rumine, dentre os animais, podereis comer.[7] Contudo, não comereis daqueles que somente ruminam ou daqueles que somente possuem o casco dividido em partes: o camelo, a lebre e o coelho-das-rochas, pois ruminam, mas não dividem o casco; são impuros para vós.[8] E o porco, porque divide o casco, mas não rumina, será impuro para vós. Não comereis de sua carne nem tocareis em seus cadáveres.[9] De tudo o que vive nas águas, podereis comer isto: tudo o que possui barbatanas e escamas podereis comer.[10] Porém, qualquer peixe que não possua barbatanas e escamas não podereis comer; será impuro para vós.[11] Podereis comer toda ave pura.[12] Mas destas não comereis: a águia, o quebra-ossos e a águia-pescadora;[13] o milhafre, o abutre e o falcão, segundo suas espécies;[14] e todo corvo, segundo sua espécie;[15] a coruja, a ave noturna, a gaivota e o gavião, segundo sua espécie;[16] a garça, o cisne e a cegonha;[17] o corvo-marinho, o pelicano e o mocho;[18] o abetouro e o íbis, segundo suas espécies; a poupa e o morcego.[19] E não comereis nenhum ser rastejante cuja carne seja impura para vós.[20] Porém, podereis comer toda criatura alada que seja pura.[21] Não comereis coisa alguma que tenha morrido por si mesma. Poderás dá-la ao estrangeiro incircunciso que estiver em tua cidade, para que ele a coma, ou poderás vendê-la a um povo de fora; pois tu és um povo santo para o Senhor, teu Deus. Não comerás carne com leite.[22] Separarás o dízimo de todo o produto de tua semente e de tudo o que teu campo produzir de ano em ano.[23] E diante do Senhor, teu Deus, no lugar que Ele escolher para fazer sua Shekinah habitar ali, comerás o dízimo de teu cereal, de teu vinho e de teu azeite, e os primogênitos de teus bois e de tuas ovelhas, para que aprendas a temer diante do Senhor, teu Deus, durante todos os dias.[24] Mas, se o caminho for longo demais para ti, de modo que não possas transportar o dízimo, porque o lugar que o Senhor, teu Deus, escolher para fazer sua Shekinah habitar ali estiver muito distante de ti, quando o Senhor, teu Deus, te houver abençoado,[25] então o converterás em prata, prenderás a prata em tua mão e irás ao lugar que o Senhor, teu Deus, escolher.[26] E darás a prata por tudo o que tua alma desejar: bois, ovelhas, vinho novo ou envelhecido, ou qualquer coisa que tua alma desejar. Comerás ali diante do Senhor, teu Deus, e te alegrarás, tu e os homens de tua casa.[27] E não abandonarás o levita que estiver em tuas cidades, pois ele não possui porção nem herança contigo.[28] Ao fim de três anos, retirarás todos os dízimos de tua produção daquele ano e os armazenarás em tuas cidades.[29] Então virão o levita, porque não possui parte nem herança contigo, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estiverem em tuas cidades; comerão e ficarão satisfeitos, para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em toda obra que tuas mãos realizarem.

